Monday, December 17, 2007

Morte, é apenas o começo - Parte IV

Pude ver quando aquele lycan foi se afastando, em seus passos pesados, olhares desconfiados para a orla da floresta. Ao meu lado minha espada ainda continha o sangue cauterizado do fedelho e meu corpo ainda doía. Togarini me trouxe de volta por algum motivo mais sombrio que vai além de nossos acordos, mas sei que Geburah não está nada contente com o meu retorno. Tenho me tornado insubordinada desde que reencontrei Alec. Ao ligar o carro, meus pensamentos pareciam buscar lembranças perigosas do meu passado e meu pé afundava no acelerador. Buzinas, brecadas bruscas e xingamentos, mas nada disso fazia eu diminuir minha velocidade. Ainda havia os rogares de praga de Julia, agora um tanto mais fracos pela distância que eu abria. Esta era a vantagem de ser uma Inquisidora. Saber os limites dos poderes de seus inimigos. Mas não era isso que me atormentava."

"– Há uma sobrevivente! Rápido, tragam a equipe médica, ela está em estado de choque!
– A realidade é uma mentira! É minha culpa! É minha culpa! Monstros existem! Eles me usaram!
– Rápido! Ela precisa de um calmante!
– NÃO! EU NÃO POSSO DORMIR! NÃO POSSO DORMIR! LARGUEM-ME! LARGUEM-ME! AAALEEEC!"


Um farol alto e uma buzina contínua me trazia de volta a realidade. Dor insuportável, luz a incomodar. Togarini deveria ter me dito que às vezes o corpo reage da mesma forma que um bebê reage ao nascer. Voltar da morte não era fácil. Pensamentos dispersos demais, atenção reduzida demais, lembranças demais.

"– Esta é a garota que perdeu os pais e o irmão?
– Sim, é a própria. Os pais foram assassinados de forma brutal. Seus corpos foram dilacerados, uma verdadeira chacina. O corpo do irmão ainda não foi encontrado.
– Senhores! Eu peço para que evitem este tipo de conversa. Mesmo estando sob tranqüilizantes que a deixam em um estado próximo ao coma, não sabemos o quanto o cérebro dela registra as informações externas.
– Estado pré-coma? Mas... Isso é um absurdo!
– Recomendações médicas. Alice já foi uma de nossas pacientes e tais surtos psicóticos apenas podem ser alcançados com anestésicos, tranqüilizantes ou até mesmo soníferos fortes que impedem a entrada dela em estado Alpha.
– Algum motivo específico?
– Pessoas com forte probabilidade a suicídio e sonambulismo, às vezes necessitam de tratamentos mais pesados."


– EU NÃO SOU SUICIDA! NÃO SOU! – Gritei esmurrando o volante para despertar daquelas lembranças. Recordações de uma vida trancafiada e dopada, sendo considerada uma louca, psicopata, suicida e sonâmbula. Eles nunca acreditaram quando eu falava que eu não podia sonhar. Aqueles idiotas tão arrogantes em suas falas...

"– Alice Lupin! É um nome interessante, ainda mais para quem tem olhos tão diferentes quanto os teus. Sabe... Eles vão te deixar trancafiada aqui pelo resto de tua vida e jamais acreditarão em tuas palavras, mas eu preciso confessar uma coisa para ti... Eu sei como trazer teus pais de volta!"

Lágrimas desceram à minha face. Luzes em espaço curto de tempo, sirenes. Solavancos bruscos.

"
O grito ainda podia ser escutado, as pessoas gritavam horrorizadas, eu não havia tido piedade alguma e meus olhos se encontravam com um brilho estranho. Eu podia sentir aquele beijo à minha face, lambendo o sangue que escorria minha pele clara, mas ninguém mais podia ver isso. Aquele ser que morria em minhas mãos era mais um desgraçado que devia ser sacrificado. Mas ele ainda não era o demônio que havia matado meus pais. Pude escutar o som de várias armas sendo engatilhadas, eu podia sentir a morte se aproximando e murmurando para mim.
– Ainda não é tua hora, minha doce Avatar!
Os passos eram cautelosos e a voz que se pronunciou possuía uma imponência que jamais eu me esqueceria.
– Alice Lupin! Você se encontra presa por homicídio culposo. Você tem o direito de ficar em silêncio, tudo o que disser, poderá ser usado contra você."


Meu carro encontrou algo no caminho, a porta se abriu bruscamente e então pude escutar aquela voz mais uma vez.
– Alice! Alice! Por Geburah, Mulher! O que você andou aprontando?
Senti aqueles braços me tirando do carro, o grito dele ordenando que trouxessem minha espada e que tirassem meu carro das escadarias do Bureau. Meu corpo era carregado às pressas, enquanto eu ainda podia escutar aquela voz.
– Por favor! Fique comigo! Alice! Vamos... Não desista agora! Se você chegou aqui é porque você não quer desistir.

Tuesday, December 04, 2007

Morte, é apenas o começo - Parte III

A criança sentiu a mesma dor lacerante que eu senti. Benditos fosse os laços sangüíneos dos Lupin. Alec não sentiria isso, muito menos a senhora sentiria, pois o que acontecia comigo, acontecia em um plano distante dos deles. A dor era igual a física, principalmente para mim, por ainda ter um corpo físico para o qual eu devia retornar. Quanto à criança, ela sentia a minha dor, acrescida na dor que trazia a morte que Togarini tanto esperava. Como foi gostoso murmurar ao ouvido do fedelho que apenas eu sobreviveria. Pude sentir o corpo da criança amolecer em minhas mãos, enquanto minha alma andava no limiar da morte. Agarrei aquela única chance que eu ainda possuía e logo pude sentir os braços me envolverem e aquele murmurar muito baixo.
- Usando parte de sua alma e de seu sangue para desfazer o feitiço, minha doce Lupin? - Aquela voz que sussurrava tão baixa em meu ouvido era única e nunca me senti tão aliviada de ser a voz dele que eu estava a escutar. - Um preço a ser pago e mais alguns anos sob minhas asas.
Naquela escuridão das asas de Togarini, pude ver aquela alma infante sendo rasgada em filetes que eu achava e, os considerava indivisíveis. Togarini se deleitava com aquela alma tão poderosa que eu havia ofertado em seu nome e quando pude sentir as garras de Geburah começando querer me arrancar dos braços do Arcanjo da Morte, o mesmo tocou-me o local ferido, murmurando-me uma simples frase:
- Ainda não é a sua hora, Avatar.
O que se seguiu, eu jamais poderia descrever. Apenas lembro-me de escutar um choro, murmurares e prantos uivados. Lembro-me do toque tão presente em minha pele e de desejar me erguer. Mas eu ainda estava fraca e sem condições de lutar ou dizer que não precisava de ajuda.
- Anciã. Ela precisa de ajuda. Precisamos tirá-la daqui se a senhora não estiver em condições de ajudá-la. - Comentou um jovem Lycan que tentava se aproximar da Anciã e da garota com cheiro de Alec. A Senhora ergueu os olhos para ele e mesmo estando tão abalada concordou em um breve menear de cabeça.
- Você está certo, Knary. - Murmura, deitando o corpo de Alice ao chão da cabana. Ainda um bocado abalada, ergueu as mãos e clamou a Grande Mãe Gaia para me soprar um pouco de vida.

Togarini observava de um canto e sorria, enquanto Geburah mantinha-se mal humorado.
- Não bastava ela ter a sua ajuda, agora terá ajuda daqueles que ela deveria exterminar. - Togarini riu quando escutou isso de Geburah, olhando para ele e murmurando - Não seja tão mal humorado, você sabe que Gaia não ajudará nossa Avatar. Mas também sabe que Alice não precisará disso, pois ainda não é hora dela partir. Não é mesmo, Geburah?

- É tudo culpa dela. Ela matou meu Pai, matou nosso filho. Está nos separando Alec. - Chorava Júlia. - "Eu vou matá-la. Eu vou matá-la sua desgraçada"
Não sei quanto tempo passei naquele estado. Apenas sei que depois de um tempo, despertei, sentindo um pano umidecido sobre minha fronte e um olhar aliviado ao ver que eu estava me recuperando. Por outro lado eu escutava ameaças e mais ameaças contra a minha vida. Júlia deveria estar há muito tempo fazendo tais ameaças e quando tentei me erguer para sair daquele lugar que eu estava a senhora me segurou, olhando-me com olhar de poucos amigos.
- Você não está em condições.
Suspirei e olhei para a senhora um pouco mais séria do que o normal.

Que olhar era aquele? Como ela mesmo tendo quase morrido, ainda conseguia causar aquele calafrio de quem parecia querer arrancar a alma dela naquele exato momento.
Pude ver o corpo dela recuando com meu olhar, pude ver o temor naqueles olhos, então ergui meu corpo, ainda sentindo-me fraca. pude sentir alguém colocando um sobretudo sobre meu corpo e entregar a minha espada. Não direcionei o olhar, mas sabia que não era a velha. Quem quer que seja apenas me acompanhou, me ajudou e me levou de volta para a Taverna por um outro caminho que eu não havia passado.
- Não sei quem é você mulher dos olhos de lobo, mas suma deste local. Desapareça de nossas vidas. Ao menos por um tempo.
Nada respondi para aquele Lycan. Eu apenas queria sair dali.

Thursday, November 29, 2007

Morte, é apenas o começo - Parte II

Pude sentir em minha pele aquele diminuto corpo rasgando, toda aquela dor que o bebê sentira. Pude deixar meu grito escapar quando Geburah fez questão de me mostrar o que era ter desafiado e ter pensado que eu poderia mais do que eles. Meu corpo mergulhava na escuridão e era rasgado por garras afiadas daquele bebê. Não... Ali ele não era uma simples criança. Aquele feto bastardo em sua verdadeira forma demoníaca - enquanto transitávamos para o Inferno em uma batalha mensurável - mostrava suas garras afiadas, presas sedentas e um corpo comparável aos piores demônios que eu já havia enfrentado. As chamas lambiam nossos corpos, e ambos gritávamos a cada momento que nos atingíamos. Malditos fossem os laços consangüíneos dos Lupin nessas horas. Mas, ao menos eu sabia que a dor seria passageira tanto para Alec, quanto para a senhora. Nossa raiva falava mais alta. Nosso ódio nos consumia. Demônios rodeavam-nos na escuridão, enquanto a batalha se estendia longe dos mortais e de minha vida que esvaía a cada golpe dado e recebido. Não. Eu não podia deixar aquele fedelho me vencer tão facilmente. Eu não era apenas uma humana que fora agraciada com um corpo forte o suficiente para suportar dois Arcanjos. Não era apenas uma humana que conhecia necromancia e que já havia visto a morte inúmeras vezes de perto. Aquele bastardo não iria perpetuar seu sangue maldito na humanidade.
- “Você achou realmente que ela desistiria tão facilmente”? – riu Togarini espreitando aquela batalha nova que Alice enfrentava. Não cansava de ver pessoas de grande potencial que andaram no limiar da morte e que chegaram a morrer, descobrindo que as coisas não terminavam tão facilmente, mas que apenas pioravam.
- “Você sabe que se ela morrer a alma dela será minha”. – Retrucou Geburah que ali se mantinha ao lado de Togarini. Sentia-se desconfortável com aquela teimosia da Inquisidora, mas ficava mais incomodado ainda com a resistência que Togarini dera a ela por não aceitar perder para ele alguém que teve seu contrato inicial com um dos sete Arcanjos da Morte.
Naquele limbo a batalha poderia se estender por século, milênios, eras, se assim os Arcanjos quisessem se divertir, pois o tempo não corria da mesma forma que no mundo dos mortais. Era apenas que eu sabia, mas como uma boa Necromante e seguidora de Togarini, eu sabia que se eu quisesse retornar, aquela batalha deveria ser encerrada o mais rápido possível.
- “Huuum! Interessante”... – murmura Togarini, deixando um sorriso sádico transparecer naquele olhar sombrio. Geburah olhou-o de soslaio, tentando adivinhar o que o Arcanjo da Morte havia visto na alma de Alice, mas ao voltar seus olhos para a batalha o praguejar não pode ser contido.
– Você a treinou muito bem.
Quando estava pensando em findar a batalha o mais rápido possível, pude sentir o fedelho agarrando meu pescoço, pude ver aqueles olhos brilhantes e vermelhos fitando os meus. Suas garras rasgavam minha pele, minha alma estava sendo dilacerada e faltava tão pouco para o maldito Geburah ter a minha alma, mas o que o fedelho não contava, nem mesmo Geburah parecia contar, ou se lembrar, é que por mais que eles desejassem a minha morte, a morte ainda não me desejava. Ri por um momento, sentindo meu sangue esvaindo naquele maldito limbo. A criança também sangrava. Sangue de meu sangue, laços atados que podiam se desatar. Aquilo que podia ser trazido à vida também podia ser extinto.
- Por magia eu trouxe você de volta à vida. Sangue de meu sangue e de outros mais.
Os olhos da criança esmiuçavam, tentando compreender o que eu falava, apertando mais ainda as garras ao meu pescoço, o tempo corria e meu sangue fervia, algo me dizia que Togarini estava por perto. Ri mais baixo ainda e percebia que a criança não entendia.
Fiz-me por entender, quando agarrei a outra mão da criança cravando-a em meu coração. Por um breve momento senti aquela dor lacerante. Por um breve momento a criança sentiu a dor que eu senti. O coração de ambos pulsou descompassado e então os corpos foram amolecendo. Era claro ver a incompreensão do moleque, foi claro ouvir aquelas palavras, enquanto meus lábios ainda se moviam, falando algo aos ouvidos de meu sobrinho falecido.
- “Huuum! Interessante”... – murmurou Togarini.
- Você a treinou muito bem. – praguejou Geburah.

Sunday, October 14, 2007

Morte, é apenas o começo - Parte I

Ele estava segurando sua amada, agoniado por não estar conseguindo ver o que Alice via, ou sentir o que ela sentia. Não podia ir atrás por mais que sua preocupação berrasse alto porque se fosse, Alice não teria chance alguma de fazer o que deveria fazer. Um papel que ele devia desempenhar por ele ser o progenitor de uma aberração. Lembrava-se dos conselhor da avó que lhe dizia o quanto a criança sofreria e as chances dela não poder sobreviver por conta de genes tão distintos. Ele apertou mais ainda as mãos ao redor do pulso de Júlia, que estranhamente não lutava para se libertar, estando completamente apática diante de oda aquela situação. Não... Ele jamais poderia contar para sua avó que a criança apenas sobreviveu porque ele havia reencontrado Alice e que ela ainda estava viva. Não podia contar para sua vó que Alice não era um deles, mas sim uma necromante exterminadora de aberrações. Uma caçadora, tão abominada por Lycans, Vampiros ou qualquer outro ser meta-humano. Rangeu os dentes só com os pensamentos de que havia escondido tudo aquilo e que por um momento desejou que tudo fosse mentira, mas a verdade o despertou de seus pensamentos. Seu corpo sentiu uma dor tão insuportável, estava sendo dilacerado, rasgado em vários pedaços. Seu corpo arqueava para trás soltando Julia, deixando-a liberta por não mais conseguir suportar a dor que sentia. Uma frase ecoava em sua mente junto com o grito que ele soltava enquanto tombava ao chão.
"- Me perdoe Alec!"
Ela não tinha mais por que lutar fisicamente. Alec estava com a vantagem sobre ela, precisava orientar seu filho, mostrar como a caçadora agia para que ele pudesse ter alguma chance e não demonstrava a satisfação que sentia, quando via pelos olhos do filho a caçadora sendo arremessada. Ela podia apenas sentir o pressionar mais forte das mãos de seu marido, para mantê-la como prisioneira, mas eloe devia imaginar que a minha raça possuía outras formas de lutar. Não... No fundo ela sabia que ele não era tolo assim. Era a preocupação e o amor dele que o deixava incauto e não o fazia desacordá-la, mas ela jamais poderia reagir quando foi libertada das mãos dele, quando ele arqueava com uma dor imensa. Ela jamais poderia fugir e enfrentar a caçadora antes que fosse tarde demais. Julia pode ver aqueles olhos tão distintos com um brilho que poderia cegar, podia ver quando a espada abaixou quando ela tentava dar forças ao filho para que ele conseguisse impedir, mas não conseguiu manter tamanha determinação quando a espada começou a rasgar o corpo do filho dela. Julia nunca sentira tanto medo e tanta dor ao ver finalmente o que pai dela vira por ultimo. Aquilo não era mais uma mulher, mesmo que no último momento, enquanto o filho dela possuía consciência, ela pode ver o mudar do olhar, pode ver a dor naquela alma, assim como o ódio que consumia aquela mulher de olhos amarelos como os lobos. Gritou, enquanto seu corpo arqueava, parecendo sentir as chamas que consumiram seu filho, mais intensas do que as chamas que quase a consumiram um pouco mais cedo.
- AAAALIIIIICEEEEE!!!!
Aquele grito ecoou por toda a floresta sendo escutado por todos os lycans das redondezas. Havia algo de mórbido naquela sucessão de gritos. Primeiro gritos femininos mesclados aos gritos de uma criança e um homem, mostrando uma dor que nem mesmo eles seriam capazes de causar aos seus piores inimigos. Depois um uivo de dor que eles podiam reconhecer muito bem. Por mais que olhassem para os lados devido aos gritos apontarem sentidos opostos, sabiam que precisavam correr em direção ao ultimo grito.
- Por favor Grande Mãe! Que Ela esteja bem... - Era o que clamavam aqueles lycans esperando a pior cena de batalha desde o tempo que alguns de seus irmão tiveram aquele triste destino. Mas ao adentrarem a casa, não sabiam bem como reagir. À frente deles viam a casa com coisas quebradas. uma região circular negra como carvão e Ela, sentada ao chão chorando agarrada àquela moça que possuía um cheiro peculiar. Avançaram confusos vendo aquele corpo ensaguentado, suado, desnudo e quase sem vida. O que havia acontecido ali? O que aquela mulher havia feito ao ponto de deixar a Anciã em prantos e onde diabos tinha parado aquele pequeno bastardo?

Sunday, September 30, 2007

A Solução - Parte IV

Não havia mais aquele tom amarelo nos olhos da neta, muito menos havia aura alguma que denunciasse que quem estava ali era Alice. Havia apenas uma forma feminina com um rosto impassível, deixando às chamas circundarem seu corpo enquanto as gotas de sangue caíam ao chão amadeirado. Não podia ser ela. “Ele” não permitira isso. Não era possível. Mas seus olhos não conseguiam se desgrudar daquela cena em que aquela criatura avançou mais uma vez em direção àquela pequena criança que também não era mais seu neto. A espada que ela carregava nas mãos. Que a grande mãe fizesse com que ela se mantivesse sã, mas ela poderia jurar que as runas que brilhavam emitiam as vozes que clamavam por piedade. Ela jamais havia escutado em toda sua vida algo tão mórbido e pavoroso quanto aquilo que acontecia e nem conseguia acreditar que uma simples criança parecia conseguir manter aquilo afastada dela. A espada rasgava o ar. As chamas que rodeavam aquela forma feminina pareciam se intensificar e o brilho daqueles olhos? Que brilho era aquele? Ele não queria ver. Não queria mais ver, mas estava paralisada, sentindo seu coração doer de tão acelerado que estava. Lágrimas rolavam-lhe a face quando aquela espada se erguia mais uma vez parecendo encontrar toda a resistência que poderia encontrar até começar a rasgar o corpo diminuto e aquele sangue jorrar.
- Grande Mãe! – Escapavam as palavras dos lábios trêmulos, enquanto ela podia escutar o grito da criança. O grito de sua neta à medida que a espada ainda partia o corpo de cima em baixo com tamanha resistência.

Uma coisa que eu aprendi, desde que comecei a conhecer meus pesadelos, é que Deus nunca foi um camarada bondoso como todos apontam. Aprendi que ele também erra como todos os mortais e que também se envergonha de seus atos. Togarini e Geburah sempre me deixaram bem claro que as coisas não eram tão belas assim e que acreditar que Anjos, Arcanjos são seres belos e que só nos traz paz e tranqüilidade, era o mesmo que acreditar em mitos do Papai Noel, do Coelho da Páscoa. Não há beleza alguma nos reinos e nos comandados “DEle” e tentar bancar a melhor do que eles. Tentar mostrar que eu poderia tomar minhas próprias decisões, foi uma das piores coisas que eu fiz. Antes eu ficasse naquele estado adormecido que eu me encontrava. Antes fosse como todas as outras vezes que eu despertava depois de alguns dias em algum hospital, com Jean sorrindo para mim e dizendo-me: Bem vinda ao mundo dos vivos. Mas no momento que eles dois, Togarini e Geburah começaram a corta o corpo da criança, pude ver tudo com meus olhos, pude sentir toda a resistência daquele corpo.... Pude sentir toda a dor que a criança sentiu... Malditos fossem os laços sanguíneos...
“- Me perdoe Alec!” – Foi a única coisa que pude pensar, quando sentia a minha alma quase sendo sugada pela espada junto com a alma da criança. Quando aquelas chamas que me circundavam começaram a envolver o meu corpo junto com a criança e começar a consumir os nossos corpos. Não pude conter o grito de dor. Não pude conter o poder dos arcanjos que me fizeram sentir a dor da criança. Eu devia ter imaginado. O sacrifício da criança não seria a mesma coisa se fosse o próprio Togarini que tivesse a matado e Geburah também não se satisfaria com ele matando pessoalmente. Eles apenas tornaram tudo possível, pois sozinha eu não conseguiria me aproximar. Sádicos... A resistência não existia mais na espada. O corpo dela foi consumido em chamas que vinham do próprio inferno que disputou pela alma da criança e da minha e no fim de todo aquele martírio. Que eu não sabia mais em meio a tanta dor de músculos consumidos por chamas e a mente rasgada por todos os pecados que cometi junto à minha pretensão de ter bancado Deus... Pude apenas ver tudo enegrecer enquanto em algum lugar o som metálico de minha espada parecia ecoar e sumir...

- ALIIICEEE!!! – A avó pode ver as chamas consumindo o corpo do bebê. Pode ouvir aqueles gritos e pensou que Alice também seria consumida naquelas chamas. A primeira coisa que ela escutou foi o baque metálico ao chão. Mas por um breve momento uma luz forte a cegou e foi a primeira reação que ela pode ter no meio de tudo aquilo, foi de proteger os olhos. Seu corpo tremia diante de tudo aquilo, mas um outro baque chamou sua atenção e quando criou coragem de olhar. Seu coração quase parou. Ali, ao chão... Caída com a mão próxima ao punho da espada, estava o corpo desnudo de sua neta. Encharcado de suor e sangue, com o respirar quase inexistente. Os cabelos negros grudados à face como se mostrando a ela que milagres existiam. Aproximou-se temerosa, desejando que aquilo não fosse a última visão que teria. Querendo acreditar que Alice não era um pássaro de mau agouro que a levaria para os abismos de Hades. Tocava-lhe a pele, virando o corpo da moça. O coração dela estava tão lento que a única reação que pode ter, foi abraçar aquele corpo desnudo e deixar as lágrimas tomarem sua face durante um uivo de dor.

- AAAAAALIIIIIIIIIICEEEEEE!!!!

Sunday, September 23, 2007

A Solução - Parte III

"- Aqueles olhos. Não... Não podiam ser os mesmos olhos! Ela não poderia... - A avó ainda mantinha as mãos frente aos lábios, tentando despertar daquela sensação estranha que tomava posse de sua alma e de seus pensamentos. As palavras que ela havia escutado, não poderiam ter partido dos lábios daquela moça. Não aquela moça em particular. Seus pensamentos a remetiam a um passado onde ela via uma garotinha com olhos tão estranhos para a família Lupin. Mas não podia negar o cheiro que a moça possuía em seu sangue. Não podia se esquecer dos olhos assutados de quem não conseguia dormir, falando sobre monstros no armário." - A-Alice?
Meus olhos se estreitavam mais ainda e aquela velha ainda se mantinha no meu caminho. Meus lábios se retraíam, deixando os dentes à mostra, evidenciando claramente a raiva crescente dentro de mim. Minha espada já não se arrastava mais ao chão. Aquela velha protegia uma besta que devia ser eliminada e aqueles que estão aliados com meus inimigos, devem ser eliminados. - Não deixarei que esta cria do inferno destrua a humanidade!
O tempo começava a virar. Nuvens escuras avançavam em direção àquela casa. Ventos mais fortes começavam a castigar as árvores, trazendo dor aos seus troncos, fazendo-as gritar, implorando perdão ao vento por se manterem enraizadas. A criança chorava em seu berço, pressentindo o perigo que a circundava e a velha tentava resgatar em seu sangue algo que Alec também carregava.

- Espere! Alice! Esta não é você! Eu a conheço... Conheço seus receios... Sei o que aconteceu contigo... A criança... Ela não tem culpa!
Eu podia escutar aquela voz. Aquela voz que dizia me conhecer, que dizia saber o que havia acontecido comigo. Ela tentava dizer que a criança não tinha culpa.
- BASTA! - Gritei erguendo minha espada! - Saia da minha frente Lupin, ou terá o mesmo fim da criatura que você tanto protege. Não apele para os laços familiares.
O medo começava a se espalhar de forma crescente nas almas de quem estava perto daquela casa. A Avó de Alec, não reconhecia mais sua neta. Os Lycans começavam a temer a própria mãe Gaya que arrancava da terra o ar eletrizado, levando-os para o céu em uma demonstração de sua fúria.
"- O que está acontecendo com ela? o que está acontecendo com o tempo grande mãe!" - Pensava de forma desnorteada a senhora, escutando o silenciar da criança naquela aproximação perigosa de Alice. Voltando seu olhar para a criança, ela não sabia mais quem devia temer. Se era a neta que parecia carregar em sua alma o sangue de arcanjos vingadores, ou se o olhar daquela criança tão nova ao berço. Seu coração pulsava de modo forte, enquanto seu sangue lycan começava a mostrar nuances do que Alice havia dito em tão poucas palavras. Seu corpo voltava-se então em direção a Alice e ela se assombrava ao ver que a neta havia saltado ao ar e que agora descia com a espada pronta para golpear.
"- Saia! Saia do caminho sua velha estúpida. Ele não é mais seu neto!" - Estes eram os resquícios da minha humanidade que implorava para que ela abrisse o caminho, antes que o golpe acertasse aquela senhora. Eu já não comandava mais meu corpo. Eu já não possuía mais controle sobre meus atos e em breve não teria mais controle sobre meus pensamentos.
A velha compreendia que não devia interferir e saltando para o lado, podia escutar o partir da madeira por aquela espada que possuía algumas runas gravadas por toda lâmina. Não podia suportar olhar mais para aqueles dois olhares que estavam ao redor dela. Seu corpo tremia. O medo havia possuído sua alma e ela rezava para a grande mãe que a libertasse daquela influência.
Meus olhos já não eram mais meus. Meu corpo já não era mais meu. Minha espada começava a partir a madeira daquele berço, ansiando partir aquele diminuto corpo em duas partes. O desejo por sangue, morte e justiça, eram as cordas que manipulavam cada pensamentos, movimento desejo, anseio. Tão próximo, tão deliciosamente próximo aquele diminuto corpo estava, mas a força que lançara meu corpo contra a parede parecia ser maior do que aquele último impulso humano que eu tive.
A velha escutava um baque forte contra a parede de madeira, pode captar sons de ossos partindo em algumas partes. Seus olhos voltavam-se assustados na direção do som e lá ela pode ver Alice tombando ao chão. Ainda segurando de modo firme o punho da espada. Não conseguia acreditar no que os olhos dela viam. O que havia acontecido?
Meu corpo caía ao chão, depois de escutar parte de meus ossos quebrando. Por mais que eles dominassem meu corpo, por mais que eu perdesse a consciência de meus atos. Eles jamais me deixavam inconsciente de forma plena. Eu podia não sentir, mas sabia muito bem tudo que estava acontecendo com meu corpo.

- Humhumhumhumhumhum! - Riam os arcanjos - Então o pequenino herdou a força do avô... Nos dê a liberdade de agir Inquisidora. Dê-nos a liberdade plena! - Falavam os dois arcanjos erguendo meu corpo mais uma vez e fazendo-me olhar para o berço. Fazendo-me encarar aquela criança maldita.
" - Você sabe que ele jamais deveria ter sobrevivido. Não deveria ter interfirido no destino dele. Não devia ter interferido nos desígnios DEle." - Geburah me repreendia no pior momento possível.
"- Mate-o Alice. Você prometeu-me a morte dessa criança! Você me prometeu este sacrifício." - Togarini recordava de minhas promessas.
Mas o que era aquilo? Quem estava dominando o corpo de sua neta? Que vozes imponetens eram aquelas que faziam suas cobranças para uma mortal que parecia se submeter à vontade deles como uma boneca manipulável? A avó de Alec estremecia o corpo, afastnado-se cada vez mais, estava assombrada com a presença de entidades tão poderosas. Queria gritar para Alice não se submeter àquelas cobranças.
Minha mão fechou-se ao redor do fio da espada, deixando-se deslizar, enquanto o fino fio da dor arrancava um olhar sádico em um rosto frio e impassível.

- Que não hajam mais lacres! Que não hajam mais empecilhos! Que meu sangue seja o portal para que ambos os Arcanjos lancem seus poderes sobre os infiéis de coração...
O corpo da avó dos Lupin estremece. Ela podia escutar seu coração bater de forma tão alta, que achava que seria impossível escutar aquelas palavras, mas aquilo tudo parecia ressoar em sua alma. Seus olhos não conseguiam desvencilhar daquele olhar...
A criança começava a se tranformar diante dos meus olhos. Não havia mais inocência naquele corpo. Os dentes agora pareciam presas de uma besta. Garras começavam a crescer nas diminutas mãos. A pele começava a se rasgar em várias partes... Mas eu devia continuar a invocação.
- Não mais haverá injustiças. Não mais haverão mortes inocentes. Geburah, Togarini eu vos liberto!

A criança erguia a mão em direção do corpo da Alice quando aquela invocação chegava ao final, lançando pedaços grandes do berço que formavam estacas. Memso tão nova, mesmo ainda sendo um bebê, aquela criança desejava viver e não deixaria que Alice lhe causasse mal.
Eu podia ver aquelas estacas sendo lançadas contra meu corpo, eu podia sentir a minha mão acabar de deslizar sobre a lâmina de minhas espada. Eu pude senti por um momento o tempo parecer parar, junto com meu coração, quando uma das estacas começou a perfurar o meu corpo. Após isso eu não vi mais nada.
- Alice! - Murmurou a avó ao ver o corpo da neta começar a tombar um pouco para frente por conta da violência daquele ataque que ela sofreu. Ela pode ver a estaca começando a perfurar a região do coração, mas ver aquela estaca em si virando pó enquanto todas as outras eram lançadas em diversas direções da casa à medida que um tornado parecia surgir ao redor do corpo da neta, quase a fez se esquecer de que ela estava na linha da batalha. Seu corpo não conseguia se mover. Estava paralizada de medo, enquanto via aquelas chamas azuladas e esverdeadas tomarem o corpo de sua neta. Não conseguia pensar em outra coisa se não em gritos de piedade que berravam em sua mente quando o corpo da moça começou a se erguer. Não.. Aquela não era sua neta.. Não podia ser! Havia algo demoníaco naquele olhar. Havia algo que estava longe de ser divino. Aquilo não podia ser verdade. "Ele" não poderia ser tão cruel a este ponto...

Saturday, September 15, 2007

A Solução - Parte II

Comecei a correr e não olhei para trás.
Alec tremia o corpo por seus vários motivos, uma era por ele ter que segurar sua amada com toda a força que ele possuía e outra era por saber o que poeria vir a acontecer. Alice nunca havia ido a sua residência e ela não sabia o que estava por vir. Ele tinha que confiar na irmã. Sabia que ela iria até o fim da escolha que ela fez para sua vida e ele jamais poderia mudar isso, pois não pode fazer isso no passado, quando os pais deles resolveram cortar os medicamentos de Alice, achando que ela poderia passar o Natal sem ficar letárgica.
Eu não precisava saber o caminho para aquela casa, era só seguir meus instintos e deixar que os arcanjos em certo ponto me guiassem naquele momento que eu começava a ficar "cega" pela justiça, mas os arrepios nunca me abandonariam. O meu sexto-sentido nunca me deixaria na mão e as coisas nunca aconteceriam tão facilmente em minha vida. Pude apenas escutar aquele rosnar e o arrepio rasgando a minha coluna, me dando tempo o suficiente para girar o corpo e tentar parar o que quer que fosse. Pude ver diante de meus olhos aquele monstro de olhos amarelos e pêlagem negra saltando com suas garras enormes para cima de mim. Deixei meu corpo começar a cair e tudo parecia câmera lenta. Minhas mãos puxando as Deseart de dentro do capote naval, aquelas mãos enormes alcançando o meu corpo, o recostar das armas no abdômen daquele lycan, as garras dele começando a rasgar o meu capote, penetrando meu corpo e o disparar do projétil.
"Alice" - Alec se sobressaltava, erguendo a cabeça fechando mais ainda as mãos em cima do ombro de Julia, escutando o disparo claro das duas armas de sua irmã, seguido de um ganido. Sua irmã tinha encontrado um dos lycans que habitavam nas redondezas de sua casa? Alec rosnava, rangendo os dentes, escutando os gritos de Júlia para libertá-la, enquanto tentava afastar da mente que Alice poderia não conseguir completar a missão. Não... Ele não poderia pensar daquela forma.
Quão dolorida tinha sido a dor, tanto para mim, quanto para o lycan que agora colocava a mão na região do abdômen, sentindo a carne queimar. Alec jamais imaginaria que eu estava andando com projéteis de prata e se meu irmão pensaria que eu seria ingênua em achar que ele vivia sozinho com a vampira, ele estava enganado. Ergui-me, sentindo o sangue escorrendo da ferida por debaixo da minha roupa e meu lado de Inquisidora já estava latejando. Eu olhava para aquele lycan. Ele podia escutar o engatilhar das duas armas e eu estava pensado seriamente em matá-lo naquele momento por ele ter se metido no meu caminho. Mas o velho arrepiar da base da coluna até a nuca, só me fez girar o corpo e começar a disparar as armas. Eu devia ter imaginado... O Primeiro era o batedor, o resto da matilha estava logo atrás.
Mais disparos e ele já nem sabia se escutava os disparos ou se estranhava o acalmar de Júlia aos poucos...
Eles resolveram atacar em conjunto. Matilha esperta! Se um sair ferido o restante faz o serviço. Uma bela tática contra um inimigo que é julgado poderoso. É justamente o ataque corrdenado usando a vantagem numérica que traz a vitória. Quase não tive tempo de largar as armas ao chão e desembainhar a espada descrevendo um meio círculo.
Na hora de uma luta, não vemos quanto atingimos, apenas sentimos o impacto da espada contra o corpo de alguém. Escutamos o grito da vítima e claro, por mais que os instintos berrassem, eu nunca daria conta de todos ao mesmo tempo. Não de forma humana demais. Ou eu usava a magia, ou eu liberava aquelas duas entidades que clamavam por morte, sangue e justiça.
Um grito acabou escapando de meus lábios, quando eu sentia minhas costas sendo rasgadas, mas eu diria que o melhor de tudo isso. Foi ver os lycans saltando para trás. Cravando suas garras ao solo de batalha e recuando aos poucos. Dá para ver quando um cachorro ficava acuado, confuso e com os lycans era a mesma coisa... Eles podiam apenas me ver erguendo e continuar meus passos, arrastando a ponta da espada no solo.
- Ela...
- Sim... Eu também senti...
- Eu não sei o que assusta mais... Se é o olhar dela...
- Ou o cheiro que ela carrega no sangue...
Alec tinha escutado os rosnares vindos de longe, ganidos, gritos e depois o silêncio. Ele não sabia o que estava sendo mais perturbador. Se era ver Julia chorando sangue, com o rosto virado de lado, enquanto o corpo regenerava devagar as queimaduras, ou se era aquele silêncio, no qual ele não estava conseguindo ver pelos olhos da irmã, ou sentir o que ela estava sentindo.
Estava ali. Bem à minha frente. Lá estava o lugar em que eu deveria executar a minha promessa feita a Togarini. Minha mente já não pensava mais em um recém-nascido inocente. Meus olhos já não viam uma casinha agradável, onde se poderia pensar que ali era o local que eu gostaria de morrer. A porta se abria com certa urgência e pude presenciar o medo em um olhar. Pude ver as mãos se unindo frente aos lábios e os passos sendo dando para trás vagarosamente. Aquela senhora que estava à minha frente, eu tinha a estranha sensação, mas não era hora para ter estranhas sensações.
Aquela senhora que estava no meu caminho, podia ver os olhos amarelos e frios por dentre alguns fios negros, presos ao meu rosto por conta de suor e sangue. Ela podia ver a trilha de sangue que eu deixava a cada passo que eu avançava.
- Em nome de Gaia, Geburah e daqueles que prezam extirpar a presença dos lacaios da Wyrm, e das criaturas que desejam apenas a destruição... Saia do meu caminho ou eu mesma terei que abrir as suas vísceras para alcançar o meu objetivo...

Tuesday, July 31, 2007

A Solução - Parte I

Eles brigavam. Discutiam entre eles o porquê de tudo aquilo. Acusações eram feitas e defesas feitas com tamanha intensidade e nem mesmo eles poderiam notar o momento exato que eu saí. Eu não poderia esperar aquela guerra entre eles terminar. Já sabia o que fazer, então cabia à minha pessoa resolver toda aquela situação. Naquela noite ou eu, ou a criança deixaria de existir, mas também tinha a possibilidade de tudo se encerrar com a morte da criança e a minha.
- Você!!! - Gritou Júlia buscando a culpada de tudo e ali mesmo seus olhos buscaram por um corpo inexistente.
- Alec... ALEC... - Ergueu-se depressa, buscando por aquela mulher de olhos frios e sinal de mal agouro e Alec se erguia olhando desnorteado, buscando por sua irmã. Estavam brigando tanto que se admirava por uma humana tapear uma vampira e ele, um lycan. Júlia buscou por Alice no bar e saiu correndo ao ver que a agente não estava por ali. Alec temendo e ao mesmo tempo imaginando o que poderia estar acontecendo tenta alcançar sua amada.
- VOCÊ NÃO MATARÁ O MEU FILHO! - Foi o grito que eu pude escutar quando sentia o baque de meu corpo ao chão e aquela vampira tresloucada e possessa tentando me enforcar, mas Júlia também pode sentir meus pés se encaixando no abdômen dela e a jogando para trás, enquanto eu acabava de girar meu corpo e me erguer.
Quando é que aqueles seres aprenderiam que eu nunca estaria 100% do tempo alheia às ações deles?
Júlia já partia para cima de mim, quando ela pode escutar uma simples palavra:
- Infernum!
Confesso que eu sorriria em outra ocasião, mas ver aquela vampira gritando de pavor e logo atrás ver Alec saltando entre as chamas para salvá-la, causaram-me apenas uma reação:
- VOCÊ SABE QUE TEM DE SER FEITO! SEGURE-A SE VOCÊ A AMA E NÃO VENHA ATRÁS, OU TODOS NÓS MORREREMOS!
Pude ver o desespero de meu irmão. Era claro que ele a amava, era claro que ele sabia o que eu faria. Júlia gritava de dor por conta das queimaduras que ela sofreue pude ver quando ele segurou sua amada, rosnando alto para mim e evitando me olhar:
- VÁ! FAÇA O QUE DEVE SER FEITO!
Não esperei mais. Eu sabia que poderia contar com meu irmão. Ele faria de tudo para segurar Júlia, mesmo que com isso ele perdesse uma irmã. Era uma decisão difícil e imposta a ele e eu não esperava menos do que a resposta que eu escutei.

Friday, July 20, 2007

A Magia tem um Preço - Parte III

- "Mooorteee"
Aquelas palavras vieram como um mal agouro para Alecsander quando escutou a minha pergunta. Eu não faria nem idéia naquele momento do que meu irmão estaria passando, mas não podia deixar de perceber a agonia naqueles olhos.
- "Alguém irá morrer. É preciso...."
Alec começava a ranger os dentes e Júlia ainda não havia respondido a minha questão.
- Júlia, aonde está o nosso filho? - Alec resolveu perguntar mais uma vez, ao perceber que Júlia não me responderia.
- Não se preocupe meu amado. O Nosso filho está bem. Está bem acompanhado. -Respondia Júlia estranhamente tranqüila.
- "Sanguee... Sanguee..."
Alec segurou então o braço de Júlia, olhando-a de forma séria. Algo o incomodava e mesmo que ele disesse o contrário eu já não conseguiria mais acreditar nele.
- Júlia, você lembrou de alimentar o nosso filho?
Júlia se incomodava com o apertão em seu braço e ela então tenta soltar o braço.
- Claro que eu alimentei ele. Ele não parava de chorar. Estava faminto... - Júlia então ri um pouco nervosa, notando que Alec não a soltaria. - Eu apenas tive que dar um pouco de meu sangue para ele.
- Você o que? - Alec soltava Júlia. Tudo que eu tinha dito a ele, estava se concretizando. Pude ver meu irmão rangendo os dentes, pude ver a desolação em seu olhar e Júlia também percebeu isso. Alec compreendia que agora mais do que nunca a criança deveria morrer e se Júlia interferisse mesmo destino ela deveria ter. Ou era isso, ou ele teria que me matar, já que banquei Deus para salvar o filho dele.
- Alec, meu amor. O que está acontecendo? Por que você ficou assim? - Perguntava Júlia não compreendendo seu crime e Alec apenas erguia o olhar desolado para ela. Pude ver as lágrimas nos olhos de meu irmão. Ele não iria conseguir explicar para ela e isso estava bem claro, então nada mais pude fazer a não ser explicar.
- Júlia. Seu filho deverá morrer. Cometi um erro imperdoável por ter interferido e o fato de vc ter alimentado seu filho com seu sangue amaldiçoado, trará a morte para muitos.
- Não. Você não matará meu filho, ele não tem culpa. Você.. Eu não deixarei você matar meu filho... - Descontrolou-se Júlia com a notícia dada de forma tão fria para ela. Se ela pudesse ela me mataria ali naquele exato momento, como toda mãe que defende seu rebento, mas Alec a segurou. Tentou a controlar.
- Eu imaginei que isso aconteceria. - Ergui-me e então olhei para meu irmão e a vampira. - Há outra forma...
- Não Alice! Você não vai se sacrificar. Eu não vou permitir que você se mate para quebrar a maldição!
Júlia então se solta e olha para Alec, o que estava acontecendo afinal? Quer dizer que Alice poderia se matar, desejava até se matar para acabar com a maldição, mas Alec não deixava? Que monstro era aquele que estava pensando em salvar a irmã e não salvar o filho? Júlia não reconhecia mais seu amado e então batia nele.
- Eu não posso deixar nosso filho morrer. Ele não tem culpa! - Júlia esmurrava o peito de Alec, que tentava a fazer compreender.
- COMPREENDA. OU ELE MORRE, OU UM DE NÓS DEVEREMOS MORRER...
Era claro que Júlia iria preferir a minha morte. Era claro que Alec não iria querer que eu morresse. cada vez mais eu compreendia que eu teria que fazer aquilo que prometi a Togarini. A magia tinha seus preços e ficar ali junto a eles, enquanto ambos os pais tentavam compreender este preço era pura perda de tempo.

Saturday, June 16, 2007

A Magia tem um Preço - Parte II

Thorn sabia que algo havia acontecido, mpois sabia o que acontecia quando eu sonhava, mas o necromante tentava se manter calado perante a situação, conseguindo afastar um pouco o seu corpo de minha pessoa e pegando um lenço para limpar aquele pequeno fio de sangue que escapou de meus lábios.
- Eu preciso ir...
Thorn suspira, sabia que não pderia me prender por muito mais tempo por lá sob sua constante vigilância e então só pode me ver erguer da cadeira, vestir meu casaco e prender a espada à cintura. Por mais que ele quisesse interferir, o necromante sabia que eu estava apenas seguindo ordens ou seguindo o meu destino. Ele abria a porta, para que eu fosse embora e pude escutar aquele suspiro que escapava dele. Cheguei a pensar em parar meus passos, mas a única coisa que eu fiz, foi diminuir meus passos, fechar meus punhos e abaixar a cabeça, enquanto descia as escadas. Nem mesmo olhei para trás, assim como sei que Thorn não ergueria o olhar dele, para ver meu carro se afstando e deixando uma nuvem de barro para trás.
Quando se vive demais ao lado de Togarini, deixamos para trás coisas boas por saber que será melhor assim.
O necromante entrou em sua casa e por muito tempo ficou tentado em usar o telefone para avisar Jean sobre a minha partida, mas a tentação não foi forte o suficiente para ele.
Meu carro cruzava aqueles pântanos de Nova Orleans, eu não conseguia deixar de pensar no sonho que eu tive. Nenhum demônio vagava sobre a terra e isso ficou claro, pois encontrei Thorn inteiro e não havia nenhum sinal de batalha na casa dele.
- Foi um aviso... - Murmurei, tentando manter meu carro naquelas pistas, antes que eu resolvesse tomar um café junto aos crocodilos.
Não sei quanto tempo fiquei rondando nos pântanos, pensando sobre o sonho e como dizer a Alec o que eu teria que dizer, mas o sol já se encontrava naquele tom laranja, quase avermelhado, buscando o descanso abaixo da linha do horizonte. Parei meu carro finalmente à frente daquele bar e puxei um cigarro do meu bolso para fumá-lo, enquanto eu tentava por a minha mente em ordem.
- Alice?
Pude escutar aquela pergunta que vinha de forma baixa, como se surpreso por estar me vendo por ali, assim como pude sentir o meu cigarro sendo tomado de minhas mãos. Eu não sabia se xingava o Alec, apenas para desvencilhar as minhas idéias sobre nossa futura conversa, ou se puxava outro cigarro na teimosia.
- Está tudo bem?
Por que ele tinha que perguntar uma coisa que ele já sabia a resposta? Eu sabia que ele estava sentindo a minha confusão, pois eu o sentia confuso. As coisas não estavam bem...
- Onde está a Júlia?
Alec suspira por um momento, notando que eu não o olharia nos olhos e que algo estava me incomodando.
- Está em nossa casa com o bebê. Não se preocupe. Nada poderá acontecer de ruim... Ninguém conseguirá se aproximar deles dois.
Alec pode sentir o cheiro de um cigarro queimando e então rosna um pouco. Ele sabia que eu tinha que falar algo, mas também sabia que era algo que iria o incomodar mais do que ele estava incomodado.
- Terei que matar o bebê... - Minhas palavras surgiram tão naturais e falei com tanta tranqüilidade aparente que aquilo foi o estopim para fazer meu irmão me pegar pela gola de meu capote, me erguer e me bater contra o meu carro. Eu pude notar aqueles olhos mudando de cor, pude notar as veias começarem a saltar, enuanto bombeavam o sangue de forma apressada e Alec pode apenas sentir a fumaça sendo solta em seu rosto, a qual eu havia deixado presa em meus pulmões mesmo sofrendo aquele choque contra a lataria blindada do Jaguar.
- O que é isso Alice, hã? Será que sua vida com aqueles macacos pelados tirou tudo que você poderia sentir por outras pessoas? Será que você não sabe mais o que é sentir algo? Que prazer é esse que você tem em matar as pessoas? Será que eu terei que a matar, para atender as suas preces? Como pode haver tamanha crueldade em seu coração? Por que você não deixou a criança morrer naquele momento? Precisava trazer a criança a vida, me fazer sentir feliz porque meu filho não nasceu amaldiçoado, apenas para dizer que vai matar o meu filho.. O seu sobrinho, Alice?
Deixei ele explodir, o que mais eu poderia fazer? Acreditar que ele aceitaria de bom grado e fala-se: Tudo bem... é só seguir a trilha de tijolos dourados!
- Espero que você me escute e espero que você me escute muito bem. A criança não é uma criança normal. Jamais será, pois ela deveria estar morta e eu a trouxe de volta a vida com a ajuda de bons amigos. Mas bancar Deus nunca é uma boa, pois se fosse.. Lúcifer não teria sido expulso do paraíso e nem mesmo outros tantos que concordaram com ele. Alguém precisa morrer, Alec. Interferimos no ciclo natural das coisas. Um dos que Interferiram precisa morrer junto com a criança.
- Mas, ele é uma criança normal, Alice... - Rosnava confuso para mim.
- Até ele ser corrompido, e se ele for corrompido a Guerra que houve no paraíso será filme de criança com o que poderá acontecer aqui. E eu não posso permitir que você morra. Não posso permitir que as unicas pessoas com quem me importo morram. Se for necessário... Eu morro junto com a criança.
Alec me soltou ao escutar aquelas palavras. Em nenhum momento ele me viu alterar a voz, em nenhum momento ele sentiu o calafrio aumentar em sua alma, ele sentia um aperto em seu coração e sabia que eu estava falando sério sobre meu sacrifício.
- Não... Eu... mesmo farei isso...
Alec não compreendia meus motivos, jamais compreenderia minhas razões e antes mesmo que eu pudesse dizer a ele o porque de tudo aquilo, Júlia nos interrompia.
- Olá Alice! Oi amor! Estou interrompendo algo?
Alec tentava disfarçar um pouco e eu apenas continuava o meu cigarro, mas havia algo estranho no quadro e eu não pude deixar de perguntar a vampira.
- Aonde está o bebê?

Friday, June 08, 2007

A Magia tem um Preço

Aquela noite ficaria marcada na mente de muitos, Thorn não deixou eu sair de sua casa enquanto eu não estivesse completamente recuperada. O que deixou Jean um pouco desconfortável, mas cedendo ao pedido do necromante depois de tudo que ele pode presenciar. Naquela noite ficou decidido que eu ainda seria a agente que me manteria na área em que Alec e Júlia trabalhavam, até mesmo por pedido de Thorn que ficou sabendo mais tarde de Togarini o que eu havia prometido ao Arcanjo.
- Você irá cumprir a sua promessa acaso ocorra algo de errado? - Perguntou-me o necromante depois de alguns dias em que eu já me encontrava recuperada.
- Sim. Eu irei, mesmo sabendo que é meu sobrinho.
Thorn suspirou, por saber que muito de minha humanidade havia se perdido pela quantidade de vezes que eu visitei o Vale das Sombras. Ele mesmo achava que era incapaz de sentir algo por alguém ou derramar suas lágrimas por alguém até aquela noite em que pensou trocar de lugar comigo.
- Você carrega um fardo muito pesado, Alice. - Murmurou o necromante e ele apenas pode me ver observando o fundo de uma caneca um tanto quanto pensativa. Se ele soubesse que os Arcanjos poderiam ser mais cruéis do que ele estava acostumado, saberia porque eu carrego tanta raiva dentro de mim e essa vontade louca de morrer, mas Togarini sabia o que fazia e sabia muito bem quando acionar um de seus avatares para resgatar-me em minhas crises suicidas.
- Eu sei, Thorn. Mas o que você enxerga é apenas a ponta do Iceberg.
Thorn erguia-se da mesa, vendo que eu observava a janela aberta que msotrava um pouco daquele cenário pantanoso ao qual ele se recolhera. Era engraçado como ele buscava a solidão, desde que se envolveu com Togarini e eu estava aprisionada em uma seção do F.B.I. buscando levar a minha vida como poderia levar. Alguém sedenta por vingança e justiça. Fechei meus olhos por um breve momento, sentindo a brisa quente dos pântanos de Nova Orleans. Escutando os cricrilares e o mover das águas pelos crocodilos que buscavam suas presas. Thorn se aproximava novamente com um bule novo de café e me via ali recostada na mesa.
- Você anda mais cansada do que aparenta. - Murmurou Thorn, sentando-se perto de mim e notando que meus olhos se moviam de um lado para o outro. - Huum... Isso não é um bom sinal...
Enquanto Thorn se erguia para tomar providências, eu me encontrava mergulhada nos mundos oníricos. Mundos estes que eu odiava mergulhar por saber o que ocorria toda vez que eu sonhava. O Mundo que eu conhecia não era mais o mesmo. Humanos eram caçados, a morte estava espalhada por tudo quanto é lado. As asas de Togarini não conseguiam ficar mais negras, agora estavam vermelhas e úmidas, deixando aquele líquido vermelho e viscoso pingar de suas penas enquanto ele parecia completamente extasiado. Pessoas gritavam por piedade em plena luz do sol e os vampiros andavam com suas presas à mostra, rasgando e dilacerando aqueles que clamavam por Deus. Tudo parecia ter saído da ordem natural das coisas. Lobisomens se encontravam pendurados com suas peles esticadas, como lobos caçados por caçadores, demônios riam se aproximando cada vez mais.
- Não. Isso não é possível...
Eu falava em meio aquele sonho tentando buscar a causa de tamanha destruição quando senti uma lança sendo cravada em meu coração no momento exato que eu encontrava Júlia rasgando o pescoço de Alec. Meu grito não pode sair para chamar Alec. A dor era grandiosa demais. Eu via a lança trespassada pelo meu corpo e podia escutar a voz de Geburah.
-
Aquilo que devia estar morto, deveria se manter morto. Isso tudo acontecerá, Alice. Você traiu a sua função. A criança será corrompida e tudo que você fez foi em vão.
- Não o escute, Alice. Geburah não compreende que seu verdadeiro papel é sacrificar almas em meu nome...
Culpada. A sentença de ambos os arcanjos por minha ousadia em bancar Deus, era culpada. Eu traria a desgraça ao mundo, por ter trazido a vida a um natimorto. Um natimorto que unia duas raças que eram consideradas perigosas para a humanidade. Geburha torcia sua lança em meu corpo. O arcanjo sabia como fazer uma pessoa sofrer, mesmo que seu golpe fosse mortal para muitos.
- Aqueles que interferiram, devem pagar. Alguém precisa morrer.
Mais uma torcer da lança dentro de meu corpo e eu abria meus olhos com tamanha dor. Thorn segurava-me pelos ombros e pode ver quando um fio de sangue desceu de meus lábios.
- Shhh!!! Foi apenas um pesadelo... - Murmurava Thorn para mim, me abraçando e pensando o que poderia ter acontecido. Meu coração estava batendo acelerado e eu fechavam as minhas mãos nas roupas de Thorn. Algo iria acontecer e eu era a causa do que estava por vir.

Saturday, June 02, 2007

Pequenos Milagres - Parte III

Thorn sentia seu corpo pedindo um tempo. Sentia seu corpo fraquejar no momento que Anderson fazia a transfusão de sangue. Apertava os dedos em meus cabelos e continuava a murmurar de forma muito baixa palavras que Jean gostaria de saber o que ele estava a dizer, mas o que ambos os agentes do F.B.I. não sabiam, era o que Thorn estava realmente vendo. O necromante via meu corpo ensangüentado. Fraquejando perante demônios e mais demônios que me arrastavam cada vez mais para o Inferno. Via Geburah de braços cruzados perante toda aquela batalha, e todas as palavras que ele dizia em meu ouvido, estavam servindo para me manter firme perante aquela batalha. Eu escutava seus pedidos de desculpas, enquanto ele me dizia que meu irmão não aceitaria meu sacrifício. Dizia que se eu fraquejasse a vampira possuiria sua vingança e de que nada teria valido meu esforço para salvar um aparente inocente. Dizia que eu tinha prometido a Togarini que entregaria nas mãos do Arcanjo a criança acaso ela se corrompesse. Thorn era uma das pessoas que mais me mantinha viva naquele momento, mesmo fomentando a ira em minha alma, ou a sede de vingança em cima da esposa de meu irmão, e os demônios urravam para que eu não escutasse aquelas palavras, fomentando em minha alma a sensação de derrota e de que nada havia valido meus esforços. Que eu era a culpada por ter tido um irmão Lycan que matou meus pais. Que eu era a culpada pelas mortes que eles proporcionavam aos inocentes perante meus olhos e que eu traria a morte às únicas pessoas que eu me importava por ter trazido à vida aquilo que deveria estar morto.
Mas Thorn não desistia, continuava a falar o que era necessário para injetar novos ânimos em minha alma.
- Thorn? - Mais uma vez Jean falava com Thorn ao ver que Anderson parecia começar a fraquejar durante a transfusão e o Necromante, apenas erguia a mão para que Anderson se afastasse. Meu chefe encerrou o que poderia fazer e ambos se assombram ao ver os olhos de Thorn que de cinzas não possuíam mais nada de tão sombrios que se encontravam perante a palidez de seu corpo. Ele iria fazer a transfusão mesmo sem condições e pedia perdão para mim, pelo que ele iria fazer, mas ele não iria permitir que eu morresse naquele momento e foi no momento em que ele preparou tudo para iniciar sua transfusão de sangue, que ele pode sentir o segurar de seu pulso de modo forte.
Seus olhos pareciam clarear quando observou quem segurava seu pulso.
Thorn me abraçou, erguendo meu corpo, mesmo ainda sentindo-o gelado.
- Eu ainda não serei sua zumbi favorita...
Murmurei de modo fraco, deixando que ele me mantivesse nos braços dele. - E nunca mais se atreva em pensar que tomará meu lugar.
Jean fica confuso com aquelas minhas palavras, isso era visível para Anderson que também não compreendeu bem o que tinha acontecido. Mas o que quer que seja que o necromante tinha feito, ambos estavam agradecidos por ele ter conseguido me resgatar de alguma forma.
- Seja bem vinda ao mundo dos vivos! - Murmurou Jean, vendo Thorn erguendo a cabeça e suspirando, mas o que fez ele se retirar daquele lugar, carregando Anderson e me deixando a sós com Thorn, foi ver lágrimas nos olhos do necromante.

Sunday, May 20, 2007

Pequeno Milagre - Parte II

O corpo de Thorn implorava para desabar, ele nunca esteve tão perto do Vale das Sombras como naquele momento. Espiou-me, assim como espiou Jean e Anderson e suspirava de forma exasperada. Meu corpo mostrava resquícios de "vida". Ao menos Jean e Anderson ainda estavam vivos e bem, apesar de inconscientes, mas ele precisava se apressar. Se ele desmaiasse, eu automaticamente entraria no Vale das Sombras e desta vez, nem mesmo ele conseguiria me trazer de volta à verdadeira vida.
Seu corpo pesava, suas pernas tremiam e o frio era algo que nem mesmo as terras gélidas das quais ele veio, conseguiam superar, mas Thorn conseguiu se abaixar, conseguiu ajudar o bebê, verificando se a mãe teria leite materno ou se seria sangue. Pois não queria macular o bebê, ainda. Mas as coisas não eram tão fáceis. Já era um milagre ela ter tido um bebê, mas pedir por um segundo milagre, como leite materno, era pedir para internar em um manicônio o Criador de todas as coisas.
- Eu... Eu posso alimentá-lo!
Murmurou Julia ao sentir o corpo quente de seu filho, que Thorn deixava apoiado no colo dela, mas se arrependeu amargamente ao ver Thorn erguendo aqueles olhos cinzas e pétreos.
- Não se atreva!
Thorn se ergue, indo à geladeira e pegando uma caixa de leite. Colocou em um cpo leite o suficiente para a criança e amornou um pouco.. voltando e vendo a criança buscando o peito da mãe.
- Ainda não pequeno. Tome este...
Júlia espreitava o necromante alimentando o filho dela com algo que não era sangue, mas nem sabia como a criança poderia estar com aquele tamanho, quando ela apenas se lembrava de Alice ter dito que a criança estava morta e Alec esmurrando a porta. Que por sinal ele ainda esmurrava de forma incessante. Teve que esperar de forma paciente, o necromante entregar o filho já alimentado e limpoJúlia também pode notar quando ele me pegou e me levou para outro lugar. Mas se espantou ao ver que o homem que antes estava tão trêmulo, pegou Jean e Anderson e os arrastou sem problema algum.
- Vou chamar o seu marido...
Falou em voz rouca e baixa, caminhando até a porta e quebrando o selo de Jean. Alec quase que entrava na casa de supetão, vendo Júlia ao chão, segurando a criança. Por um momento Thorn não sabia se o Lycan ficou estático por alegria, ou por medo.
- Seu filho ainda não foi maculado Lycan. Eu dei leite comum a ele e se eu fosse um bom pai, como eu acho que você vai ser... Evite se puder o aleitamento materno. Agora se você não se importa, eu tenho três amigos para me preocupar. Entre eles, a Alice.
Alec rebusca um pouco o ar. Estava confuso, era pai de uma criança que parecia bem sadia. Um recém-nascido que mostrava uma aura aparentemente humana e aquele homem de olhar cinza e pétreo que o apavorava mais que sua própria irmã dizia que tinha que ajudá-la?
- Onde ela está? - Perguntou sem encarar nos olhos de Thorn e o necromante apenas lhe deu as costas. - Ela está em boas mãos. Agora seja um bom Pai e marido.
Thorn finalmente deixava o casal e Júlia estava silenciosa. Continha ainda um pouco de raiva em relação àquelas pessoas que se meteram na vida dela e de Alec, mas tinha que dar o braço a torcer. Sem eles, o filho dela não estaria agora em seu colo, mostrando sinais de vida.
Em outro ambiente, Thorn despertava Jean e Anderson. Ambos reclamavam, perguntando se Thorn tinha anotado a chapa do caminhão e ele apenas comentava.
- Ainda não terminou...
Jean e Anderson sentiram um calafrio e tiveram medo de olhar na direção que Thorn olhava, mas seus olhos clamavam por tal visão e o quadro era realmente algo pior do que eles imaginavam. Me viam deitada, completamente pálidae quase não mostrando sinais de vida em minha aura.
- O que estão esperando? Andem... Tratem de dar um pouco de sangue a ela antes que eu desmaie...
Jean ao escuta aquelas palavras correu em minha direção, pegando as coisas necessárias para fazer a transfusão da pior forma possível.
- A vida imita a arte... - Murmura Anderson a ajudar Jean, enquanto se lembrava da cena de transfusão de sangue que aparecia no filme Drácula de Bram Stoker.
- Não, Anderson... Na verdade a Arte imita a vida.... - Thorn senta-se, suando frio, colocando a mão em minha testa. Se abaixando e murmurando algo em meu ouvido. Jean estava aflito demais para tentar descobrir o que ele estava murmurando. Não era hora deles brigarem.
- Thorn... Ela vai sobreviver? - Perguntou Anderson preocupado, enquanto Jean doava seu sangue, mas o necromante não o respondeu. Continuava murmurando algo para mim, de olhos fechados, suando frio.
- Thorn? - Jean olhou com estranheza para o necromante e ele murmurou em tom baixo. - Você já deu sangue o suficiente... Pare antes que você morra...
Anderson então compreendia que era a vez dele. Salvar o filho da vampira era uma coisa, mas ter que salvar a Alice logo em seguida... Era algo totalmente diferente dos padrões de salvamento. Ele então recebia a ajuda de Jean e começava a transfusão de sangue.
- Ainda bem que nós três possuímos o mesmo RH e tipo sanguíneo...
Thorn suspira, fechando os dedos em meus cabelos. estava difícil de se manter desperto.
- Seus esforços serão recompensados, Thorn.
Nem mesmo a voz de Togarini, conseguia confortar o necromante naquele momento.

Sunday, May 13, 2007

Pequeno Milagre - Parte I

Alec esmurrava a porta enquanto Jean se preocupava em selar-la "magicamente". Sombras retirava a faca da sua cintura e começou a riscar o chão amadeirado, deixando o "filhote" estravazar toda a sua fúria na porta que estranhamente não era arrombada.
- ALEC!!! ALEC!!! - Gritava Júlia, já temendo o pior, pois os calafrios que ela sentiu com o Thorn foram muito piores do que sentira comigo.
- Shhh!!! - Anderson fazia um gesto muito simples para Júlia com um rosto sério e ela arregalava os olhos, quando via-o chegando perto dela e a tocando. Júlia não conseguia compreender porque não conseguia se mover, por mais que ela tentasse e gritava desesperada ao ver cada um de nós nos posicionando fora de um círculo com estranhas runas em que ela estava deitada.
- Você sabe que o que iremos fazer pode desagradar Togarini, não? - Perguntava-me Thorn me olhando de forma séria e eu apenas retirava o meu capote.
- Sim eu sei. Mas eu tenho que dar uma chance a eles e a criança. Já que foi pelo fato de eu ter me metido na vida deles que ela está tendo este contratempo. - respondi de forma calma, dobrando as mangas das blusas e Anderson respirava fundo, retirando a blusa dele.
- Alice, você não me pede nada fácil. Você sabe como eu fico toda vez que eu faço isso.
- Sim! Sim! Eu sei e sei que a cada minuto que ficamos nesta conversa agradável mais próximos estamos de visitar o Vale das Sombras.
Jean sorri de forma animadora, olhando para todos nós enquanto retirava a camisa.
- Ao menos eu poderei caminhar no Vale das Sombras com você. ÔÔô Ceifador!! Quanto de sangue precisamos doar nesta história mesmo?
Thorn fazia uns cálculos, olhou para mim e ficou um tempo pensativo, deixando o tórax desnudo.
- Chronnus, eu precisarei do seu sangue. Paladino, o seu também será necessário, assim como o meu. Alice... Como você não tem sangue neste momento, me perdoe, mas você é quem vai ter que canalizar a porrada.
- AAAALEEEC!! ELES VÃO ME MATAR.. VÃO MATAR O NOSSO FILHO!!!
- Ok! Ok! Eu estou acostumada com a porrada mesmo e Júlia... - Olhei para ela por um momento e com um breve sorriso nos lábios, murmurei. - Seu filho já está morto.
- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOO.....
No mesmo momento em que ela gritava, Anderson, Jean e Thorn cortavam os braços, derramando o sangue dentro do círculo, nós quatro entoavamos palavras em um dialeto que Júlia não compreendia. Pude sentir o meu corpo sendo invadido e a sensação de fogo correr em minhas veias, assim como se cada músculo meu fosse dilacerado. Alec batia na porta, uma.. duas... a terceira vez não veio. Nem mesmo os gritos de Júlia eram mais ouvidos. Tudo parecia ter parado, enquanto eu arrancava do ventre de Júlia aquele pequeno natimorto. Minhas mãos enchiam-se de sangue, da vampira e dos únicos que eu poderia confiar naquele momento.
- Sabes que o destino dele já está selado.
Pude escutar aquele murmurar, não ao meu ouvido, mas em minha mente. Eu via não as minhas mãos, mas as mãos de Togarini. O tempo parecia ter parado, mas parou para todos que estavam presentes, menos a quem estava servindo como a ferramenta principal, ou seja... Eu.
- Ele será meu!
- Sim ele será! No momento certo eu o entregarei em suas mãos.
-
Que assim seja!
Togarini deixa a criança crescer, usufruindo o sangue ofertado, usufruindo as minhas forças. Nove meses passavam em questão de segundos. Cientistas seriam internados diante daquela cena em que o corpo de um feto crescia e se desenvolvia, humanos chorariam lágrimas de sangue pedindo perdão ao Senhor e voltariam a crer no milagre da vida. Mas ali o milagre acontecia graças a quatro avatares e um Arcanjo da Morte que prestigiava seus necromantes.
-
Seu tempo está findando, Inquisidora!
Eu sabia o que ele queria dizer. Ele se referia ao tempo que eu tinha para não me tornar uma zumbi. O feto terminava seu franco processo de crescimento. O tempo não podia ser mais dobrado ao nosso bel prazer e a única coisa que tive forças para fazer, foi colocar a criança para chorar e apoiá-la no chão. Um a um fomos caindo. Primeiro eu, depois Jean, depois Anderson. Quando Thorn, achou que ele iria sucumbir sem forças. Togarini tocou seu corpo.
- Ainda não! Alice precisa de você... Assim como precisará de Jean e Anderson.

Tuesday, May 08, 2007

Discussões - Parte II

- Ela é a culpada! Culpada por tudo!
- Culpada pelo que Júlia? Alice estava apenas tentando nos ajudar!
- Ela matou o meu pai!
- Pelo o que eu bem me lembro, seu pai queria me matar, só pelo fato de eu ser um Lycan que vai ser pai do neto dele!
- Se ela não tivesse aparecido eu teria o convencido!
- Convencido? Os malditos estavam para me matar! Teu pai estava para arrancar da tua barriga o teu feto e a única coisa que você consegue fazer é culpar a Alice, por que ela se meteu?
- Ninguém chamou esta assassina!!!
Sombras olhava o casal que brigava aos berros e olhava para mim. Ele podia apenas notar que meus olhos se mantinham fixos sobre o casal. Mesmo ele ficando com calafrios, ele não conseguia saber bem que sentimento eu estava tendo naquele momento. Era completamente normal a reação de Júlia. Mesmo o pai dela fazendo as piores maldades, ele ainda seria o pai dela e por mais que ela amasse Alec, este amor não superava o amor que ela tinha por seu progenitor. Meus olhos observavam mais do que o casal. A raiva de Alec me incomodava, a frustração dele me incomodava. Se eu estivesse na pele de Alec, com certeza já teria desferido um belo murro em Júlia para ela se calar, mas eu não podia e nem deveria interceder. Não naquele momento.
- Isso vai longe! - Murmura Sombras enquanto o casal ainda gritava. Alec já estava com as garras à mostra. Sua aparência humana estava completamente mudada. Júlia também estava completamente alterada. Os caninos estavam à mostra e os olhos estavam com as íris mudadas. - Como é que você se sente tendo destruído o casal vinte?
Sombras soltava a piada de mal humor, mas não conseguiu arrancar nenhum sorriso. Pelo contrário, ele me viu desencostar o corpo do carro e avançar um passo. Pode ver os meus dedos a tamborilar no ar e o entrar repentino do meu corpo no carro. Sombras me olhava intrigado, vendo que eu ligava o meu rádio ao mesmo tempo que Júlia parava de gritar com Alec.
- Júlia? JÚLIA? - Alec demonstrava preocupação em sua voz se aproximando de Júlia.
- Inquisidora chamando Paladino! Inquisidora chamando Paladino! Paladino você está na escuta?
Sombras me via chamando um tal de Paladino, ao mesmo tempo que escutava a voz de preocupação de Alec com Júlia. Ele não tinha mais que prestar atenção em mim, queria compreender o que eu tinha visto que me fez agir com tamanha urgência. Ele voltou o olhar dele para Júlia e pode ver a Vampira com a mão sobre a barriga, contendo um grito de dor e Alec tentando acudí-la.
- Paladino na escuta! Ceifador preocupado querendo notícias tuas!
Ótimo! Eles ainda estavam juntos e eu ajeitava o meu corpo no banco do carro.
- JÚLIA!! POR FAVOR!!! ME DIGA O QUE ESTÁ ACONTECENDO!!!
- Paladino, peça ao Ceifador preparar a casa dele, estou com um caso de parto prematuro em mãos...
- E quem é o pai? Eu ou o Paladino?
- Não é hora para gracinhas, Ceifador. Prepare a sua casa, estarei lá em breve. Paladino! Peça para Chronnus nos encontrar, o feto possui apenas um mês de vida!
- Copy That, Inquisidora, já estamos indo para o local do abate, traga as vítimas.
- Inquisidora Out!
Sombras se espantou, com toda esta conversa rolando quando eu já tinha acelerado o carro, parando ao lado de meu irmão. Eles pulavam para dentro do carro e eu dirigia pelos pântanos de Nova Orleans. Júlia gritava comigo para eu sacolejar menos o carro. Alec pedia para ela ter paciência. Sombras falava os caminhos que eu devia seguir para chegar no tal local do abate, quando eu passei as coordenadas da casa de Thorn.
- Se meu filho morrer eu vou rogar uma praga para que você fique estéril, sua vadia!!
- Cala a boca, Júlia! Você não pode ser um pouco mais agradecida!! A Alice está tentando nos ajudar!
- Alguém já chegou primeiro e me livrou da maternidade.
- Vire à direita se o seu carro não for anfíbio! - Falou com calma Sombras, sentindo o tranco do carro assim que ele começou a falar direita.
- Nossa!! Me dê o nome de quem a esterelizou! Vou fazer questão de cumprimentá-lo!
- JÚLIA!!!- Gritam Alec e Sombras quando a vampira amargurada soltava essa patada.
- Se quiser encontrá-lo eu posso providenciar, mas se eu fizer isso, Alec jamais me perdoará.
- Ah é? Por que?
- Por que eu mandei ele para o Inferno.
- AAAALICEEEE!!! - Gritam Alec e Sombras, notando que eu olhava pelo retrovisor para Júlia enquanto uma árvore se aproximava de forma rápida. A vampira se encolhia assombrada ao ver a forma como eu a olhava e gritou junto com eles pensando que eu mataria a todos nós naquele momento. O tranco do carro era forte. A tinta lateral do carro ficava mais arranhada e o ranger da lataria agradecia por não ter sido um impacto muito maior. Um sorriso surgia nos meus lábios enquanto o silêncio reinava entre os arfares assustados dos meus passageiros. Togarini ria observando a cena de longe e então se voltava para Geburah.
- Ela é fascinante, não?
Geburah o olhava com os cantos dos olhos, deixando o arcanjo da morte para trás. Algo nas minhas atitudes estava o incomodando e ele sabia que Togarini não iria gostar nada do meu próximo passo.
- Paladino para Inquisidora! Inquisidora está na escuta?
- Inquisidora na escuta, Paladino!
- Chronnus já se encontra com a gente e o local do abate está preparado. Você tem certeza que irá proceder com o que tem em mente?
- Tenho Paladino! Confio apenas em vocês para tal procedência!
- Tempo estimado para sua aterrisagem.
- T-5
- T-5? Aonde você está?
Anderson e Thorn estavam do lado de fora da casa e puderam apenas ver o que era um jaguar negro irromper por entre arbustos e quase subindo as escadas da casa. Sombras saía do carro abrindo a porta para Alec. Alec puxava Júlia e eu buscava um maldito cigarro nos bolsos do meu capote.
- Nada de cigarro, Mocinha! Você vai entrar no barco com a gente! - Thorn me repreendia e pegava a Júlia com Alec. Eu por minha vez passava ao lado de Alec e Sombras, deixando Anderson, Thorn e Júlia entrarem e quase batendo a porta na cara de meu irmão e de Sombras.
- Alice!! - Alec abre a a porta e eu o empurro para fora, olhando-o muito séria.
- Alec, Sombras! Sentem! - Foi crueldade minha tratá-los como cachorros daquela forma e bater a porta, trancando-os de fora. Jean olhava para mim incrédulo.
- Sua sutileza me espanta... - Mas o que mais eu poderia fazer? Dizer para eles que o que faríamos ali dentro era um pequeno milagre e que se eles interropessem todos nós poderíamos morrer?

Sunday, May 06, 2007

Discussões...

Eles sorriam, agradecendo por terem chegado a tempo para me resgatar das portas do Inferno. Já eu agradecia por ter amigos como Jean e Thorn, mesmo não tendo os chamado.
- Como... - Murmurei de modo fraco, tentando me mover.
- Shhh!!! - Thorn pedia que eu me silenciasse, acariciando os meus cabelos. Jean mantinha a mão sobre o meu tórax, me mantendo deitada sobre os escombros da mansão.
- Temos que tirar-la daqui, Thorn...
- Eu sei, Jean. Mas, trazer a Alice desta vez não foi fácil. Terei que manter a magia, até que façamos a transfusão de sangue.
- Eu posso...
- Não Jean, nem mesmo a sua esfera de cura pode apressar isso...
Apertei o braço de Thorn, brevemente. Eu estava escutando a conversa de ambos, mas ainda precisava resolver uma coisa, antes de me preocupar com a minha saúde.
- Preciso resolver algumas coisas...
Ambos olharam para mim. Mesmo fraca, cada visita minha aos portões da morte, aumentava mais a sensação de desconforto para quem andava comigo. Togarini sorria e Geburah o olhava com os cantos dos olhos.
- Você sabe que sua avatar morrendo, estará destinada ao Inferno. - Murmurou Geburah a Togarini.
O Arcanjo da morte andava ao redor daqueles três que se encontravam por ali. Observando dois de seus Avatares e dois dos avatares de Geburah.
- Tudo porque ela resolveu servir a minha pessoa antes de te servir. Você a enganou. Usou de um golpe baixo para que ela cedesse a cobiça de um poder maior em nome de uma vingança pessoal. Aproveitou-se da vontade de Alice querer matar os bastardos em meu nome, apenas para que a sua justiça prevalescesse e ainda se sente indignado por ela fazer a justiça em teu nome, mas dedicar as mortes em meu nome. - Togarini sorria, abrindo suas asas, lançando sua sombra sobre Thorn e Jean. Ambos sentiam um calafrio intenso, enquanto tentavam ajudar-me e Geburah rangia os dentes, apertando a mão envolta de sua lança.
- Basta, Togarini. Estamos arriscando a vida de três avatares. Sendo que, Alice é útil tanto para você quanto para mim!
- Não levante mais tua voz contra mim, Geburah. Você condenou Alice ao Inferno, por saber que ela jamais será uma avatar tua de corpo e alma. Não pense que me esquecerei de tua trapaça em busca de justiceiros. Enquanto eu puder interferir, eu irei interferir e aceite de uma vez por todas o fato de que Alice prefere a mim, a você.
Thorn cerrava os dedos, pois escutava a discussão dos Arcanjos. Sabia que Alice e Jean também estavam a escutar, mas eles não podiam interferir, pois jamais conseguiriam vencê-los sozinhos. Jean apoiava a mão no ombro de Thorn, compreendia o que o necromante poderia estar sentindo.
- Thorn... Jean... Eu preciso ir...
Eles me observam por um tempo e me ajudam a levantar. Tinham me encontrado por sentirem a presença dos Arcanjos e por isso chegaram a tempo de salvar-me. O máximo que podiam fazer era salvar-me antes que eu morresse, mas jamais conseguiriam saber quando eu resolveria cometer meus atos suicidas. Não era fácil conviver com a eterna disputa dos Arcanjos por uma avatar que agüenta ser um instrumento nas mãos dos dois ao mesmo tempo.
- Ligue se precisar da gente... - Murmura Jean e Thorn me olha de um modo sério que até mesmo eu sentia calafrios com aquele olhar. - Manterei a magia, até você retornar e começarmos a transfusão de sangue, mas não demore Alice... - Thorn sorri de modo misterioso. - Ou você será a minha zumbi favorita.
Jean dá um murro no braço de Thorn.
- Ouch!
- Não pense que você roubará a Alice de mim tão facilmente, necromante!
- Alice era minha, antes mesmo de você aparecer, detetive...
- Agente!!! - Resmuga Jean.
Caí na risada vendo a cena, era quase possível ver a aura dos Arcanjos sobre eles.
- Certo... Agora vocês estão iguais aos arcanjos e eu não sou um pertence de vocês... Eu os vejo mais tarde.
Saí, sentindo o olhar dos dois sobre mim. Pegava a espada, a colocando na bainha e não olhava para trás. Eu podia escutar as "brigas" de Jean e Thorn. Aqueles dois, sempre iriam dizer quem tinha mais direito, quem era o que eu mais apreciava e assim por diante. Coisas de homens, que sempre tentavam manter a sua imagem. Mas de alguma forma eu também sabia que Geburah e Togarini estavam sorrindo. Coisas de Arcanjos que precisavam da eterna disputa para manter o
Status Quo.
Mas não era hora de pensar neles. Fui caminhando para o local que tinham ficado Alec, Sombras e Júlia. Tinha algo me incomodando e não era o fato de Geburah e Togarini terem discutido. Não era o fato de Jean e Thorn estarem discutindo. Havia algo mais. Algo que estava realmente me incomodando. Uma vontade de esmurrar algo ou alguém que parecia estar crescendo. Mas foi apenas quando cheguei no local que eu tinha abandonado antes da brincadeira de ceifar a vida do pai da Júlia que eu fui compreender aquela minha fúria crescente. Alec e Júlia estavam discutindo feio e Sombras estava recostado em meu carro de braços cruzados. Ele não interferia naquela briga e eu resolvi não interferir também. Já que o motivo da briga era justamente eu. A Agente do F.B.I. caçadora de demônios, vampiros, lobisomens, que surgiu do nada e que estava interferindo na vidinha deles.
Um suspiro escapava de meus lábios. Sombras me olhava com os cantos dos olhos. Alec e Júlia brigavam e a discussão parecia que iria demorar até perto do amanhecer.
Ao menos era assim que eu achava
.

Thursday, May 03, 2007

Quando os Arcanjos Aparecem - Parte II

Aos olhos de Sombras, eu estava completamente desmaiada. Por mais que ele estivesse preocupado com a minha verdadeira natureza, naquele momento ele sentiu que poderia ajudar Alec e Júlia. Mas minha missão ainda não havia terminado e quando o Lycan se afasta do carro, meus olhos se abriram, espreitando aquela cena tão comovente.
“- É chegada a hora!”
Tudo que eles puderam escutar foi um breve estalar de uma folha seca e sentir aquele vento repentino.
- Não! Não!!! Ela irá matá-lo! Você precisa detê-la meu amado!
Júlia chorava, tentando se erguer e Alec a segurava. No fundo desejava a morte do pai de Júlia, pois apenas assim eles poderiam viver em paz. Sombras olhava ao redor, cerrando os punhos.
- Ela estava inconsciente. Tenho certeza de que estava! - Sombras rosnava, não conseguindo me farejar e nem ao menos sentir a minha presença. Alec sentia sua pele arrepiando. Um arrepio de que algo perigoso estava o espreitando e estava por perto. Por um breve momento teve a estranha sensação de estar observando as costas dele, assim como Júlia sendo amparada e Sombras olhando ao redor.
- GRRRrrrrrr!! - Girou parte do corpo de forma brusca, olhando na direção que tinha tido a sensação de estar sendo observado e apenas recebeu uma outra lufada de vento que parecia ir naquela mesma direção.
Eu não podia envolvê-lo e tão menos deixar Júlia interferir novamente. Estava claro que o pai dela era um perigo para a humanidade, mas principalmente para o meu irmão. Eu podia sentir o cheiro daquele bastardo. Daquele covarde que tinha fugido. A energia azulada circundava o meu corpo o desejo de fazer justiça beirava à vingança pessoal. Árvores rangiam implorando piedade àqueles ventos fortes e o tempo fechava cada vez mais. Relâmpagos começaram a cortar o céu escuro e tempestuoso, iluminando um grande casarão.
- Cinzas! Cinzas! Tudo há de se tornar cinzas!
Um sorriso surgia aos meus lábios. Fino. Sádico. Uma energia com tons verdes e negros começou a circundar os tons azulados. Meus olhos que antes era uma energia azul que escapava de meus olhos, ficava cada vez mais escura. Meus passos avançavam cada vez mais em direção àquela enorme mansão. Alguns relâmpagos atingiam o chão e a aura crescente de medo fazia os animais dentro do raio próximo àquele lugar, fugirem desesperados. Meus passos paravam diante daquela porta. À energia negra que escapava de meus olhos parecia ficar cada vez mais intensa, assim como o vento que começava a fazer os vidros vibrarem de forma agourenta.
Primeira batida.
Segunda batida. Aquele som reverberava por toda a mansão.
Terceira batida. A porta explode em milhões de pedaços e o vampiro pode me ver entrando a casa dele. A cada passo meu, a certeza da verdadeira morte aplacava sua alma maldita. Pude ver seus olhos se assombrarem. Pude escutar os pensamentos que mostravam o temor que ele possuía a certeza de que ele não poderia fugir.
- Criatura infernal, teus atos foram contra os cordeiros D’Ele. Em sua fome matara inocentes, Fora júri e executor e hoje saberás o que tuas vítimas sentiam quando clamavam por piedade, enquanto ceifava a vida de cada uma delas.
O Vampiro via a figura de uma mulher, mas sentia uma presença forte demais até para ele. Seu corpo tremia diante de tamanho pavor. Estar diante daquela mulher era o mesmo que estar diante daquele que lançara a maldição sobre os seus. Seus olhos mal conseguiam se erguer. Lágrimas de sangue eram derramadas, vendo aquela espada sendo apontada para ele.
Os segundos pareciam virar minutos e o vampiro pode sentir um alívio repentino. A espada tocava o chão e minha cabeça baixou por um breve momento. Toda aquela sensação de temor desapareceu. Aquela energia parecia ter se dissipado repentinamente e o vampiro ao ver meu corpo estremecer sorriu. Sorriu de forma larga ao perceber que eu parecia não ter conseguido segurar por tanto tempo tamanho poder.
- TOLA MORTAL! CONHEÇA AGORA A MINHA VERDADEIRA FÚRIA!!!
Segundos. Segundos que pareceram tão longos para mim, que pude sentir o cravar daqueles caninos no meu pescoço. Que pude sentir o meu coração bombear de modo forte o meu vitae.
Alec se erguia de forma repentina. Júlia teve uma estranha sensação e começou a rir de forma baixa.
- Alec! O que você está vendo?
Júlia se erguia rindo baixo. Sentia um frisson tomar conta de seu corpo. Alec estava imóvel. Seus braços estavam pendidos ao longo do corpo. Seu coração se acelerava e ele balbuciava.
- Não! Não pode ser!
- ALEC! O QUE ESTÁ ACONTECENDO? - Gritou Sombras ao ver o estado do amigo.
- Você não entendeu, Sombras? A irmã de Alec jamais deveria ter se metido aonde não foi chamada!!! - Júlia ria, sentindo a vitória iminente do pai e Alec se virava para ela furioso.
- CALA A BOCA JÚLIA!!! CALA A BOCA!!!
Sombras mal conseguia acreditar. Estava confuso, viu o tamanho de poder que a irmã de Alec possuía. Havia algo de errado, só podia haver.
O pai de Júlia sugava o meu sangue com prazer. Eu mantinha a minha espada segura. Murmurava algo baixo e ele não conseguia compreender o que eu estava a murmurar.
- Que a justiça prevaleça... Que a justiça prevaleça... Que a justiça prevaleça... Cinzas! Cinzas! Tudo há de se tornar cinzas...
O vampiro gargalhava em sua alma. A moça estava murmurando suas últimas palavras e aquilo o rejubilava.
- Seja feita a tua vontade...
- Para que a justiça prevaleça...
- E que a morte deste maldito...
- Sacie a sua fome...
- Geburah... Togarini...
- É chegado...
- O...
- Mo...
- Men...
- To...
Por um breve momento os meus olhos deixaram de enxergar. Por um momento Alec ficara mudo. Por um momento Júlia não conteve a gargalhada. Sombras erguia os olhos em direção a lua e o Vampiro sorria de modo vitorioso ao sentir meu coração anunciar suas últimas batidas.
Antepenúltima batida.
Penúltima batida. O som reverberava na alma de Alec e aos ouvidos do Vampiro.
Última batida. O Vampiro começa a rir, Alec esmurrava a terra gritando por meu nome.
Meus olhos se abriam. Negros. Negros como o mais profundo abismo.
- Não! NÃO! NÃÃÃOOO!!! NÃO PODE SER!!! - Gritou o vampiro vendo aquelas chispas de energia negra a escapar dos meus olhos. O sorriso sádico tomando conta de meus lábios e a noite virar dia em uma explosão de energia.
Júlia pode escutar o grito de seu pai. Pode sentir uma dor grande tomar conta de seu corpo a fazendo cair de joelhos ao solo. Ela não ria mais. As risadas foram trocadas por gritos de dor, enquanto as lágrimas de sangue eram vertidas em seu rosto.
- Não! Não! Não!
Alec e Sombras olhavam em direção à vampira que sofria com uma perda aparentemente grande demais para ela. O corpo do vampiro ainda ardia em chamas que consumiam devagar o corpo enquanto toda a mansão era destruída na dispersão do poder dos dois arcanjos. Togarini nunca se sentira tão saciado em arrancar a alma daquele ser maldito de forma tão vagarosa, enquanto Geburah mantinha o vampiro vivo diante das chamas que o consumiam.
A casa desabava ao meu redor até o momento em que os arcanjos terminavam o seu serviço e eu terminava o meu.
Meu corpo desabava em meio aos escombros. Geburah e Togarini me observavam. Mantinham-se silenciosos. Alec tremia o corpo. Não conseguia sentir a minha presença. Os gritos de almas torturadas pareciam cada vez mais audíveis para mim e aos poucos meus olhos podiam ver aquelas chamas crepitando. Pude ver os demônios direcionando os seus olhos para a minha pessoa e eu apertei mais forte o punho de minha espada. Era hora de entrar na verdadeira batalha e os demônios pareciam fechar cada vez mais o cerco ao meu redor.
- Alice!
A primeira vez que eu escuto meu nome, ele veio como um sussurro.
- Alice!
A segunda vez o meu nome parecia ser citado como se às minhas costas.
- Alice!
Na terceira vez...
Nunca pensei que ficaria tão contente em ver os sorrisos de Jean e Thorn diante dos meus olhos.
- Seja bem vinda à terra dos vivos!

Thursday, April 26, 2007

Quando os Arcanjos Aparecem - Parte I

Sombras ergueu a cabeça e estranhou o fato de me ver levantando de forma súbita e estranhou mais ainda quando me viu saindo de forma repentina.
- GRRRRR!!!! Ela devia deixar o filhote resolver as coisas sozinho! - Cravou sua faca na mesa mais uma vez e riscava a mesa com mais vigor, mas como explicar para o Sombras que eu e o Alec tínhamos uma estranha ligação que ficou mais forte com a reaproximação?
Eu não tinha tempo a perder. O alarme do carro era desligado e logo as pessoas saltavam para o lado, ao ver o Jaguar cantando os pneus e levantando fumaça da borracha queimada.
As "pessoas" até estranhavam quando viam o jaguar subindo o gramado e andando em uma linha nada reta, indo em direção à floresta que tinha ali perto.
Meus olhos se fechavam, a visão confusa e alternada entre o caminho que eu estava tomando e lutas, fazia o meu carro ranger a cada passar, tirando lascas das árvores, ou do ranger alto do fundo do carro ao solo cheio de altos e baixos.
- Grrrrr!!! Por que você não me contou Alec?
Os caminhos ficavam cada vez mais perigosos, mas o atalho me ajudaria e era bom eu chegar rápido, pois não estava sendo interessante sentir coisas que eu sentia apenas quando lutava com as minhas vítimas.
Minhas mãos cravavam de modo firme no volante, a visão ficava borrada e eu senti o baque do fundo do carro. Eu não estava mais na floresta os olhos se assombravam ao ver aquele carro surgir como um animal furioso que rugia alto se anunciando. A visão voltava por alguns breves momentos. Sangue em um rosto conhecido, lágrimas em outro rosto, ambos olhando para a mesma pessoa. Segundos tão pequenos, mas o suficiente para sentir o calafrio de quem iria deter a visita inesperada.
- Simon diz...
Pude apenas ver um rosto nada contente e o forte baque daquele corpo que passava rolando por cima do jaguar. O freio de mão era puxado com violência. O carro girava parando de frente com aquele ser maldito que se erguia mostrando seus caninos.
- Que a Justiça prevalesça!
Eu abria a porta do meu carro, os comparsas dele seguravam Alec e Júlia para que não houvesse interferências. De um lado aquele maldito deixava de ter seus ferimentos e de outro lado eu começava a recitar palavras em Hebraico mantendo meus olhos sobre aquele ser.
- Mate-o minha avatar!
Julia nunca sentira tanto medo em sua não-vida. Um medo tão forte que seus caninos cresceram, sua força duplicou e ela avançou de forma rápida seus passos, não para me atacar, mas para se colocar entr eu e aquele maldito que estava fazendo ela e Alec sofrerem. Este foi o grande erro da vampira, pois minhas palavras terminavam.
- ALIIICEEE, NÃÃÃÃÃOOOO!!!!
Não dava para voltar atrás, não com aquela magia. Alec apenas pode ver chamas surgindo do chão enquanto eu erguia a minha mão pegando uma grande área. Júlia gritava de dor, o vampiro que eu queria atingir se assombra e salta dentro do fogo, pegando a vampira e a tirando daquelas chamas que subiam aos céus.
Os demais vampiros tentavam conter Alec que queria salvar Júlia. Tive pouco tempo para compreender o murmúrio de Júlia que pedia para o pai dela perdoare para ele fugir. Mas o tempo corria e Geburah não podia ser mais contido.
- GEEEEBUUURAAAAAAH!!!!!!!!!!!!!! QUE A JUSTIÇA SEJA FEITA À SUA VONTADE!!!
A fúria de Geburah era liberada. Uma energia azulada começava a circular o meu corpo. A espada era puxada lentamente e temor se apoderou daqueles que presenciavam o que estava acontecendo. Meus olhos eram energia pura, os ventos fortes açoitavam as árvores enquanto vampiros imploravam por piedade.
- Não há piedade para aqueles que se alimentam dos cordeiros de DEle!
O pai de Júlia pode ver apenas um borrão e então corpo de um de seus comparsas sendo partido ao meio e caindo ao chão. Pode ver quando eu erguia a minha mão e esmagando um coração na mão. Pode ver quando aquele coração entrava em combustão e depois mais um borrão. O arraste do vento que mudava de forma brusca, começava a querer a arrancar as árvores do chão e lançava os vampiros contra elas. Na fúria de Geburah, Júlia também não estava sendo poupada.
- ALICE!!! PARE!!! PAAAREEE!!!
Alec sofria. Júlia sofria. Geburah continuava sua matança. Quando não partindo os corpos no meio, arrancava os corações usando as minhas mãos, cremava os corpos e Alec mais uma vez gritava.
- ALICE!!! PARE!!! VOCÊ VAI MATAR UM INOCENTE!!! JÚLIA ESTÁ GRÁVIDA!
Grávida? A vampira esta grávida? Geburah, continuava usando o meu corpo, mas aquela notícia foi forte o suficiente para eu e o Arcanjo não percebermos a fuga do Pai de Júlia.
- Poupe-a Geburah!
Geburah lançava os olhos dele sobre a vampira e encerrava sua carnificina. Alec estava a salvo. Júlia e seu bebê estavam a salvos e o pai de Júlia escapou.
- Saiba vampira que estou te poupando devido a criança que está em teu ventre. Serás poupada até que a criança nasça. Mas ainda ficarás sob meus olhos e se sairdes dos caminhos que apontarmos para ti, serás julgada e desta vez, não terás a proteção de Alice ou de Alecsander.
Alec pode presenciar meu corpo caindo ao chão, mas não só ele pode presenciar isso. Sombras também presenciava a queda de meu corpo.
- Cuide de sua esposa! Eu cuidarei de sua irmã... - Ordenou Sombras ao Alec que estava desnorteado com tudo que tinha acontecido, assim como ver a namorada ferida e eu ali desacordada aparentemente.
- Júlia! Você está bem? - Alec acariciava o rosto da amada e Sombras me carregava para o carro.
- Você é estranha sabia? - Murmurou Sombras ao me colocar no banco do Jaguar. estava preocupado com tudo aquilo. O pouco que ele pode presenciar, foi o suficiente para ele compreender que eu podia não ser uma Lycan, mas que eu poderia ser algo muito pior.