Monday, April 28, 2008

Conversas Íntimas

O vento balançava aqueles cabelos ruivos. A Princípio não havia notado nada de diferente. Ela estava lá, observando as ondas quebrando muitos metros abaixo. Recordo-me de Noveau comentando que aquele local já foi um cenário de uma batalha dela contra a um caído, o que não deixava de ser irônico para quem a conhece como eu a conheço, mas meu corpo inteiro se arrepiou, quando ela se virou e olhou para mim. Jamais havia sentido um calafrio tão intenso quanto aquele. Minto... Era a segunda vez que ela conseguia aquela proeza.
- Ainda preocupado, Thorn?
Murmurou em tom baixo e mal consegui desvencilhar os olhos dos dela. Sim... Havia algo de diferente naquele olhar. A Irlandesa tinha olhos azuis, parecia mais velha, mais madura, antigamente. Mas, agora?
- Não. Apenas querendo saber que creme você usou para rejuvenescer. Isso são lentes?
Madeleine sorria. Um sorriso malicioso, com um andar sinuoso. Aquele ar angelical que ela possuía, apenas aumentava a sensação de perigo. Diferente de Alice, que apenas sentia calafrios quando alguém pretendia causar algum mal a ela, eu sentia calafrios quando sabia que a pessoa à minha frente era barra pesada.
- Nós dois sabemos, que você não veio em busca destas respostas.
Odiava quando ela estava certa. Madeleine não era uma investigadora à toa e ela sabia que eu não era uma pessoa comum.
- O que você sabia sobre os sonhos de Alice, Madeleine?
Tento ser curto, manter aquela conversa o mais curta possível, mas ela me rodeava e aquele suave aroma de sândalo mexia com os meus sentidos.
- Se refere aos sonhos que são da natureza dela, ou se refere aos sonhos que ela teve enquanto estava no Limbo?
Limbo? Ela tinha visto que Alice estave no Limbo? Então isso era mais preocupante do que eu imaginava.
- Não há porquê se preocupar.
Aquelas palavras vieram sussurradas ao meu ouvido. A presença dela era forte demais. Eu precisava cortar aquela proximidade e bruscamente me virei, segurando os braços dela.
- Por mais que vocês seja filha de quem você é. Não brinque comigo, jamais brinque, Madeleine. O que você sabe sobre os sonhos de Alice?
Madeleine sorriu e eu sabia que meus dedos deixariam marcas naquela pele pálida. Mesmo ela sendo quem era, demoraria um pouco mais para ela se livrar das marcas dos meus dedos. Ser um necromante às vezes tem suas vantagens. Mas a tranqüilidade naquele semblante, naqueles olhos verdes que só Ele possui, por um momento me estremeceram... E se eu não quisesse saber a resposta?
- Togarini não será traído, Necromante. Por mais que Geburah, deseje isso.
Aquelas palavras ainda ressoam em minha mente. Aquele perfume ainda paira no ar. Por um momento fecho os olhos. Nunca havia me sentido tão tentado. Ela não estava mais presente, não estava mais por ali, mas sua presença ainda era marcante.
- "Interessante como você resiste suas tentações, meu Avatar".
Nunca me senti tão feliz em escutar aquela voz sarcástica, maliciosa, sombria e perigosa.
- Você poderia ter me poupado desta conversa com Madeleine, Togarini.
Um riso baixo e sereno, foi o que obtive como resposta.

1 comment:

Nerito said...

É com alegria que observo que sua narrativa evoluiu muito. Puxa, tem uma habilidade excepcional de dizer muitas coisas com poucas palavras, abrindo leques para novas possibilidades.
Também pude ver que Thorn conhece mais Alice do que Jean. Perto do necromante, o agente O'Toole parece um menino, inexperiente e imaturo.
Agora, mais uma preciosa informação é incluída no dossiê da Detetive Noveau. Filha d'Ele? Será? Ah, isso seria uma bomba se a imprensa soubesse... Ou será que entendi mal? Hum... vejamos então se me enganei ou se realmente temos um furo de reportagem...
Fiquei imaginando as terríveis sagas mestradas com a presença desses personagens. Sinceramente senti inveja. Senti inveja por causa do pouco contato que tenho com esse mundo sombrio, misterioso e mágico. Uma janela que você periodicamente abre para mim. Fico imaginando como é participar de uma dessas aventuras. Ah, e vejo que este mundo real, com suas simplicidades sufocantes, não me basta. É nesse momento que essas janelas para outros mundos (ou portas no caso d'O Cavaleiro) me lançam para realidades bem mais vívidas que esta na qual eu estou normalmente inserido. Brasil, política, Informática, concurso público... essas coisas.
Ah, hoje eu tô exagerando no monólogo! Mas, voltando ao assunto pertinente, parabéns por mais um capítulo. Espero que o próximo não demore, ok?