Saturday, July 15, 2006

Justiça Seja Feita...

Vinny podia ver aquela garra se erguendo e escutar o demônio falando de uma forma que ele compreendia:
- Agradeça Alice Lupin por sua condenação...
O coração de Vinny disparava, ele não conseguia compreender o que Alice Lupin tinha haver com aquele monstro e com tudo que estava acontecendo. O demônio parecia se deleitar com o medo que crescia no rapaz. Em sentir as esperanças do tolo se evanescerem. Gargalhava, pois aumentaria sua cota graças a Alice Lupin, mas o maior assombro dele foi quando viu seu corpo envolvido por uma torre de chamas que quase consumiu Vinny junto com ele.
- LUUUUUUUUUUUUPIIIIIIIIIIN!
O grito que vinha do demônio, vinham em uma mescla de desespero e ódio. Ele estava tão próximo de conseguir mais uma alma, estava tão próximo de me vencer, mas Geburah não deixaria que eu me entregasse tão facilmente, não deixaria aquele demônio me vencer tão facilmente. O grito do demônio parecia abalar as estruturas da sala das caldeiras. Vinny se encolheu tampando os ouvidos e fechando os olhos, havia muito mais naquele grito para ele do que para mim que já estava acostumada. A morte de um demônio sempre era a morte de um demônio. Para aqueles que não estavam acostumados, o grito poderia lançá-los muito tempo em um hospício com um despertar tão brusco para a realidade. Mas para Vinny... Para Vinny o mundo parecia iria acabar, aquela torre em chamas logo consumiria o lugar junto com aquele grito. Era o fim... Vinny não poderia pensar de outra forma, mas tudo se acalma de repente. Não havia mais grito, não havia mais as vozes das almas condenadas, não havia mais aquele Inferno que havia surgido do nada. Vinny abria os olhos se perguntando se aquilo era a morte, o fim de tudo e se espantou ao me ver sentada, com uma de minhas mãos sobre meu abdômen e a outra fechada, mas erguida como se eu tivesse puxado algo.
- ALICE... ALICE...
Meus olhos estavam vazios, foi desta forma que Vinny os viu... Não posso pensar de outra forma, depois que pude escutar os gritos de Vinny por um tempo, escutar a voz dele desesperada falando para agüentar que ele iria buscar ajuda. Minha mão se abria aos poucos... Abaixava-se ao longo de meu corpo, enquanto a outra mão escorregava do ferimento manchando mais ainda a minha roupa com o sangue que agora jorrava de modo fluido sem empecilhos. Então veio a escuridão.
Uma escuridão que parecia confortável...
Silenciosa...
Fria.

2 comments:

Nerito said...

Lia calmamente esse trecho quando algo chamou minha atenção. Geburah? Uma das emanações? Ou seria o nome de uma entidade inspirada na Cabala? Espero estar entendendo.
Na verdade, já estudei um pouco de Cabala na faculdade. Bem pouco, para ser sincero. Cabala e literatura. É um tema interessante.
Tenho algumas perguntas e por isso se você pudesse responder.
Alice é agente da Seção 9. Conheço outra trama onde há uma agente de outra Seção 9. Na verdade é um longa animado. Você conhece?
Posso passar também meu e-mail para trocarmos essas impressões.
Mas novamente agradeço a atenção dada pelos meus escritos.
Do que já escrevi, estou no capítulo 25, apesar de somente ter publicado até o 15. E está longe de acabar, pois ainda tento vislumbrar que fim Lorguth causará para Seridath. Há perguntas ainda não respondidas. Quem criou Seridath? Por que ele surge misteriosamente do nada? Quem falou a ele sobre a Câmara da Profanação? Sobre a espada?
Ainda há muitas perguntas a serem respondidas...

Nerito said...

Puxa, fiquei impressionado. De fato, a história de Seridath é inspirada naquele livro "A espada diabólica", apesar de algumas idéias originais.
Existem muitos pontos nesse livro que considero inspiradores, mas tanto a lógica do mundo onde se passa essa história, quando o objetivo da narrativa têm um caminho diferente ao do livro. Vamos ver onde Seridath chegará. Há um mistério que pouco a pouco será revelado sobre quem levou Seridath a conhecer a espada. Mas essas são palavras para um tempo que virá.
abraços,