Thursday, April 26, 2007

Quando os Arcanjos Aparecem - Parte I

Sombras ergueu a cabeça e estranhou o fato de me ver levantando de forma súbita e estranhou mais ainda quando me viu saindo de forma repentina.
- GRRRRR!!!! Ela devia deixar o filhote resolver as coisas sozinho! - Cravou sua faca na mesa mais uma vez e riscava a mesa com mais vigor, mas como explicar para o Sombras que eu e o Alec tínhamos uma estranha ligação que ficou mais forte com a reaproximação?
Eu não tinha tempo a perder. O alarme do carro era desligado e logo as pessoas saltavam para o lado, ao ver o Jaguar cantando os pneus e levantando fumaça da borracha queimada.
As "pessoas" até estranhavam quando viam o jaguar subindo o gramado e andando em uma linha nada reta, indo em direção à floresta que tinha ali perto.
Meus olhos se fechavam, a visão confusa e alternada entre o caminho que eu estava tomando e lutas, fazia o meu carro ranger a cada passar, tirando lascas das árvores, ou do ranger alto do fundo do carro ao solo cheio de altos e baixos.
- Grrrrr!!! Por que você não me contou Alec?
Os caminhos ficavam cada vez mais perigosos, mas o atalho me ajudaria e era bom eu chegar rápido, pois não estava sendo interessante sentir coisas que eu sentia apenas quando lutava com as minhas vítimas.
Minhas mãos cravavam de modo firme no volante, a visão ficava borrada e eu senti o baque do fundo do carro. Eu não estava mais na floresta os olhos se assombravam ao ver aquele carro surgir como um animal furioso que rugia alto se anunciando. A visão voltava por alguns breves momentos. Sangue em um rosto conhecido, lágrimas em outro rosto, ambos olhando para a mesma pessoa. Segundos tão pequenos, mas o suficiente para sentir o calafrio de quem iria deter a visita inesperada.
- Simon diz...
Pude apenas ver um rosto nada contente e o forte baque daquele corpo que passava rolando por cima do jaguar. O freio de mão era puxado com violência. O carro girava parando de frente com aquele ser maldito que se erguia mostrando seus caninos.
- Que a Justiça prevalesça!
Eu abria a porta do meu carro, os comparsas dele seguravam Alec e Júlia para que não houvesse interferências. De um lado aquele maldito deixava de ter seus ferimentos e de outro lado eu começava a recitar palavras em Hebraico mantendo meus olhos sobre aquele ser.
- Mate-o minha avatar!
Julia nunca sentira tanto medo em sua não-vida. Um medo tão forte que seus caninos cresceram, sua força duplicou e ela avançou de forma rápida seus passos, não para me atacar, mas para se colocar entr eu e aquele maldito que estava fazendo ela e Alec sofrerem. Este foi o grande erro da vampira, pois minhas palavras terminavam.
- ALIIICEEE, NÃÃÃÃÃOOOO!!!!
Não dava para voltar atrás, não com aquela magia. Alec apenas pode ver chamas surgindo do chão enquanto eu erguia a minha mão pegando uma grande área. Júlia gritava de dor, o vampiro que eu queria atingir se assombra e salta dentro do fogo, pegando a vampira e a tirando daquelas chamas que subiam aos céus.
Os demais vampiros tentavam conter Alec que queria salvar Júlia. Tive pouco tempo para compreender o murmúrio de Júlia que pedia para o pai dela perdoare para ele fugir. Mas o tempo corria e Geburah não podia ser mais contido.
- GEEEEBUUURAAAAAAH!!!!!!!!!!!!!! QUE A JUSTIÇA SEJA FEITA À SUA VONTADE!!!
A fúria de Geburah era liberada. Uma energia azulada começava a circular o meu corpo. A espada era puxada lentamente e temor se apoderou daqueles que presenciavam o que estava acontecendo. Meus olhos eram energia pura, os ventos fortes açoitavam as árvores enquanto vampiros imploravam por piedade.
- Não há piedade para aqueles que se alimentam dos cordeiros de DEle!
O pai de Júlia pode ver apenas um borrão e então corpo de um de seus comparsas sendo partido ao meio e caindo ao chão. Pode ver quando eu erguia a minha mão e esmagando um coração na mão. Pode ver quando aquele coração entrava em combustão e depois mais um borrão. O arraste do vento que mudava de forma brusca, começava a querer a arrancar as árvores do chão e lançava os vampiros contra elas. Na fúria de Geburah, Júlia também não estava sendo poupada.
- ALICE!!! PARE!!! PAAAREEE!!!
Alec sofria. Júlia sofria. Geburah continuava sua matança. Quando não partindo os corpos no meio, arrancava os corações usando as minhas mãos, cremava os corpos e Alec mais uma vez gritava.
- ALICE!!! PARE!!! VOCÊ VAI MATAR UM INOCENTE!!! JÚLIA ESTÁ GRÁVIDA!
Grávida? A vampira esta grávida? Geburah, continuava usando o meu corpo, mas aquela notícia foi forte o suficiente para eu e o Arcanjo não percebermos a fuga do Pai de Júlia.
- Poupe-a Geburah!
Geburah lançava os olhos dele sobre a vampira e encerrava sua carnificina. Alec estava a salvo. Júlia e seu bebê estavam a salvos e o pai de Júlia escapou.
- Saiba vampira que estou te poupando devido a criança que está em teu ventre. Serás poupada até que a criança nasça. Mas ainda ficarás sob meus olhos e se sairdes dos caminhos que apontarmos para ti, serás julgada e desta vez, não terás a proteção de Alice ou de Alecsander.
Alec pode presenciar meu corpo caindo ao chão, mas não só ele pode presenciar isso. Sombras também presenciava a queda de meu corpo.
- Cuide de sua esposa! Eu cuidarei de sua irmã... - Ordenou Sombras ao Alec que estava desnorteado com tudo que tinha acontecido, assim como ver a namorada ferida e eu ali desacordada aparentemente.
- Júlia! Você está bem? - Alec acariciava o rosto da amada e Sombras me carregava para o carro.
- Você é estranha sabia? - Murmurou Sombras ao me colocar no banco do Jaguar. estava preocupado com tudo aquilo. O pouco que ele pode presenciar, foi o suficiente para ele compreender que eu podia não ser uma Lycan, mas que eu poderia ser algo muito pior.

Tuesday, April 24, 2007

Segredos?

Meu corpo se encontrava moído, a cabeça doía. Fiquei me perguntando que caminhão que tinha me atropelado até ver o relógio da sala de repouso indicando 21:30.
- Droga. Dormi demais.
Vinnie não se encontrava mais na sala de repouso, nem mesmo Jean estava por ali com seu habitual sorriso me dando boas vindas à terra dos vivos. O que em certo ponto não deixava de ser hilário.
Peguei roupas limpas e fui tomar uma ducha para retirar o cansaço da "soneca".
Já eram 22 horas quando Jean e Anderson viam meu vulto saindo da Seção 9.
- Não se preocupe Jean! Ela entrará em contato.
- É com isso que me preocupo...
Eu não podia culpar Jean e Anderson, afinal... Eles apenas se apegaram demais com a minha pessoa na seção 9, mas desde que aquele serviço iniciou, eu tinha que findá-lo de uma forma ou de outra. Eles poderiam compreender, mas Diretoria estava esperando relatórios e isso significava ir encontrar o meu irmão de novo, assim como Júlia.
O local começou sua noite de forma tranqüila, pude presenciar o meu irmão entrando no lugar, mas ele não estava só.
- Mais um Lycan. - Murmuro, resolvendo deixar o carro. Era engraçado ver que as pessoas passvam se arrastando nos carros ao lado do Jaguar, mas não ousavam tocar no meu gatinho selvagem.
- Ao menos aprenderam a lição. - Não pude deixar de comentar com um pouco de sarcasmo nas palavras e também não fiz cerimônias para entrar no bar.
- Alice!!! - Alec se erguia de sua mesa e vinha me recepcionar. Olhei um tempo ao redor e pude apensa observar o rapaz que chegou junto com ele, lançando-nos um olhar, sentir um breve calafrio e voltar a riscar a mesa de madeira com uma faca de sobrevivência. Mas além dele, pude perceber que a vampira não estava.
- Ela... Virá mais tarde... - Alec sentiu um calafrio quando o olhei nos olhos. Estava tão claro que eu buscava a vampira, que ela não me agradava nenhum pouco ou ele aprendeu a ler a mente?
- V-venha... - Ele pigarreia para tentar disfarçar aquele desconforto que ele sentiu. - Vou apresentar você ao Sombras...
- Belo nome. - Lanço meu olhar mais uma vez na direção do tal Sombras. - Combina com ele.
Alec coça a nuca por um tempo e olha de soslaio para mim.
- Por que você não veio ontem à noite?
Claro. Como explicar para ele que eu tive uma reunião de negócios com o Arcanjo da Justiça e com o Arcanjo da morte, justamente para ter alguma chance contra ele e a Júlia acaso eles perdessem a cabeça novamente?
- Reunião com a Diretoria. - Respondo, vendo sombras se erguendo e ele mesmo se apresentando.
- Boa noite Lupin! Meu nome é Sombras e confesso que até há pouco tempo eu duvidava das palavras de seu irmão Alec. - Sombras fareja o ar e esmiuça os olhos em minha direção. - E confesso que é mais interessante ver olhos tão diferenciados para uma humana.
Não pude deixar de sorrir por conta de forma como ele disse aquilo, se ele soubesse sobre a minhas verdadeira condição, não me chamaria de simples humana.
- É interessante conhecer um amigo de meu irmão.
Sempre seria interessante conhecer os amigos dele. Saber quem o rodeia e do que eram capazes. Esta era a minha função, para a infelicidade de Alec. Creio que Sombras percebeu isso e logo se ergueu.
- Estarei por perto, deixarei vocês dois conversarem a sós.
Garoto esperto e um sorriso escapava ao canto dos meus lábios, vendo-o se erguer e se afastar enquanto Alec mostrava que o compreendia e dava atenção à minha pessoa.
- Espero que eu não esteja te dando muito... trabalho...
Eu observei Alec por um tempo. Ele me deu um pequeno trabalho, mas nãda que pudesse ser contornado.
- De forma alguma...
Resolvemos conversar sobre outros assuntos. Coisas que não trouxessem à tona o que ele era e o que eu era. Alec me contou um pouco mais sobre a vida dele. O que tinha acontecido, por onde ele andou, coisas assim, mas pude notar que às vezes ele parecia se distrair com algo. Olhava na direção da porta do estabelecimento, e parecia estar preocupado com algo.
- Está tudo bem? - Perguntei, olhando-o de forma inquiridora.
Alec ficava desconcertado, desvencilhava-se de minhas perguntas. Sorria sem graça. Algo estava acontecendo. Isso estava bem claro. Eu não sabia mais que assunto puxar com Alec, já que a minha vida se resumia em trabalho e mais trabalho e não sei se minhas preces foram ouvidas. Alec se ergueu de forma tão abrupta, que chegou a esquecer que eu existia e que estava ali. Saiu de forma súbita, sob os olhares de Sombras e os meus. A faca de sobrevivência era ficanda com força e depois arrancada por Sombras. Ele rangia os dentes, parecendo conter uma fúria muito grande, então fechei meus olhos. Deixei que meus sentidos me alertassem. O Calafrio foi tão grande que o meu corpo se ergueu de forma súbita também.
- Alec...

Thursday, April 19, 2007

Tensões...

- Descansai!
Aquela ordem se repetia em minha mente enquanto eu me recordava da pergunta de meu irmão. Meu corpo necessitava do descanso. Havia mais de 24h que eu não descansava.- Eu...
- Não...
- Pos...
Meus olhos começaram a se fechar. Cansaço... Este, com certeza, era o meu pior inimigo.- Alice!
- Alice!
Não sei como Jean rompeu a segurança da sala, que uma vez fechada só podia ser aberta por dentro, justamente para evitar problemas maiores. Apenas senti meu corpo sendo erguido e Jean forçando os meus olhos para que eles se abrissem.
- Desgraçado! Você não tem dó da sua avatar seu arcanjo maldito? - Vocifera Jean, erguendo meu corpo no centro da sala.
- E-e-ela es-ss-t-tá bem?
Jean apressava os passos, passando pelas velas que se mantinham acesas.
- Eu...
- Depois você resolve isso, ok? - Falava Jean em tom de emergência. - Vinnie!! Lacre a porta assim que eu passar!!!
Vinnie, mal conseguia falar, mas assim que Jean passava pela porta ele acatava as ordens no momento certo de escutar um baque forte contra a porta. O garoto dava um pulo para trás e Jean colocava meu corpo ao chão.
- MÃE DO CÉU!!! - Berrou Vinnie assustado quando via pelo vidro blindado, uma criatura grande com o corpo coberto do que parecia piche e garras enormes tentando arrombar aquela porta.
- ALICE!!!! ACORDA!!! - Gritava Vinnie enquanto Jean começava a recitar algo em aramaico.- Descansai!!! - Togarini ainda sussurrava em minha mente. Os gritos eram tantos. Fosse de Vinnie, fosse daquela criatura. As palavras em aramaico, foram o que me fizeram girar o corpo e me erguer sobre as minhas pernas. Jean apenas sentiu a minha mão ensangüentada em seus lábios. Eu interrompia o que ele falava, conhecia o que ele estava recitando e era isso que Togarini mais desejava.
- Vinnie... Abra a porta quando eu erguer a mão.
- VOCÊ ESTÁ LOUCA MULHER? VOCÊ VIU O TAMANHO DAQUELA PORRA?
- Aquilo não é uma porra, mas não entremos em detalhes. Apenas abra...
- ALICE!!! EU A PROIBO DE FAZER ISSO!!! - Jean gritava comigo e eu apenas recitava algo muito baixo. Um sussurro digno, apenas para Togarini escutar. Vinnie me viu erguer a mão e rezou para que eu estivesse sã. Sua confiança em minha pessoa o tornava cego sobre os verdadeiros perigos que aquilo poderia significar. Jean viu a porta abrindo e aquela criatura esticando o braço para me pegar. A mão com suas garras enormes já estavam ao redor do meu corpo, os dedos daquela criatura começavam a se fechar. Jean se aproximava e eu já não escutava mais nada a não ser a última palavra que eu recitei. Um grito gutural toma conta de toda a seção 9 e logo Anderson chegava em passos apressados. Vinnie estava com os olhos arregalados, encolhido sobre as próprias pernas, com as mãos na cabeça.
- Isso não é real! Isso não é real! Isso é estafa mental! Apenas estafa mental!Jean suspirava e se abaixava ao lado do garoto. Colocando a mão sobre os olhos dele, murmurando algo. Logo o garoto adormecia e Jean o levava no ombro para a sala de repouso. Anderson lançou um olhar sobre a minha pessoa e mesmo estando de costas eu sabia que ele não estava nada contente.
- Bela oferenda minha avatar! Agora... Terminai o rito. Apagai as velas e descansai o sono dos justos.
- Sabes que eu não tenho este tipo de sono, mas eu hei de descansar e quando eu tiver feito isso irei ao encontro de meu irmão.
Anderson apenas pode espreitar eu entrando na sala novamente, enquanto deixava minhas pegadas sobre cinzas que estavam espalhadas por toda a sala do ritual e uma parte fora da sala.
- Alice...
- Não me venha com sermões. O ritual não havia terminado...
Anderson apenas escutava aquelas palavras duras, enquanto espreitava da porta o findar do ritual, o apagar das velas e a guardar do material. Eu pegava a minha espada a embainhando novamente e passava ao lado de Anderson que abria a passagem.
- Um de seus convidados inesperados? - Anderson retrucava para conseguir justificar a possível interferência de Jean que parecia estar salvando o mundo quando tocou o alarme geral e requisitou a presença de Vinnie.
- Como pode ver... Nada complicado...
- Você devia descansar, Alice. Você mal se recuperou, está há mais de 24 horas acordada, não se alimentou e ainda resolveu fazer uma festinha particular com Togarini.
Anderson pegou pesado na última parte e ele soube disso quando o olhei diretamente nos olhos.
- Não pense que por servirmos todos a Geburah, eu deixarei de lado o Arcanjo que me tomou como avatar antes do Arcanjo da Justiça.
- Ele está a usando para continuar suas matanças...
- Quem usa quem, Anderson? Togarini estava na minha vida antes mesmo de Geburah me visitar. Você sabe o que ele fez? Sabe o quanto ele me manipulou mesmo sabendo de toda a verdade? Não me venha com sermões Anderson, Geburah tem sorte de ainda me ter como Avatar dele...
Anderson suspira, mesmo sentindo aquele calafrio todo e sabendo que eu estava furiosa.
- Você acabou se tornando uma arma poderosa na mão deles dois.
Anderson me via afastando. Meus passos eram firmes e eu não tinha mais porque dar explicações a ele. Minha maldição era forte demais para que eu continuasse apenas com um Arcanjo em minha vida. Com os dois juntos... A sociedade humana teria alguma chance... Uma pequena chance enquanto eu continuasse caçando aquilo que ela desconhecia, mas que era a maior causa de mortes misteriosas existente.
- Você está bem? - Jean me perguntava a me ver entrar na sala de repouso e abrindo um tubo de tarja negra. - Pude escutar...
- Eu estou bem, Jean. Eu apenas preciso descansar um pouco.
Jean suspirou ao ver que eu jogava três pílulas dentro da boca e as mastigando.
- A dose está maior do que a recomendada... - Murmurou e eu apenas deitei o meu corpo na cama.
- Eu apenas não quero sonhar...

Saturday, April 14, 2007

Ritos

A porta era fechada. Lacrada para evitar problemas maiores. Isto sempre foi uma das regras internas da seção 9.
Caminhei até um canto, e peguei o giz. A luz indireta deixava o lugar mais lúgubre do que o costume.
Eu sabia que eles estavam esperando só este momento. Não era costume ambos agirem juntos. Mas, quando agiam, era um espetáculo sem igual. Ambos me espreitavam. Viam as riscas de giz sendo desenhadas em um enorme círculo com seus simbolismos. 12 horas de rito para um. 12 horas de rito para o outro. Tudo feito com extrema calma, tendo seus devidos selos de proteção para que aquele encontro ficasse naquela sala.
Bato as minhas mãos retirando o excesso de giz das pontas dos dedos. Acendo as velas necessárias e caminho até o centro do círculo. O som metálico torna-se audível e a espada era retirada da bainha. mais símbolos que eram expostos e o girar da lâmina refletindo as luzes das velas. As duas mãos se uniam, segurando o cabo da espada. Uma pequena prece era iniciada e ao findar da prece a espada era cravada no centro do cículo mágico com toda violência até um dos meus joelhos tocarem o chão. Um vento surgido do nada rodopia ao redor do círculo de modo raivoso, apagando todas as velas e iluminando as riscas de giz em tonalidades azuladas. Mão esquerda no punho da espada. Mão direita sobre o coração.
- Que a Justiça acima de tudo seja feita à minha vontade.
A voz ressoava grave e tempestuosa e apenas o erguer dos meus olhos foram o suficiente para vislumbrar a figura imponente daquele Arcanjo em sua armadura prateada, traços fortes e cabelos grisalhos. Suas asas pareciam pegar quase toda a sala, enquanto eu parecia pequena diante daquele arcanjo de olhos dourados.
- Assim será, Arcanjo da Justiça. Mais uma vez me ofereço para ser a Lança que trará aos infiéis a verdade sobre a justiça divina. Que não mais ousem ferir os cordeiros D'Ele, pois estes estão sob vossa proteção.
- Amém!
- Olho por olho. Dente por
dente.
Aquelas palavras eram recitadas tanto por mim quanto por Geburah e pude sentir, quando meu corpo mais uma vez recebia a dádiva dele. A sensação de ter os músculos sendo dilacerados e da mente recebendo todo aquele conhecimento por questão de milésimos de segundos, sempre foi perturbador demais. A espada era retirada do chão de concreto, como se fosse tirada da areia, o vento dissipava naquela sala, o chão já não mostrava mais as marcas de giz, e a iluminação voltava a ser feita pelas velas que se apagaram diante da presença do Arcanjo da Justiça e agora voltavam à vida.
Mais uma vez eu caminhei. Apaguei cada uma ds velas e as recolhi. Colocava-as dentro de uma pequena caixa prateada e me sentia perturbadoramente pronta para mais uma missão. Mas os ritos não tinham terminado e então um pedaço de carvão era pego, assim como giz feito de enxofre.
Dei início àquele novo traçado. O círculo era feito, os símbolos. Tudo com calma e precisão. O encontro com os arcanjos não era demorado, o que demorava era toda a preparação para encontrá-los. O círculo, os símbolos, os selos de proteção, as velas acesas com as palavras corretas e a prece para invocar cada um deles. Isso sim é que fazia cada rito tomar 12 horas e cansaço era algo que eu não pdoeria me dar o luxo. Não com ele...
Uma vez mais ao centro do círculo. A prece é recitada em línguas que já esquecidas pelos mortais. O cheiro de sangue toma o ar e meus olhos miravam um local que se encontrava escuro longe da iluminação das velas. Uma a uma as chamas íam ficando esverdeadas. As trevas pareciam começar a tomar conta da sala. O círculo e suas marcas pegavam tonalidades avermelhadas e líquidas, mãos pareciam surgir do chão. Os gritos se espalhavam, enquanto os corpos surgiam, pútrefes e vazios. Minhas palavras continuavam ser recitadas, enquanto a mão que cortei com o fio da minha espada, ainda pingava o sangue dentro daquele círculo.
- Venha a mim, Arcanjo da Morte. Venha ao encontro da necromante que o invoca!
Cada vez mais as trevas pareciam tomar o local. O cheiro asqueroso tomava conta de minhas narinas e eu agradecia por não ter comido nada, pois o embrulho no estômago que eu estava sentindo me faria por tudo para fora. As vozes pareciam estar mais próximas e eu sabia que tinha que me manter parada. Então tudo se enegreceu e um leve sopro denunciou a posição do Arcanjo da Morte.
- Sabes que esta oferenda é singela, minha avatar. - Togarini tinha rompido o círculo. Desejoso pelo cheiro de sangue que ele tinha sentido em singela oferenda. -
Por que me trouxe até a tua presença?
Senti Togarini pegando a mão ensanguentada, sorvendo um pouco do sangue que fluía pelo corte. Seus olhos em tons negros miravam-se nos meus e as asas negras fechavam-se ao redor do meu corpo.
- Precisarei de sua ajuda.
- Sim! Precisarás de minha ajuda no mais tardar.
O frio começava a tomar conta do meu corpo e Togarini ainda se deleitava com o sangue que vertia do corte em minha mão. Eu não podia demonstrar temor, eu não podia sair dali, enquanto o rito não terminasse e ele aceitasse me ajudar.
- Sabes que apesar de empregar a justiça. As mortes são tuas oferendas.
- Apenas aceitei emprestá-la a Geburah, pois ele fica saciado com a justiça feita e eu me sacio com as mortes feitas por tuas mãos. De outra forma eu não a compartilharia.
-
Minha lealdade é tua Togarini, sabes que eu não confio em Geburah.
Togarini ri por um momento e pude sentir as minhas forças querendo me deixar. Ele sussurrava em meus ouvidos a tempo de retirar a sua presença e de sua comitiva daquela sala. Em tempo de meus olhos vislumbrarem os reinos de Togarini, quando meu joelho estava ao ponto de tocar o chão e minhas forças me abandonarem.
- Eu sei e por tua lealdade hás de ter a minha ajuda mais uma vez.
Meu joelho tocava o chão, meu corpo tombava e minhas costas sentiam o concreto. A espada caía e as luzes das velas voltavam ao chamuscar amarelado.
- Descansai!
Pude sentir o acariciar de uma pluma deslizando minha fronte, nariz, lábios, queixo, pescoço, colo até alcançar a altura do coração. Meus olhos pediam para ser fechados...
-
Alice!!! Você voltará amanhã?
-
Alec!!! - Murmuro por um breve momento.

Friday, April 13, 2007

Um Bom Amigo...

Jean me olhava de cima a baixo. Era claro que ele estava furioso, decepcionado e preocupado. Eu tinha sumido pela parte da manhã e tinha ficado boa parte da noite sumida. Por mais que eles tentassem me rastrear, eles não haviam conseguido. Eu também tinha os meus truques de desaparecimento quando queria.
- Afinal, Alice... O que você deseja? Morrer? Você estava se recuperando, não recebeu alta do hospital, sabe-se lá Deus aonde você se meteu...
- Você sabe que Ele abandonou tudo...
Jean não era de perder a calma, mas ele sabia do que eu estava falando e a citação do Divino não iria mudar a minha opinião a respeito de estar pronta para outra missão suicida ou não.
- Não me venha com gracinhas, Alice. Eu procurei você. Tive que escutar o nosso chefe furioso e a diretoria do F.B.I. perguntando como diabos eu perdia uma agente e não conseguia encontrá-la.
- Você sabe que o "Diabo" em pessoa foi atrás D'Ele...
Por um momento pensei que ele perderia as estribeiras. Vi o rosto de Jean ficar subitamente vermelho, pois eu sabia que ele odiava quando eu cortava o assunto daquela forma. Quando eu achei que ele ía gritar, perder a compostura, o que quer que seja... O rosto dele voltou às tonalidades normais e ele sorriu.
- Certo... Creio que você foi atrás do Lycan e da Vampira para resolver tudo. - Suspirou e manteve o sorriso em uma calma que chegava a irritar. Sempre odiei este auto-controle do Jean. Odeio e admiro em certo ponto.
- Apenas atrás do Lycan desta vez.
Jean me olhou por um longo tempo. Ele me conhecia, sabia que eu tinha feito mais do que ir atrás do Lycan.
- Você sabe que eles são uma ameaça para a humanidade, Alice.
- Não...
Jean me olhou depois daquele não. Um não curto, mas que por um breve momento mostrou mais do que deveria.
- Você sabe que pode confiar em mim, Alice. Sempre pode.
E ele estava certo. Haviam poucas pessoas que eu podia confiar e Jean estava neste pequeno e seleto grupo.
- Alecsander Lupin...
Jean por um momento sente um calafrio percorrer o seu corpo. Algo nele começava a compreender toda a sombriedade da missão.
- É meu irmão.
Aquilo caía como uma bomba. Então o irmão dela havia ressurgido? Isso ficava claro na expressão de Jean que agora tentava buscar as palavras certas para dizer a minha pessoa. Pude ver-lo coçando a nuca por um tempo.
- Mas a vampira...
- Namorada do meu irmão...
Outra bomba e Jean começou a massagear a fronte. A missão estava comprometida, completamente comprometida e batia justamente de frente comigo.
- Sei que meu irmão consegue controlar a namorada dele. Sei que eles podem se manter entre a humanidade sem ser um perigo para os cordeiros D'Ele.
- Alice... Espera...
Eu sabia o que ele iria dizer. Ele iria dizer que eu estava sendo levada pelas minhas emoções e o pior era que ele estava certo.
- Eu sei o que você irá dizer Jean, mas ele é meu irmão. Um irmão que eu achei que era parte de um delírio por conta da quantidade de remédios que eu tomo.
- Você sabe que estes remédios são necessários...
Agora era a vez dele querer bancar o frio comigo, querer justificar tudo e o porquê eu seguia a vida daquela forma.
- Eu poderia simplesmente virar as costas para Geburah, Jean. Ele me usou. Abusou do direito dele requisitando que eu também fosse avatar dele...
- E se não fosse, Alice? Você estaria viva até hoje? Você teria esta oportunidade de reencontrar o seu irmão? Saber que ele é real e que não passava de um sonho ou um delírio?
Jean apenas escutou o som surdo do bater do meu punho contra a mesa. Me ver fechando os olhos de modo forte e erguer-me com as mãos apoiadas na mesa. Jean pode ver a raiva que eu continha dentro de mim, apenas pelo estremcer do meu corpo e o calafrio enorme que tomava conta do seu corpo inteiro avisando que as coisas tendiam a piorar, mas mesmo assim eu tinha um grande respeito por Jean. Ainda mais que, em momentos como esses, ele apenas colocava a mão no meu ombro e murmurava:
- Não iremos a abandonar, Alice. Apenas não vá despreparada. Ele pode ser seu irmão, a vampira pode ser sua cunhada, mas lembre-se. Eles acima de tudo não são como eu, você, Thorn ou até mesmo o nosso mal-humorado chefe. Se eles perderem o controle, você poderá morrer. Ou você se esqueceu que você acabou de sair do hospital. Que foi você que chegou no F.B.I. se esvaindo em sangue, completamente desnorteada, porque foi incapaz de lutar contra eles? Porque você deixou suas emoções falarem mais alto!
Xeque-mate! Jean em toda sua calma conseguiu praticamente me derrubar no chão com aquelas palavras. Meus olhos se abriam aos poucos e eu pude ver uma das mãos dele apoiada na mesa, enquanto sentia a outra mão no meu ombro.
- Avise a Anderson.... Eu farei as duas conjurações, Jean.
Jean sorria no fim das contas e apenas pode ver que eu caminhava para a sala de conjurações. Ao menos por 24 horas ele sabia que eu estaria em segurança e ele poderia dizer a Anderson o que estava acontecendo.

Wednesday, April 04, 2007

A Verdade

Meus passos foram calmos e em certo ponto era a primeira vez que eu agradecia ao fato de ter um lago ali por perto. Era engraçado como a visão de uma grande superfície cristalina, parecia acalmar os corações melancólicos.
E lá estava Alecsander diante daquele grande lago, observando as pequenas ondulações da água, refletindo sobre as coisas que aconteceram há uma semana, mas mesmo em sua contemplação, seus instintos não o abandonaram.
Alec erguia-se ao escutar o farfalhar da grama que acusava o aproximar de alguém e ficou bem arredio ao me ver. Havia receio em seus olhos, mesmo estando seus punhos cerrados na demonstração de que ele não se entregaria tão fácil.
- Alice!
Murmurou meu nome sem notar e eu apenas toquei minha mão direita sobre o meu coração e meneei minha cabeça como os antigos cavaleiros da Inquisição, ou espadachins que mostravam respeito pelo oponente.
- Não estou aqui para lutar.
Falei em tom calmo, esperando a permissão para me aproximar dele e notei-o sentando novamente à relva úmida pelo orvalho noturno e voltar a contemplar o grande lago. Não tive mais cerimônias e fiquei diante dele. Alec suspirou e me observou por um longo tempo e seus olhos não conseguiram desvencilhar desde então.- Houve uma briga. Uma briga entre três pessoas. Pessoas que saíram feridas e que trouxeram confusão às lembranças que elas possuíam. Houve uma conversa. Uma conversa entre duas pessoas. Pessoas que não se conheciam, mas que sentiam que isso era uma mentira. Houve duas pessoas. Duas pessoas que viviam separadas. Que tocavam suas vidas. Sem saber que uma existia para a outra. Houve uma pessoa. Uma pessoa que trabalhava para o F.B.I. Que possuía uma missão. E que nunca tinha falhado. Houve uma pessoa. Uma pessoa que encontrou um pesadelo. Um pesadelo em forma de Arcanjo que prometeu dar um nome. Um nome que ela desejava. Houve uma pessoa. Uma pessoa que estava em um hospício. Contida em uma maca por ver a realidade que ninguém enxergava. Houve duas mortes. Duas mortes de pessoas queridas. Sangue espalhado pela casa e uma criança traumatizada...Alec fechava os olhos sentindo seu corpo estremecer, escutando aquelas palavras que vinham tão baixas que o remetiam a um passado. Um passado que aos poucos iam se encaixando em sua vida e que o fizeram continuar as palavras que eu estava para continuar.
- Houve um casal que possuía dois filhos. Que estavam felizes por a caçula não ter mais pesadelos. Houve um casal que uma semana antes da noite de natal. Cortou os medicamentos que faziam a pequena Alice dormir de forma tranqüila, sem pesadelos. Houve um casal que na noite de natal escutou o grito de Alice e quando a encontraram viram um pesadelo. Houve uma noite que o sangue pintou as paredes da casa que uma criança olhou em meus olhos totalmente apavorada. Houve uma noite em que vi o sangue de nossos pais em minhas mãos. Que tive que abandonar a casa. Que tive que abandonar a minha irmã. Clamando a Deus que os pesadelos dela não a matassem. Houve uma noite. Que uivei para a lua, me amaldiçoando por não poder mais proteger a minha irmã de sues pesadelos.
Escutei cada palavra que ele dizia e Alecsander acabava de me dar a peça que faltava. As coisas que eu não me recordava por conta dos medicamentos ministrados para conter o que parecia ser apenas loucura e devaneios de minha parte. O monstro que matou minha família era meu próprio irmão. Um irmão que ficou desaparecido por temer me ferir, achando que eu estaria melhor nas mãos dos médicos que me dopavam e me mantinham longe dos meus pesadelos. Eu podia sentir o peso que ele sentia em seu coração. Podia sentir toda aquela angústia que corroia sua alma. Toquei em seu ombro e Alec despertava daquele transe a que estava submetido e a respiração do rapaz ficava descompassada. Pude ver lágrimas brotejarem de seus olhos enquanto a voz vinha embargada com a imensa culpa que agora ele sentia ao se recordar de tudo e ver diante dos olhos aquela que possuía o mesmo sangue que ele possuía.
- Perdoe-me Alice! Eu falei para eles! Falei que eles não deviam cortar o sonífero! Eles acharam que você estava curada!
Alec cerrava os dedos no capote naval que eu usava e abaixava a cabeça com o peso que sentia em seu coração.
- Eles não compreendiam. Não acreditavam em minhas palavras! Eu tentei Alice! Eu juro que tentei. Eu tentei a proteger quando escutei você gritando. Jurei te proteger e então não vi mais nada. Só me lembro de ter ficado furioso. Só me lembro de ter visto seus olhos. De você encolhida e de ver sangue em minhas mãos. Mãos que na época me deram medo. Sangue! Havia sangue espalhado por toda a casa e eu fiquei com medo. Temi quando vi nossos pais mortos. Perdoe-me, Alice! Perdoe-me!Abracei Alecsander naquele momento. Aquela experiência foi traumática para ambos e agora tudo estava esclarecido.
- Você não tem porque pedir perdão.
Falei em tom baixo, respirando fundo. Tantas coisas aconteceram depois daquele evento e se aquilo não tivesse acontecido, talvez hoje eu estaria morta e Alecsander teria sido morto pelos demônios que tão bem me conhecem.
- Você não teve culpa, Alecsander. Nunca teve!
Os pais deles nunca deveriam ter deixado de lado o sonífero que ela tomava. Deixei meu irmão chorar. Ele finalmente expurgava os demônios que o atormentavam, sem dizer o porquê de tal tormento.