Monday, February 11, 2008

Conversas - Parte II

- Eles a trancafiarão.
- Não tenho medo.
- Eles a condenarão.
- Não tenho medo.
- Sua vida chegará a um fim e Togarini não terá dó de sua alma.
- Fiz o que fiz, por opção minha e não morrerei antes de ter minha vingança.
- É a vingança que a move?
- Você sabe que os mortos não eram inocentes.
- Eu sei, mas eles sabem?
Por um momento respiro erguendo meus olhos. Estava sendo observada por eles. Andavam como predadores esperando o momento de serem alimentados.
O mais velho parecia ter um olhar de lince, de quem consegue ver além das aparências, mas eu não me incomodava com ele. As roupas bem alinhadas davam-lhe um ar respeitoso. Os olhos, castanho-mel, esmiuçavam-se e ele respirou fundo voltando-se para o mais jovem.
O mais jovem parecia exaltado, andando de um lado para o outro, olhando-me e às vezes e sentindo calafrios.
- Pessoas como você, merecem o mesmo fim que dava às suas vítimas.
- Eles não farão isso.
- Olho por olho...
- Dente por dente, já conheço a ladainha.
- Eles a matarão.
- Não farão isso.
- Por quê?
- Porque eles precisam de mim.
- Eles não gostam de justiceiros.
- Não é o que fazem em teu nome? – sorri com certo escárnio.
- Eles seguem as leis.
- Não deixam de ser assassinos.
- Profissionais que salvam vidas inocentes.
- Eu salvo vidas inocentes.
Meu corpo foi arremessado contra a parede com extrema violência e pude sentir meu corpo inteiro reclamar. Minhas costas doíam, minha visão ficava turva, meu corpo inteiro tremia enquanto eu me erguia mais uma vez.
- Se eles a julgarem, sua vida termina aqui. Uma assassina pérfida que jamais terá o devido reconhecimento dos seus serviços para a comunidade.
- Qual seu real interesse nisso?
- Eu posso dizer quem matou seus pais.
Aquelas palavras reverberaram em minha alma. Há tempos eu matava aqueles párias. Vampiros, Lobisomens, Zumbis, Demônios, tudo que a humanidade ignora por achar ser apenas mera fantasia, mas nenhum deles foi quem eu busquei. O responsável pela morte dos meus pais, pelo desaparecimento de meu irmão e dos meus dias delongados em um hospício.
- Qual seu real interesse nisso? – repeti agora um pouco mais furiosa e mais uma vez meu corpo foi arremessado com tremenda fúria, desta vez contra o vidro de proteção daquela sala. Meu corpo sentiu o momento exato em que aquele vidro se partia em milhões de pedaços e a pele sendo lacerada em várias partes.
Eu caía aos pés daqueles dois homens que olhavam na direção da sala e eu mal conseguia respirar.
- Geburah! – eles gritaram.
Ri de forma baixa, agora eu sabia o nome daquele arcanjo. Togarini se aproximava de mim, tocando-me com as pontas de suas asas.
- Torne-se minha avatar, eu te darei poderes que Togarini não te deu e quando estiver pronta, eu darei em tuas mãos o assassino de sua família.
Eu ainda ria de forma baixa. Pude ver Togarini olhando em meus olhos e apenas suspirando. Ele acariciava meu rosto. Geburah estava me garantindo algo que ele jamais me ofertou.
- Não posso abandonar Togarini. – murmurei, em tom baixo e Togarini apenas sorriu.
- Você poderá morrer sendo avatar de dois Arcanjos.
- Ou isso ou morrerei da forma que você me disse.
- Como saberei que você suportará?
- Apenas quando vocês dois compartilharem seu poder dentro de meu corpo, é que você saberá.
O jovem me pegou aos braços e me ajudou a levantar. Seus olhos se assombraram quando acabei de me erguer.
Às minhas costas dois selos se mesclavam e ele olhou para o mais velho.
- Ela agüentará?
- Se agüentou até agora, quem sabe quando eles entrarem no corpo dela?

1 comment:

Nerito said...

Quem são esses dois homens? O que eles querem de verdade? Posso constatar que se trata de um flashback, mas ficou como se eu olhasse em uma água turva. Ficou muito obscuro para mim. Mas aguardo o momento em que esses mistérios se esclarecerão. E ainda quero ver o pessoal da Seção 9 entrando em ação novamente. Abraços!