Thursday, February 22, 2007

Mentes Confusas

O rapaz em sua confusão, sentindo aquele cheiro de sangue e tendo a mente tomada por lembranças, parece se perder em pensamentos. Seus pensamentos o remeteram a uma vida passada. Uma vida que ele havia deixado para trás há muito tempo. Sua mente se encontrava estraçalhada e suas palavras fluíam de sua boca em meio aos pensamentos altos que ele tinha. Um relato de quem ele era de qual era seu nome. Consciente ou não, enquanto contava a história de sua vida. Confabulava as improbabilidades do cheiro do meu sangue ter o mesmo cheiro do sangue dele. Confabulava porque ele havia sentido dor quando me cortei. Junto à confusão dele eu também me encontrei desnorteada confabulando a estranheza do fato. Ainda achava impossível tudo aquilo estar acontecendo. Por várias vezes pensei em deixar o local e todas as vezes que cheguei a ensaiar a minha saída, ele pediu para que eu permanecesse até esclarecermos o fato.
- Meu nome é Alecsander Lupin.
Falava em meio à sua confusão repetindo o seu nome, e em nossa longa conversa desconexa, em algum momento devo ter me identificado. Conversávamos sobre um passado que ambos tínhamos resolvido enterrar. Não comentando um para o outro sobre o porquê de não possuírmos mais os nossos progenitores. Alecsander continuava a contar o relato de sua vida e cada vez mais meu coração se acelerava naquela confusão. Nem sei ao certo, quando escolhemos uma mesa próxima a um dos janelões e também seria estranho para muitos o fato de estarmos conversando tanto e ao mesmo tempo não conseguirmos encarar um ao outro. Mas a diversão apenas estava para começar e a noite iria render muito mais do que eu imaginava. A namorada de Alecsander chegou no local e quando procurou seu amado, seus olhos firmaram-se sobre nós.
Aquele velho arrepio. Um arrepio que tomava conta da minha nuca indicava problemas. Por um breve momento desvencilho minha atenção de Alecsander e olho na direção de quem parecia planejar a melhor forma de estripar o meu corpo. Havia ciúmes naquele olhar. Um ciúmes que ainda me traria muitos problemas e os problemas maiores se dariam apenas pela aura da moça. Alec então notando que eu tinha desviado a minha atenção, olha para o local que eu observava.
- Julia...
Ele murmura, quase que surpreso.
- Espere.
Ele murmurava e então se erguia. Caminhava até a sua namorada. Meus olhos se estreitavam, a aura dela não era uma coisa boa. Julia estava ligada a algo que eu odiava encontrar.
- Uma vampira...
Eu sabia que isso iria me causar problemas, mas mesmo assim eu ainda precisava descobrir.
Alecsander apressou seus passos, evitando que Julia chegasse à mesa. Levava a namorada até ao balcão e enquanto eles conversavam, eu me ergui um pouco. Precisava de outro cigarro para tentar esfriar os meus ânimos. Tinha que por ordem em minha mente. Mais uma vez pensei em partir, meu nome no FBI estava para ser sujo. Tudo porque algo me dizia que Alec e eu tínhamos o mesmo sangue. A mesma família. Mesmo não tendo colocado todas as cartas sobre a mesa, faltava uma carta crucial. Os pais.
Resolvo partir. Resolvo sair antes que a confusão realmente começasse, pois os ânimos se exaltavam entre ele e Julia. Ciúmes sempre foi uma arma poderosa demais para matanças em geral. Outro dia eu retornaria. Outro dia eu descobriria a verdade. Aquela missão começava a se mostrar comprometida, mas Alecsander notando que eu iria embora se aproxima de mim, pedindo a sua namorada apenas um tempo.
- Ainda não acabamos...

2 comments:

Andreia said...

Ah, enfim vamos conhecer um pouco mais deste fabuloso encontro entre os Lupin e a sua relação com Alecsander. Interessante como a sede de saber sobre seu passado, Alice, a faz se arriscar a levar Alecsander a uma possível perda de sanidade. A Taverna me trouxe doces lembranças, Agente, é bastante interessante seu ponto de vista em ver que o dono da Taverna é um maldito que abriu um portal para seres que apenas habitam na imaginação dos adormecidos. Confesso que nunca passou pela minha mente que ele poderia ser o culpado disto, não diretamente, pois o imaginava um pobre coitado que não tinha culpa dos habitantes bem peculiares que ali escolheram para freqüentar, barganhar, ou simplesmente beberem uma boa bebida Jack Daniel’s. Essa vampira vai dá muita dor de cabeça...
Abraços,

Nerito said...

Puxa... fiquei com os olhos colados à tela, pensando que teria mais algumas informações sobre quem seria esse Lupin e o que estaria fazendo lá.
Mas ainda estou no escuro, como deve estar o ambiente dessa Taverna. Estou sentindo os ânimos se exaltarem, a tensão aumentar. Com certeza os poderosos seres que freqüentam aquele lugar maldito já sabem da presença de uma caçadora, mas será que eles sabem se sua confusão, de sua hesitação?
Vamos ver se o próximo capítulo responde às minhas perguntas...