Sunday, October 14, 2007

Morte, é apenas o começo - Parte I

Ele estava segurando sua amada, agoniado por não estar conseguindo ver o que Alice via, ou sentir o que ela sentia. Não podia ir atrás por mais que sua preocupação berrasse alto porque se fosse, Alice não teria chance alguma de fazer o que deveria fazer. Um papel que ele devia desempenhar por ele ser o progenitor de uma aberração. Lembrava-se dos conselhor da avó que lhe dizia o quanto a criança sofreria e as chances dela não poder sobreviver por conta de genes tão distintos. Ele apertou mais ainda as mãos ao redor do pulso de Júlia, que estranhamente não lutava para se libertar, estando completamente apática diante de oda aquela situação. Não... Ele jamais poderia contar para sua avó que a criança apenas sobreviveu porque ele havia reencontrado Alice e que ela ainda estava viva. Não podia contar para sua vó que Alice não era um deles, mas sim uma necromante exterminadora de aberrações. Uma caçadora, tão abominada por Lycans, Vampiros ou qualquer outro ser meta-humano. Rangeu os dentes só com os pensamentos de que havia escondido tudo aquilo e que por um momento desejou que tudo fosse mentira, mas a verdade o despertou de seus pensamentos. Seu corpo sentiu uma dor tão insuportável, estava sendo dilacerado, rasgado em vários pedaços. Seu corpo arqueava para trás soltando Julia, deixando-a liberta por não mais conseguir suportar a dor que sentia. Uma frase ecoava em sua mente junto com o grito que ele soltava enquanto tombava ao chão.
"- Me perdoe Alec!"
Ela não tinha mais por que lutar fisicamente. Alec estava com a vantagem sobre ela, precisava orientar seu filho, mostrar como a caçadora agia para que ele pudesse ter alguma chance e não demonstrava a satisfação que sentia, quando via pelos olhos do filho a caçadora sendo arremessada. Ela podia apenas sentir o pressionar mais forte das mãos de seu marido, para mantê-la como prisioneira, mas eloe devia imaginar que a minha raça possuía outras formas de lutar. Não... No fundo ela sabia que ele não era tolo assim. Era a preocupação e o amor dele que o deixava incauto e não o fazia desacordá-la, mas ela jamais poderia reagir quando foi libertada das mãos dele, quando ele arqueava com uma dor imensa. Ela jamais poderia fugir e enfrentar a caçadora antes que fosse tarde demais. Julia pode ver aqueles olhos tão distintos com um brilho que poderia cegar, podia ver quando a espada abaixou quando ela tentava dar forças ao filho para que ele conseguisse impedir, mas não conseguiu manter tamanha determinação quando a espada começou a rasgar o corpo do filho dela. Julia nunca sentira tanto medo e tanta dor ao ver finalmente o que pai dela vira por ultimo. Aquilo não era mais uma mulher, mesmo que no último momento, enquanto o filho dela possuía consciência, ela pode ver o mudar do olhar, pode ver a dor naquela alma, assim como o ódio que consumia aquela mulher de olhos amarelos como os lobos. Gritou, enquanto seu corpo arqueava, parecendo sentir as chamas que consumiram seu filho, mais intensas do que as chamas que quase a consumiram um pouco mais cedo.
- AAAALIIIIICEEEEE!!!!
Aquele grito ecoou por toda a floresta sendo escutado por todos os lycans das redondezas. Havia algo de mórbido naquela sucessão de gritos. Primeiro gritos femininos mesclados aos gritos de uma criança e um homem, mostrando uma dor que nem mesmo eles seriam capazes de causar aos seus piores inimigos. Depois um uivo de dor que eles podiam reconhecer muito bem. Por mais que olhassem para os lados devido aos gritos apontarem sentidos opostos, sabiam que precisavam correr em direção ao ultimo grito.
- Por favor Grande Mãe! Que Ela esteja bem... - Era o que clamavam aqueles lycans esperando a pior cena de batalha desde o tempo que alguns de seus irmão tiveram aquele triste destino. Mas ao adentrarem a casa, não sabiam bem como reagir. À frente deles viam a casa com coisas quebradas. uma região circular negra como carvão e Ela, sentada ao chão chorando agarrada àquela moça que possuía um cheiro peculiar. Avançaram confusos vendo aquele corpo ensaguentado, suado, desnudo e quase sem vida. O que havia acontecido ali? O que aquela mulher havia feito ao ponto de deixar a Anciã em prantos e onde diabos tinha parado aquele pequeno bastardo?

2 comments:

Nerito said...

Desculpa a demora no comentário. Gostei muito deste episódio, apesar de ter ficado um pouco confuso com as diferenças de narrativas. Mas foi um recurso interessante e que você tem inserido recentemente, mas com parcimônia.
De qualquer forma, é uma experimentação muito interessante!
Ah... sei q vc ta tentando me redimir com o Togarini... vou ver se dou uma colher de chá pra ele. Mas só se vc der uma colher de chá para a Erien...
Estou de volta, seu leitor favorito, aguardando as aventuras de nossa agente!

Abraços,

Nerito

Andreia/Kai said...

Olá, Olá, Alice...

Finalmente consegui terminar de ler os capítulos que faltavam e chegar até aqui. Cada vez mais posso compreender a tua frieza, Lupin, e pensar que és agraciada por isto... Uma mulher que passou por tudo que escreve neste seu diário e não possuísse tal autocontrole que flui facilmente em ti, certamente enlouqueceria a ponto que anjos a temeriam por outras razões. Mas não é para menos, és a avatar escolhida por dois poderosos anjos, e eles são bastante sábios para compreenderem seus limites e até onde seu senso de justiça e morte pode ir. Sinto apenas pelo casal e seu filho, que não mereciam o destino que estes anjos a incubiram de executar e até mesmo por você, minha cara, que há pouco se encontrou com o teu irmão e o que poderia ser um encontro feliz, acabara em uma tragédia grotesca de forma a deixar cicatrizes incuráveis.
Não sei se nossa querida amiga te disse sobre o fórum de rpg que criei. Adoraria a tua presença por lá, embora tenho a certeza que você faria muitos demônios desaparecerem do mapa, uns por medo, outros pelo destino que você escolheria a estas almas infelizes. E não se preocupe com um certo caído... lá, se passa antes de ele conhecer você e a outra investigadora. Acho que você irá se surpreender em saber que uma das jogadoras de lá, já freqüentou seu blog e chegou a deixar comentários aqui.

Alice, fique na paz.

Andréia.