Tuesday, July 31, 2007

A Solução - Parte I

Eles brigavam. Discutiam entre eles o porquê de tudo aquilo. Acusações eram feitas e defesas feitas com tamanha intensidade e nem mesmo eles poderiam notar o momento exato que eu saí. Eu não poderia esperar aquela guerra entre eles terminar. Já sabia o que fazer, então cabia à minha pessoa resolver toda aquela situação. Naquela noite ou eu, ou a criança deixaria de existir, mas também tinha a possibilidade de tudo se encerrar com a morte da criança e a minha.
- Você!!! - Gritou Júlia buscando a culpada de tudo e ali mesmo seus olhos buscaram por um corpo inexistente.
- Alec... ALEC... - Ergueu-se depressa, buscando por aquela mulher de olhos frios e sinal de mal agouro e Alec se erguia olhando desnorteado, buscando por sua irmã. Estavam brigando tanto que se admirava por uma humana tapear uma vampira e ele, um lycan. Júlia buscou por Alice no bar e saiu correndo ao ver que a agente não estava por ali. Alec temendo e ao mesmo tempo imaginando o que poderia estar acontecendo tenta alcançar sua amada.
- VOCÊ NÃO MATARÁ O MEU FILHO! - Foi o grito que eu pude escutar quando sentia o baque de meu corpo ao chão e aquela vampira tresloucada e possessa tentando me enforcar, mas Júlia também pode sentir meus pés se encaixando no abdômen dela e a jogando para trás, enquanto eu acabava de girar meu corpo e me erguer.
Quando é que aqueles seres aprenderiam que eu nunca estaria 100% do tempo alheia às ações deles?
Júlia já partia para cima de mim, quando ela pode escutar uma simples palavra:
- Infernum!
Confesso que eu sorriria em outra ocasião, mas ver aquela vampira gritando de pavor e logo atrás ver Alec saltando entre as chamas para salvá-la, causaram-me apenas uma reação:
- VOCÊ SABE QUE TEM DE SER FEITO! SEGURE-A SE VOCÊ A AMA E NÃO VENHA ATRÁS, OU TODOS NÓS MORREREMOS!
Pude ver o desespero de meu irmão. Era claro que ele a amava, era claro que ele sabia o que eu faria. Júlia gritava de dor por conta das queimaduras que ela sofreue pude ver quando ele segurou sua amada, rosnando alto para mim e evitando me olhar:
- VÁ! FAÇA O QUE DEVE SER FEITO!
Não esperei mais. Eu sabia que poderia contar com meu irmão. Ele faria de tudo para segurar Júlia, mesmo que com isso ele perdesse uma irmã. Era uma decisão difícil e imposta a ele e eu não esperava menos do que a resposta que eu escutei.

Friday, July 20, 2007

A Magia tem um Preço - Parte III

- "Mooorteee"
Aquelas palavras vieram como um mal agouro para Alecsander quando escutou a minha pergunta. Eu não faria nem idéia naquele momento do que meu irmão estaria passando, mas não podia deixar de perceber a agonia naqueles olhos.
- "Alguém irá morrer. É preciso...."
Alec começava a ranger os dentes e Júlia ainda não havia respondido a minha questão.
- Júlia, aonde está o nosso filho? - Alec resolveu perguntar mais uma vez, ao perceber que Júlia não me responderia.
- Não se preocupe meu amado. O Nosso filho está bem. Está bem acompanhado. -Respondia Júlia estranhamente tranqüila.
- "Sanguee... Sanguee..."
Alec segurou então o braço de Júlia, olhando-a de forma séria. Algo o incomodava e mesmo que ele disesse o contrário eu já não conseguiria mais acreditar nele.
- Júlia, você lembrou de alimentar o nosso filho?
Júlia se incomodava com o apertão em seu braço e ela então tenta soltar o braço.
- Claro que eu alimentei ele. Ele não parava de chorar. Estava faminto... - Júlia então ri um pouco nervosa, notando que Alec não a soltaria. - Eu apenas tive que dar um pouco de meu sangue para ele.
- Você o que? - Alec soltava Júlia. Tudo que eu tinha dito a ele, estava se concretizando. Pude ver meu irmão rangendo os dentes, pude ver a desolação em seu olhar e Júlia também percebeu isso. Alec compreendia que agora mais do que nunca a criança deveria morrer e se Júlia interferisse mesmo destino ela deveria ter. Ou era isso, ou ele teria que me matar, já que banquei Deus para salvar o filho dele.
- Alec, meu amor. O que está acontecendo? Por que você ficou assim? - Perguntava Júlia não compreendendo seu crime e Alec apenas erguia o olhar desolado para ela. Pude ver as lágrimas nos olhos de meu irmão. Ele não iria conseguir explicar para ela e isso estava bem claro, então nada mais pude fazer a não ser explicar.
- Júlia. Seu filho deverá morrer. Cometi um erro imperdoável por ter interferido e o fato de vc ter alimentado seu filho com seu sangue amaldiçoado, trará a morte para muitos.
- Não. Você não matará meu filho, ele não tem culpa. Você.. Eu não deixarei você matar meu filho... - Descontrolou-se Júlia com a notícia dada de forma tão fria para ela. Se ela pudesse ela me mataria ali naquele exato momento, como toda mãe que defende seu rebento, mas Alec a segurou. Tentou a controlar.
- Eu imaginei que isso aconteceria. - Ergui-me e então olhei para meu irmão e a vampira. - Há outra forma...
- Não Alice! Você não vai se sacrificar. Eu não vou permitir que você se mate para quebrar a maldição!
Júlia então se solta e olha para Alec, o que estava acontecendo afinal? Quer dizer que Alice poderia se matar, desejava até se matar para acabar com a maldição, mas Alec não deixava? Que monstro era aquele que estava pensando em salvar a irmã e não salvar o filho? Júlia não reconhecia mais seu amado e então batia nele.
- Eu não posso deixar nosso filho morrer. Ele não tem culpa! - Júlia esmurrava o peito de Alec, que tentava a fazer compreender.
- COMPREENDA. OU ELE MORRE, OU UM DE NÓS DEVEREMOS MORRER...
Era claro que Júlia iria preferir a minha morte. Era claro que Alec não iria querer que eu morresse. cada vez mais eu compreendia que eu teria que fazer aquilo que prometi a Togarini. A magia tinha seus preços e ficar ali junto a eles, enquanto ambos os pais tentavam compreender este preço era pura perda de tempo.