Friday, March 30, 2007

Volta para Batalhar...

Uma semana nunca foi tão lenta, quanto aquela que fiquei em recuperação. Quanto mais tempo eu ficava no hospital ou de repouso, mais arredia eu ficava. Mas Jean sempre dava um jeito de me dar calmantes e soníferos em grandes quantias para que eu dormisse de forma tranqüila.
Ao findar da semana, quando Jean saiu para tomar um pouco de café, a surpresa que ele teve não foi nada agradável.
- Mas que diabos...
Um enfermeiro se encontrava com os olhos vidrados e seu corpo tremendo mais do que tudo. Toda aquela ala parecia ter visto um fantasma ou coisa pior!- Alice!!!
Murmurou Jean deixando o copo descartável cair ao chão e correndo para o quarto em que ele achava que eu estava. Mas a realidade para ele foi outra e ver a cama vazia e nenhum sinal de minhas roupas, foi um tanto quanto frustrante.
- Por que é tão difícil você pedir ajuda?
Murmurou, saindo do quarto do hospital e indo para um local que ele pudesse ligar.Mas Jean sabia que as coisas não seriam tão fáceis assim.
O tempo começou a correr e a noite se aproximou em uma velocidade fora do comum. Aquele lugar continuava movimentado e nunca um cigarro pareceu tão interessante quanto naquele momento. Meu celular se encontrava desligado e assim eu devia mantê-lo para evitar a cavalaria indo ao bar para me resgatar, ou até mesmo evitar que os mocinhos fizessem besteira antes da hora.
O caso era meu e eu não deixaria que me retirassem dele por pensarem que eu estava insana, ou tomada por uma justiça pessoal. Apesar de que Jean, sabia que o caso tinha aspectos fora do padrão.
Passei horas observando a movimentação do bar. A mesma escória de sempre, mas meus instintos diziam que Alecsander não estava lá dentro, e que também não estava distante. Eu podia sentir isso em minha própria pele.
- Uni...
Meus olhos fecharam vagarosamente e minhas mãos tencionaram no volante.- Duni...
Uma imagem nublada surgiu diante de meus olhos fechados, mostrando-me um lugar enquanto meu coração batia de forma melancólica. Aos poucos a imagem se tornava mais visível e minhas mãos se afrouxavam. O sorriso despontava em meus lábios e a porta do carro era batida.
- Gotcha!
Estava na hora de colocar as cartas sobre a mesa.

Saturday, March 24, 2007

Quem foge da guerra...

Ali estava o grande segredo que Geburah guardou por tanto tempo. Um arcanjo que se dizia ser o da justiça, mas que usara um golpe baixo ao notar que eu era uma das poucas pessoas que conseguia suportar a presença do poder de dois arcanjos e deixar eles caminharem por um breve momento sobre a Terra. Ah! Maldita fosse aquela dor e aquele momento que eu estava vendo que o demônio que eu tanto cacei pela morte de meus pais era justamente quem eu menos esperava. Meu próprio irmão.
Eu tomava a consciência de que Alec era meu irmão gêmeo e eu não recordava desse fato, devido ao efeito dos sedativos que sempre tomei em minha vida...
Ele sempre foi para mim um sonho em um mundo que nunca vivenciei momentos de lucidez. A única vez que isso aconteceu, meus pais amanheceram estraçalhados e eu fui levada para um hospício em estado de choque, falando que um demônio tinha os matado. Como não tinham encontrado nada, suporiam por duas vertentes. Uma delas foi a que me levou para o hospício. Uma simples garotinha que tinha matado os próprios pais e que tinha sumido com o corpo do irmão. Outra delas, teria sido que fomos vítimas de um assalto seguido de latrocínio.
Mas, era uma péssima hora para ficar se lembrando do passado.Enquanto Alec ajudava a namorada, eu tentava desesperadamente sair dali. Ficava me amaldiçoando mentalmente por ter deixado aquilo acontecer, mas a visão começava a querer turvar, um sinal de que eu estava fraca. Mais uma batalha e novamente eu havia perdido muito sangue. Eu precisava me erguer. Precisava sair daquele local, antes que Alec me matasse e em minha tentativa de ficar em pé, Alec tentou me impedir de sair dali esquecendo a namorada por um breve momento. Ele queria resposta. Queria saber por que ele sentiu dor também. Temia, mas ao mesmo tempo não deixaria que eu escapasse tão facilmente. Minhas forças estavam próximas de me abandonar, eu precisava explicar para ele que nós éramos irmãos gêmeos. Na verdade ainda somos, mas a mente batalhava para não aceitar a idéia e também buscava me manter lúcida. Não sei se consegui falar, apenas senti meu corpo sendo solto e quando a lucidez retornou à minha alma, aproveitei um momento em que ele tinha voltado para ajudar Júlia... Acho que esse era o nome da Vampira...
Saí cambaleante, deixando as marcas de meu sangue pelo chão e pelas pessoas que esbarrei. Fui para o meu carro. Eu precisava sair dali... A minha trilha de sangue já estava muito grande e ele sendo um lycantropo e tendo uma namorada vampira, facilmente me encontrariam se eu não fosse embora o mais rápido possível...
- Jean...
Murmuro, dando a partida no carro. Eu precisava encontrar-lo. Pisei fundo no acelerador e acelerei meu Jaguar X-Type 3.0 o máximo que pude. Os donos dos carros que estavam estacionados não iriam gostar da nova pintura, sorte a minha que meu jaguar é blindado. Azar o deles. O caminho tortuoso por vezes ficava negro e mesmo sabendo que eu poderia causar um acidente, eu continuei acelerando até chegar no local de trabalho. De dar ao F.B.I. um mármore avermelhado e medo nos olhares dos agentes novatos. Faltava pouco. Jean me encontrou no pequeno hall que antecedia a nossa seção e depois disso veio apenas a escuridão.
- Alice?
A voz vinha tão distante.
- Alice?
Jean me chamava e Togarini apenas me observava.
- "Vai desistir tão cedo, Inquisidora?"
A voz de Geburah era de quem não aceitava desistência e abri os olhos devagar. Mais uma vez em um hospital.
- Que caminhão a atropelou?
Jean olhava-me de forma serena, mas eu podia ver preocupação em seu olhar.
- Ou isso tudo aconteceu por conta de sua última missão?
Pela primeira vez eu disse pra ele que eu não precisaria de ajuda... Senti a preocupação dele apenas aumentar, e logo explicava.
- Desta vez é pessoal Jean.
Pude ver Jean quase não conseguir controlar o calafrio neste momento. Havia medo nos olhos de Jean. Eu ainda voltarei Alecsander Lupin. Ainda vamos esclarecer toda essa história... E nem anjos, nem demônios me impedirão de conhecer a verdade e de lhe contar a verdade.

Wednesday, March 07, 2007

Péssima Hora

Eu apenas aticei mais ainda a vampira. Deveria ter me recordado que vampiros não resistem a um bom cheiro de sangue e ela que já estava irritada comigo, pensando que eu mataria a pessoa que ela amava, apenas teria seu frisson potencializado com o cheiro de sangue, que não só a fazia olhar para mim, como muitos daquele local voltavam a atenção para o centro da confusão.
Péssimo passo, devo confessar. Eu tinha que remediar este erro o mais rápido possível. Pequenos murmúrios escapam de meus lábios e o mesmo truque para acender o cigarro iria causar-me mais dor do que eu esperava, mas era tarde demais. Tarde demais para deter Julia.
Meu corpo praticamente retesava com o calafrio que eu sentia com aquele ataque eminente e a magia que serviria para cauterizar o meu ferimento foi direcionada para a vampira que já fechava suas mãos ao redor do meu pescoço e mostrava seus caninos salientes e desejosos para rasgar a minha pele. Quanto mais dor eu afligia a ela por conta do fogo, mais a raiva dela aumentava. As coisas não poderiam ser piores.
Alecsander pode escutar o disparo de uma Deseart Eagle, escutar sua amada gritando de dor e ver o corpo dela arqueando para trás. Pode ver sua amada sangrando, mas tudo aquilo não deixou ele ver que os disparos foram direcionados apenas para afastar Julia de mim e não matá-la. Aquilo acabara despertando uma fúria imensa dentro dele.
E pensar que era para ser uma conversa calma e que eu queria ter saído mais cedo. Por que os homens tinham que ser mais teimosos do que eu quando queriam respostas?
O corpo do jovem Alec arqueva para frente. Pude ver o corpo dele estremecer, pude ver quando as roupas dele davam lugar a pêlos, as unhas cresciam transformando-se em garras, o corpo crescia dando a péssima impressão de que eu realmente não gostaria daquele exato momento. Malditas fossem as presas que tomavam lugar dos dentes e da cara que se alongava junto com as orelhas.
- Droga!
Eu poderia querer soltar todas as frases estúpidas possíveis de chapeuzinho vermelho naquele momento. Mas como explicar para Alecsander que eu estava apenas me defendendo? Não tinha como explicar para um maldito lobisomem tomado por fúria estas coisas e além do mais, desde quando vampiros e lobisomens namoravam?
Nada do que eu disse ajudaria, nem mesmo comigo me erguendo e pensando seriamente que teria que disparar a minha arma contra ele. Ele foi muito mais rápido, graças à minha confusão mental de atacá-lo ou não. Pude sentir as garras dele penetrando a minha pele. Pude sentir aquela dor intensa do rasgar da minha pele, junto com o rasgar das minhas roupas e o baque de minhas costas na parede.
Mas o que Alecsander não esperava, era o fato de que a dor que ele inflingiu em mim, ele também sentiu com a mesma intensidade. No caso dele, não houve o estrago total que ele me causou.
Dor... Uma intensa dor e o sentir do sangue vertendo de meu corpo. Eu olhava para Alec. Alec recuava os passos. Talvez assombrado por ter sentido a mesma dor, mas os olhos dele. Sim... Maldito fosse Geburah. Eu já tinha visto aqueles olhos e Alec já tinha visto aquele meu olhar. Já tínhamos visto uma situação muito parecida quanto aquela que passávamos. Em meus olhos ele vê algo. Um mesmo olhar que ele já tinha visto antes... Há muito tempo...

Friday, March 02, 2007

Confissões

Alecsander segurava meu braço e deixava claro que não queria que eu partisse daquele lugar, pois ele ainda tinha muitas coisas para esclarecer. Era claro que a nossa conversa ainda não tinha acabado e que ainda tinha muitas coisas em aberto. Feridas que eu abri por estar intrigada demais. Alecsander estava perturbado, por ter sentido dor na hora que eu me cortei e mais perturbado ele ficou com o cheiro que meu sangue possuía. Eu não o culpava, porque a agitação que ele sentiu eu pude sentir como se esta agitação fosse minha, assim como as preocupações que ele possuía e a maior preocupação era Julia que olhava para eles dois e se aproximava para saber o que diabos estava acontecendo.
- Quem é você afinal? O que você quer realmente comigo?
Alecsander me interrogava, quando o inverso é o que deveria estar acontecendo. Eu podia simplesmente queimar a mão dele, puxar a minha arma e acabar com aquilo de uma vez por todas.
- Alice Lupin. Agente especial do F.B.I. designada para eliminar pessoas como você. Recebi ordens de executá-lo, assim como recebi ordens para executar sua namorada, uma possível entidade eólica e mais dois companheiros seus. Minha missão era simples, até eu descobrir que nossos sangues estão interligados.
Julia que tinha chegado pegou parte da conversa e não gostou nada de escutar aquilo que eu dizia. Achou-me arrogante e prepotente em dizer tão abertamente o que eu tinha em mente. - Quem você pensa que é? Você não é nada perante os outros que freqüentam este local! Problemas e mais problemas. Antes eu estivesse apenas na companhia de Alecsander.
- Julia...
Como explicar para aquela vampira que o panorama havia mudado?
- Na melhor das palavras eu sou o que você chamaria de Inquisição. Estou aqui para garantir que a humanidade não corra risco de vida. Eu estava apenas cumprindo ordens, mas esta noite eu não poderei cumprir a minha missão.
Eu não podia simplesmente matar o Alec. Eu precisava ter certeza, mais do que eu já parecia ter esta certeza. Minha mente, minha razão, ainda tentava me convencer de que eu estava apenas enganada. Mas a minha alma e meu coração, brigavam e me xingavam dizendo que eu sabia a resposta. O F.B.I. não ficará nada contente. Ao menos, Alecsander parecia estar compreendendo a minha posição. Mantinha-se imparcial ao notar que eu estava batendo em retirada, antes de cometer uma carnificina, mas a namorada dele estava completamente ofendida com as minhas palavras, o que é bem típico dos vampiros, por eles serem arrogantes demais e acharem que um simples mortal não era uma ameaça tão preocupante em um ambiente como aquele.
- E o que você pretende fazer? Mate um e outros virão. Outros mais poderosos.
Eu estava começando a perder a minha paciência. Meu objetivo no momento era apenas Alecsander.
- Julia, por favor... Se acalme.
Os dois começavam a discutir. Ele tentando mostrar a ela que nada aconteceria e ela tentando mostrar a ele que seria um erro deixar eu ir embora. Ouvindo os dois conversando minha alma ficava cada vez mais arredia. Era claro que Geburah estava sedento pela justiça e que aqueles dois matariam pessoas inocentes. Cordeiros de Deus nas presas dos lobos. Togarini também se agitava. A confusão deixava clara que as coisas tendiam apenas piorar. Eu precisava colocar a mente em ordem. Precisava acalmar aqueles arcanjos que estavam comigo para uma situação de emergência. A espada saía com extrema facilidade e em uma velocidade até anormal para os mortais. Alecsander notando o que estava para acontecer, tentou me deter...
- ALICE!!! NÃÃOO!!!
Alecsander não consegue deter o movimento da espada e mais uma vez corto parte de meu corpo. Na tentativa de colocar a mente em ordem, o ato quase me custa à vida.