Sunday, May 20, 2007

Pequeno Milagre - Parte II

O corpo de Thorn implorava para desabar, ele nunca esteve tão perto do Vale das Sombras como naquele momento. Espiou-me, assim como espiou Jean e Anderson e suspirava de forma exasperada. Meu corpo mostrava resquícios de "vida". Ao menos Jean e Anderson ainda estavam vivos e bem, apesar de inconscientes, mas ele precisava se apressar. Se ele desmaiasse, eu automaticamente entraria no Vale das Sombras e desta vez, nem mesmo ele conseguiria me trazer de volta à verdadeira vida.
Seu corpo pesava, suas pernas tremiam e o frio era algo que nem mesmo as terras gélidas das quais ele veio, conseguiam superar, mas Thorn conseguiu se abaixar, conseguiu ajudar o bebê, verificando se a mãe teria leite materno ou se seria sangue. Pois não queria macular o bebê, ainda. Mas as coisas não eram tão fáceis. Já era um milagre ela ter tido um bebê, mas pedir por um segundo milagre, como leite materno, era pedir para internar em um manicônio o Criador de todas as coisas.
- Eu... Eu posso alimentá-lo!
Murmurou Julia ao sentir o corpo quente de seu filho, que Thorn deixava apoiado no colo dela, mas se arrependeu amargamente ao ver Thorn erguendo aqueles olhos cinzas e pétreos.
- Não se atreva!
Thorn se ergue, indo à geladeira e pegando uma caixa de leite. Colocou em um cpo leite o suficiente para a criança e amornou um pouco.. voltando e vendo a criança buscando o peito da mãe.
- Ainda não pequeno. Tome este...
Júlia espreitava o necromante alimentando o filho dela com algo que não era sangue, mas nem sabia como a criança poderia estar com aquele tamanho, quando ela apenas se lembrava de Alice ter dito que a criança estava morta e Alec esmurrando a porta. Que por sinal ele ainda esmurrava de forma incessante. Teve que esperar de forma paciente, o necromante entregar o filho já alimentado e limpoJúlia também pode notar quando ele me pegou e me levou para outro lugar. Mas se espantou ao ver que o homem que antes estava tão trêmulo, pegou Jean e Anderson e os arrastou sem problema algum.
- Vou chamar o seu marido...
Falou em voz rouca e baixa, caminhando até a porta e quebrando o selo de Jean. Alec quase que entrava na casa de supetão, vendo Júlia ao chão, segurando a criança. Por um momento Thorn não sabia se o Lycan ficou estático por alegria, ou por medo.
- Seu filho ainda não foi maculado Lycan. Eu dei leite comum a ele e se eu fosse um bom pai, como eu acho que você vai ser... Evite se puder o aleitamento materno. Agora se você não se importa, eu tenho três amigos para me preocupar. Entre eles, a Alice.
Alec rebusca um pouco o ar. Estava confuso, era pai de uma criança que parecia bem sadia. Um recém-nascido que mostrava uma aura aparentemente humana e aquele homem de olhar cinza e pétreo que o apavorava mais que sua própria irmã dizia que tinha que ajudá-la?
- Onde ela está? - Perguntou sem encarar nos olhos de Thorn e o necromante apenas lhe deu as costas. - Ela está em boas mãos. Agora seja um bom Pai e marido.
Thorn finalmente deixava o casal e Júlia estava silenciosa. Continha ainda um pouco de raiva em relação àquelas pessoas que se meteram na vida dela e de Alec, mas tinha que dar o braço a torcer. Sem eles, o filho dela não estaria agora em seu colo, mostrando sinais de vida.
Em outro ambiente, Thorn despertava Jean e Anderson. Ambos reclamavam, perguntando se Thorn tinha anotado a chapa do caminhão e ele apenas comentava.
- Ainda não terminou...
Jean e Anderson sentiram um calafrio e tiveram medo de olhar na direção que Thorn olhava, mas seus olhos clamavam por tal visão e o quadro era realmente algo pior do que eles imaginavam. Me viam deitada, completamente pálidae quase não mostrando sinais de vida em minha aura.
- O que estão esperando? Andem... Tratem de dar um pouco de sangue a ela antes que eu desmaie...
Jean ao escuta aquelas palavras correu em minha direção, pegando as coisas necessárias para fazer a transfusão da pior forma possível.
- A vida imita a arte... - Murmura Anderson a ajudar Jean, enquanto se lembrava da cena de transfusão de sangue que aparecia no filme Drácula de Bram Stoker.
- Não, Anderson... Na verdade a Arte imita a vida.... - Thorn senta-se, suando frio, colocando a mão em minha testa. Se abaixando e murmurando algo em meu ouvido. Jean estava aflito demais para tentar descobrir o que ele estava murmurando. Não era hora deles brigarem.
- Thorn... Ela vai sobreviver? - Perguntou Anderson preocupado, enquanto Jean doava seu sangue, mas o necromante não o respondeu. Continuava murmurando algo para mim, de olhos fechados, suando frio.
- Thorn? - Jean olhou com estranheza para o necromante e ele murmurou em tom baixo. - Você já deu sangue o suficiente... Pare antes que você morra...
Anderson então compreendia que era a vez dele. Salvar o filho da vampira era uma coisa, mas ter que salvar a Alice logo em seguida... Era algo totalmente diferente dos padrões de salvamento. Ele então recebia a ajuda de Jean e começava a transfusão de sangue.
- Ainda bem que nós três possuímos o mesmo RH e tipo sanguíneo...
Thorn suspira, fechando os dedos em meus cabelos. estava difícil de se manter desperto.
- Seus esforços serão recompensados, Thorn.
Nem mesmo a voz de Togarini, conseguia confortar o necromante naquele momento.

Sunday, May 13, 2007

Pequeno Milagre - Parte I

Alec esmurrava a porta enquanto Jean se preocupava em selar-la "magicamente". Sombras retirava a faca da sua cintura e começou a riscar o chão amadeirado, deixando o "filhote" estravazar toda a sua fúria na porta que estranhamente não era arrombada.
- ALEC!!! ALEC!!! - Gritava Júlia, já temendo o pior, pois os calafrios que ela sentiu com o Thorn foram muito piores do que sentira comigo.
- Shhh!!! - Anderson fazia um gesto muito simples para Júlia com um rosto sério e ela arregalava os olhos, quando via-o chegando perto dela e a tocando. Júlia não conseguia compreender porque não conseguia se mover, por mais que ela tentasse e gritava desesperada ao ver cada um de nós nos posicionando fora de um círculo com estranhas runas em que ela estava deitada.
- Você sabe que o que iremos fazer pode desagradar Togarini, não? - Perguntava-me Thorn me olhando de forma séria e eu apenas retirava o meu capote.
- Sim eu sei. Mas eu tenho que dar uma chance a eles e a criança. Já que foi pelo fato de eu ter me metido na vida deles que ela está tendo este contratempo. - respondi de forma calma, dobrando as mangas das blusas e Anderson respirava fundo, retirando a blusa dele.
- Alice, você não me pede nada fácil. Você sabe como eu fico toda vez que eu faço isso.
- Sim! Sim! Eu sei e sei que a cada minuto que ficamos nesta conversa agradável mais próximos estamos de visitar o Vale das Sombras.
Jean sorri de forma animadora, olhando para todos nós enquanto retirava a camisa.
- Ao menos eu poderei caminhar no Vale das Sombras com você. ÔÔô Ceifador!! Quanto de sangue precisamos doar nesta história mesmo?
Thorn fazia uns cálculos, olhou para mim e ficou um tempo pensativo, deixando o tórax desnudo.
- Chronnus, eu precisarei do seu sangue. Paladino, o seu também será necessário, assim como o meu. Alice... Como você não tem sangue neste momento, me perdoe, mas você é quem vai ter que canalizar a porrada.
- AAAALEEEC!! ELES VÃO ME MATAR.. VÃO MATAR O NOSSO FILHO!!!
- Ok! Ok! Eu estou acostumada com a porrada mesmo e Júlia... - Olhei para ela por um momento e com um breve sorriso nos lábios, murmurei. - Seu filho já está morto.
- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOO.....
No mesmo momento em que ela gritava, Anderson, Jean e Thorn cortavam os braços, derramando o sangue dentro do círculo, nós quatro entoavamos palavras em um dialeto que Júlia não compreendia. Pude sentir o meu corpo sendo invadido e a sensação de fogo correr em minhas veias, assim como se cada músculo meu fosse dilacerado. Alec batia na porta, uma.. duas... a terceira vez não veio. Nem mesmo os gritos de Júlia eram mais ouvidos. Tudo parecia ter parado, enquanto eu arrancava do ventre de Júlia aquele pequeno natimorto. Minhas mãos enchiam-se de sangue, da vampira e dos únicos que eu poderia confiar naquele momento.
- Sabes que o destino dele já está selado.
Pude escutar aquele murmurar, não ao meu ouvido, mas em minha mente. Eu via não as minhas mãos, mas as mãos de Togarini. O tempo parecia ter parado, mas parou para todos que estavam presentes, menos a quem estava servindo como a ferramenta principal, ou seja... Eu.
- Ele será meu!
- Sim ele será! No momento certo eu o entregarei em suas mãos.
-
Que assim seja!
Togarini deixa a criança crescer, usufruindo o sangue ofertado, usufruindo as minhas forças. Nove meses passavam em questão de segundos. Cientistas seriam internados diante daquela cena em que o corpo de um feto crescia e se desenvolvia, humanos chorariam lágrimas de sangue pedindo perdão ao Senhor e voltariam a crer no milagre da vida. Mas ali o milagre acontecia graças a quatro avatares e um Arcanjo da Morte que prestigiava seus necromantes.
-
Seu tempo está findando, Inquisidora!
Eu sabia o que ele queria dizer. Ele se referia ao tempo que eu tinha para não me tornar uma zumbi. O feto terminava seu franco processo de crescimento. O tempo não podia ser mais dobrado ao nosso bel prazer e a única coisa que tive forças para fazer, foi colocar a criança para chorar e apoiá-la no chão. Um a um fomos caindo. Primeiro eu, depois Jean, depois Anderson. Quando Thorn, achou que ele iria sucumbir sem forças. Togarini tocou seu corpo.
- Ainda não! Alice precisa de você... Assim como precisará de Jean e Anderson.

Tuesday, May 08, 2007

Discussões - Parte II

- Ela é a culpada! Culpada por tudo!
- Culpada pelo que Júlia? Alice estava apenas tentando nos ajudar!
- Ela matou o meu pai!
- Pelo o que eu bem me lembro, seu pai queria me matar, só pelo fato de eu ser um Lycan que vai ser pai do neto dele!
- Se ela não tivesse aparecido eu teria o convencido!
- Convencido? Os malditos estavam para me matar! Teu pai estava para arrancar da tua barriga o teu feto e a única coisa que você consegue fazer é culpar a Alice, por que ela se meteu?
- Ninguém chamou esta assassina!!!
Sombras olhava o casal que brigava aos berros e olhava para mim. Ele podia apenas notar que meus olhos se mantinham fixos sobre o casal. Mesmo ele ficando com calafrios, ele não conseguia saber bem que sentimento eu estava tendo naquele momento. Era completamente normal a reação de Júlia. Mesmo o pai dela fazendo as piores maldades, ele ainda seria o pai dela e por mais que ela amasse Alec, este amor não superava o amor que ela tinha por seu progenitor. Meus olhos observavam mais do que o casal. A raiva de Alec me incomodava, a frustração dele me incomodava. Se eu estivesse na pele de Alec, com certeza já teria desferido um belo murro em Júlia para ela se calar, mas eu não podia e nem deveria interceder. Não naquele momento.
- Isso vai longe! - Murmura Sombras enquanto o casal ainda gritava. Alec já estava com as garras à mostra. Sua aparência humana estava completamente mudada. Júlia também estava completamente alterada. Os caninos estavam à mostra e os olhos estavam com as íris mudadas. - Como é que você se sente tendo destruído o casal vinte?
Sombras soltava a piada de mal humor, mas não conseguiu arrancar nenhum sorriso. Pelo contrário, ele me viu desencostar o corpo do carro e avançar um passo. Pode ver os meus dedos a tamborilar no ar e o entrar repentino do meu corpo no carro. Sombras me olhava intrigado, vendo que eu ligava o meu rádio ao mesmo tempo que Júlia parava de gritar com Alec.
- Júlia? JÚLIA? - Alec demonstrava preocupação em sua voz se aproximando de Júlia.
- Inquisidora chamando Paladino! Inquisidora chamando Paladino! Paladino você está na escuta?
Sombras me via chamando um tal de Paladino, ao mesmo tempo que escutava a voz de preocupação de Alec com Júlia. Ele não tinha mais que prestar atenção em mim, queria compreender o que eu tinha visto que me fez agir com tamanha urgência. Ele voltou o olhar dele para Júlia e pode ver a Vampira com a mão sobre a barriga, contendo um grito de dor e Alec tentando acudí-la.
- Paladino na escuta! Ceifador preocupado querendo notícias tuas!
Ótimo! Eles ainda estavam juntos e eu ajeitava o meu corpo no banco do carro.
- JÚLIA!! POR FAVOR!!! ME DIGA O QUE ESTÁ ACONTECENDO!!!
- Paladino, peça ao Ceifador preparar a casa dele, estou com um caso de parto prematuro em mãos...
- E quem é o pai? Eu ou o Paladino?
- Não é hora para gracinhas, Ceifador. Prepare a sua casa, estarei lá em breve. Paladino! Peça para Chronnus nos encontrar, o feto possui apenas um mês de vida!
- Copy That, Inquisidora, já estamos indo para o local do abate, traga as vítimas.
- Inquisidora Out!
Sombras se espantou, com toda esta conversa rolando quando eu já tinha acelerado o carro, parando ao lado de meu irmão. Eles pulavam para dentro do carro e eu dirigia pelos pântanos de Nova Orleans. Júlia gritava comigo para eu sacolejar menos o carro. Alec pedia para ela ter paciência. Sombras falava os caminhos que eu devia seguir para chegar no tal local do abate, quando eu passei as coordenadas da casa de Thorn.
- Se meu filho morrer eu vou rogar uma praga para que você fique estéril, sua vadia!!
- Cala a boca, Júlia! Você não pode ser um pouco mais agradecida!! A Alice está tentando nos ajudar!
- Alguém já chegou primeiro e me livrou da maternidade.
- Vire à direita se o seu carro não for anfíbio! - Falou com calma Sombras, sentindo o tranco do carro assim que ele começou a falar direita.
- Nossa!! Me dê o nome de quem a esterelizou! Vou fazer questão de cumprimentá-lo!
- JÚLIA!!!- Gritam Alec e Sombras quando a vampira amargurada soltava essa patada.
- Se quiser encontrá-lo eu posso providenciar, mas se eu fizer isso, Alec jamais me perdoará.
- Ah é? Por que?
- Por que eu mandei ele para o Inferno.
- AAAALICEEEE!!! - Gritam Alec e Sombras, notando que eu olhava pelo retrovisor para Júlia enquanto uma árvore se aproximava de forma rápida. A vampira se encolhia assombrada ao ver a forma como eu a olhava e gritou junto com eles pensando que eu mataria a todos nós naquele momento. O tranco do carro era forte. A tinta lateral do carro ficava mais arranhada e o ranger da lataria agradecia por não ter sido um impacto muito maior. Um sorriso surgia nos meus lábios enquanto o silêncio reinava entre os arfares assustados dos meus passageiros. Togarini ria observando a cena de longe e então se voltava para Geburah.
- Ela é fascinante, não?
Geburah o olhava com os cantos dos olhos, deixando o arcanjo da morte para trás. Algo nas minhas atitudes estava o incomodando e ele sabia que Togarini não iria gostar nada do meu próximo passo.
- Paladino para Inquisidora! Inquisidora está na escuta?
- Inquisidora na escuta, Paladino!
- Chronnus já se encontra com a gente e o local do abate está preparado. Você tem certeza que irá proceder com o que tem em mente?
- Tenho Paladino! Confio apenas em vocês para tal procedência!
- Tempo estimado para sua aterrisagem.
- T-5
- T-5? Aonde você está?
Anderson e Thorn estavam do lado de fora da casa e puderam apenas ver o que era um jaguar negro irromper por entre arbustos e quase subindo as escadas da casa. Sombras saía do carro abrindo a porta para Alec. Alec puxava Júlia e eu buscava um maldito cigarro nos bolsos do meu capote.
- Nada de cigarro, Mocinha! Você vai entrar no barco com a gente! - Thorn me repreendia e pegava a Júlia com Alec. Eu por minha vez passava ao lado de Alec e Sombras, deixando Anderson, Thorn e Júlia entrarem e quase batendo a porta na cara de meu irmão e de Sombras.
- Alice!! - Alec abre a a porta e eu o empurro para fora, olhando-o muito séria.
- Alec, Sombras! Sentem! - Foi crueldade minha tratá-los como cachorros daquela forma e bater a porta, trancando-os de fora. Jean olhava para mim incrédulo.
- Sua sutileza me espanta... - Mas o que mais eu poderia fazer? Dizer para eles que o que faríamos ali dentro era um pequeno milagre e que se eles interropessem todos nós poderíamos morrer?

Sunday, May 06, 2007

Discussões...

Eles sorriam, agradecendo por terem chegado a tempo para me resgatar das portas do Inferno. Já eu agradecia por ter amigos como Jean e Thorn, mesmo não tendo os chamado.
- Como... - Murmurei de modo fraco, tentando me mover.
- Shhh!!! - Thorn pedia que eu me silenciasse, acariciando os meus cabelos. Jean mantinha a mão sobre o meu tórax, me mantendo deitada sobre os escombros da mansão.
- Temos que tirar-la daqui, Thorn...
- Eu sei, Jean. Mas, trazer a Alice desta vez não foi fácil. Terei que manter a magia, até que façamos a transfusão de sangue.
- Eu posso...
- Não Jean, nem mesmo a sua esfera de cura pode apressar isso...
Apertei o braço de Thorn, brevemente. Eu estava escutando a conversa de ambos, mas ainda precisava resolver uma coisa, antes de me preocupar com a minha saúde.
- Preciso resolver algumas coisas...
Ambos olharam para mim. Mesmo fraca, cada visita minha aos portões da morte, aumentava mais a sensação de desconforto para quem andava comigo. Togarini sorria e Geburah o olhava com os cantos dos olhos.
- Você sabe que sua avatar morrendo, estará destinada ao Inferno. - Murmurou Geburah a Togarini.
O Arcanjo da morte andava ao redor daqueles três que se encontravam por ali. Observando dois de seus Avatares e dois dos avatares de Geburah.
- Tudo porque ela resolveu servir a minha pessoa antes de te servir. Você a enganou. Usou de um golpe baixo para que ela cedesse a cobiça de um poder maior em nome de uma vingança pessoal. Aproveitou-se da vontade de Alice querer matar os bastardos em meu nome, apenas para que a sua justiça prevalescesse e ainda se sente indignado por ela fazer a justiça em teu nome, mas dedicar as mortes em meu nome. - Togarini sorria, abrindo suas asas, lançando sua sombra sobre Thorn e Jean. Ambos sentiam um calafrio intenso, enquanto tentavam ajudar-me e Geburah rangia os dentes, apertando a mão envolta de sua lança.
- Basta, Togarini. Estamos arriscando a vida de três avatares. Sendo que, Alice é útil tanto para você quanto para mim!
- Não levante mais tua voz contra mim, Geburah. Você condenou Alice ao Inferno, por saber que ela jamais será uma avatar tua de corpo e alma. Não pense que me esquecerei de tua trapaça em busca de justiceiros. Enquanto eu puder interferir, eu irei interferir e aceite de uma vez por todas o fato de que Alice prefere a mim, a você.
Thorn cerrava os dedos, pois escutava a discussão dos Arcanjos. Sabia que Alice e Jean também estavam a escutar, mas eles não podiam interferir, pois jamais conseguiriam vencê-los sozinhos. Jean apoiava a mão no ombro de Thorn, compreendia o que o necromante poderia estar sentindo.
- Thorn... Jean... Eu preciso ir...
Eles me observam por um tempo e me ajudam a levantar. Tinham me encontrado por sentirem a presença dos Arcanjos e por isso chegaram a tempo de salvar-me. O máximo que podiam fazer era salvar-me antes que eu morresse, mas jamais conseguiriam saber quando eu resolveria cometer meus atos suicidas. Não era fácil conviver com a eterna disputa dos Arcanjos por uma avatar que agüenta ser um instrumento nas mãos dos dois ao mesmo tempo.
- Ligue se precisar da gente... - Murmura Jean e Thorn me olha de um modo sério que até mesmo eu sentia calafrios com aquele olhar. - Manterei a magia, até você retornar e começarmos a transfusão de sangue, mas não demore Alice... - Thorn sorri de modo misterioso. - Ou você será a minha zumbi favorita.
Jean dá um murro no braço de Thorn.
- Ouch!
- Não pense que você roubará a Alice de mim tão facilmente, necromante!
- Alice era minha, antes mesmo de você aparecer, detetive...
- Agente!!! - Resmuga Jean.
Caí na risada vendo a cena, era quase possível ver a aura dos Arcanjos sobre eles.
- Certo... Agora vocês estão iguais aos arcanjos e eu não sou um pertence de vocês... Eu os vejo mais tarde.
Saí, sentindo o olhar dos dois sobre mim. Pegava a espada, a colocando na bainha e não olhava para trás. Eu podia escutar as "brigas" de Jean e Thorn. Aqueles dois, sempre iriam dizer quem tinha mais direito, quem era o que eu mais apreciava e assim por diante. Coisas de homens, que sempre tentavam manter a sua imagem. Mas de alguma forma eu também sabia que Geburah e Togarini estavam sorrindo. Coisas de Arcanjos que precisavam da eterna disputa para manter o
Status Quo.
Mas não era hora de pensar neles. Fui caminhando para o local que tinham ficado Alec, Sombras e Júlia. Tinha algo me incomodando e não era o fato de Geburah e Togarini terem discutido. Não era o fato de Jean e Thorn estarem discutindo. Havia algo mais. Algo que estava realmente me incomodando. Uma vontade de esmurrar algo ou alguém que parecia estar crescendo. Mas foi apenas quando cheguei no local que eu tinha abandonado antes da brincadeira de ceifar a vida do pai da Júlia que eu fui compreender aquela minha fúria crescente. Alec e Júlia estavam discutindo feio e Sombras estava recostado em meu carro de braços cruzados. Ele não interferia naquela briga e eu resolvi não interferir também. Já que o motivo da briga era justamente eu. A Agente do F.B.I. caçadora de demônios, vampiros, lobisomens, que surgiu do nada e que estava interferindo na vidinha deles.
Um suspiro escapava de meus lábios. Sombras me olhava com os cantos dos olhos. Alec e Júlia brigavam e a discussão parecia que iria demorar até perto do amanhecer.
Ao menos era assim que eu achava
.

Thursday, May 03, 2007

Quando os Arcanjos Aparecem - Parte II

Aos olhos de Sombras, eu estava completamente desmaiada. Por mais que ele estivesse preocupado com a minha verdadeira natureza, naquele momento ele sentiu que poderia ajudar Alec e Júlia. Mas minha missão ainda não havia terminado e quando o Lycan se afasta do carro, meus olhos se abriram, espreitando aquela cena tão comovente.
“- É chegada a hora!”
Tudo que eles puderam escutar foi um breve estalar de uma folha seca e sentir aquele vento repentino.
- Não! Não!!! Ela irá matá-lo! Você precisa detê-la meu amado!
Júlia chorava, tentando se erguer e Alec a segurava. No fundo desejava a morte do pai de Júlia, pois apenas assim eles poderiam viver em paz. Sombras olhava ao redor, cerrando os punhos.
- Ela estava inconsciente. Tenho certeza de que estava! - Sombras rosnava, não conseguindo me farejar e nem ao menos sentir a minha presença. Alec sentia sua pele arrepiando. Um arrepio de que algo perigoso estava o espreitando e estava por perto. Por um breve momento teve a estranha sensação de estar observando as costas dele, assim como Júlia sendo amparada e Sombras olhando ao redor.
- GRRRrrrrrr!! - Girou parte do corpo de forma brusca, olhando na direção que tinha tido a sensação de estar sendo observado e apenas recebeu uma outra lufada de vento que parecia ir naquela mesma direção.
Eu não podia envolvê-lo e tão menos deixar Júlia interferir novamente. Estava claro que o pai dela era um perigo para a humanidade, mas principalmente para o meu irmão. Eu podia sentir o cheiro daquele bastardo. Daquele covarde que tinha fugido. A energia azulada circundava o meu corpo o desejo de fazer justiça beirava à vingança pessoal. Árvores rangiam implorando piedade àqueles ventos fortes e o tempo fechava cada vez mais. Relâmpagos começaram a cortar o céu escuro e tempestuoso, iluminando um grande casarão.
- Cinzas! Cinzas! Tudo há de se tornar cinzas!
Um sorriso surgia aos meus lábios. Fino. Sádico. Uma energia com tons verdes e negros começou a circundar os tons azulados. Meus olhos que antes era uma energia azul que escapava de meus olhos, ficava cada vez mais escura. Meus passos avançavam cada vez mais em direção àquela enorme mansão. Alguns relâmpagos atingiam o chão e a aura crescente de medo fazia os animais dentro do raio próximo àquele lugar, fugirem desesperados. Meus passos paravam diante daquela porta. À energia negra que escapava de meus olhos parecia ficar cada vez mais intensa, assim como o vento que começava a fazer os vidros vibrarem de forma agourenta.
Primeira batida.
Segunda batida. Aquele som reverberava por toda a mansão.
Terceira batida. A porta explode em milhões de pedaços e o vampiro pode me ver entrando a casa dele. A cada passo meu, a certeza da verdadeira morte aplacava sua alma maldita. Pude ver seus olhos se assombrarem. Pude escutar os pensamentos que mostravam o temor que ele possuía a certeza de que ele não poderia fugir.
- Criatura infernal, teus atos foram contra os cordeiros D’Ele. Em sua fome matara inocentes, Fora júri e executor e hoje saberás o que tuas vítimas sentiam quando clamavam por piedade, enquanto ceifava a vida de cada uma delas.
O Vampiro via a figura de uma mulher, mas sentia uma presença forte demais até para ele. Seu corpo tremia diante de tamanho pavor. Estar diante daquela mulher era o mesmo que estar diante daquele que lançara a maldição sobre os seus. Seus olhos mal conseguiam se erguer. Lágrimas de sangue eram derramadas, vendo aquela espada sendo apontada para ele.
Os segundos pareciam virar minutos e o vampiro pode sentir um alívio repentino. A espada tocava o chão e minha cabeça baixou por um breve momento. Toda aquela sensação de temor desapareceu. Aquela energia parecia ter se dissipado repentinamente e o vampiro ao ver meu corpo estremecer sorriu. Sorriu de forma larga ao perceber que eu parecia não ter conseguido segurar por tanto tempo tamanho poder.
- TOLA MORTAL! CONHEÇA AGORA A MINHA VERDADEIRA FÚRIA!!!
Segundos. Segundos que pareceram tão longos para mim, que pude sentir o cravar daqueles caninos no meu pescoço. Que pude sentir o meu coração bombear de modo forte o meu vitae.
Alec se erguia de forma repentina. Júlia teve uma estranha sensação e começou a rir de forma baixa.
- Alec! O que você está vendo?
Júlia se erguia rindo baixo. Sentia um frisson tomar conta de seu corpo. Alec estava imóvel. Seus braços estavam pendidos ao longo do corpo. Seu coração se acelerava e ele balbuciava.
- Não! Não pode ser!
- ALEC! O QUE ESTÁ ACONTECENDO? - Gritou Sombras ao ver o estado do amigo.
- Você não entendeu, Sombras? A irmã de Alec jamais deveria ter se metido aonde não foi chamada!!! - Júlia ria, sentindo a vitória iminente do pai e Alec se virava para ela furioso.
- CALA A BOCA JÚLIA!!! CALA A BOCA!!!
Sombras mal conseguia acreditar. Estava confuso, viu o tamanho de poder que a irmã de Alec possuía. Havia algo de errado, só podia haver.
O pai de Júlia sugava o meu sangue com prazer. Eu mantinha a minha espada segura. Murmurava algo baixo e ele não conseguia compreender o que eu estava a murmurar.
- Que a justiça prevaleça... Que a justiça prevaleça... Que a justiça prevaleça... Cinzas! Cinzas! Tudo há de se tornar cinzas...
O vampiro gargalhava em sua alma. A moça estava murmurando suas últimas palavras e aquilo o rejubilava.
- Seja feita a tua vontade...
- Para que a justiça prevaleça...
- E que a morte deste maldito...
- Sacie a sua fome...
- Geburah... Togarini...
- É chegado...
- O...
- Mo...
- Men...
- To...
Por um breve momento os meus olhos deixaram de enxergar. Por um momento Alec ficara mudo. Por um momento Júlia não conteve a gargalhada. Sombras erguia os olhos em direção a lua e o Vampiro sorria de modo vitorioso ao sentir meu coração anunciar suas últimas batidas.
Antepenúltima batida.
Penúltima batida. O som reverberava na alma de Alec e aos ouvidos do Vampiro.
Última batida. O Vampiro começa a rir, Alec esmurrava a terra gritando por meu nome.
Meus olhos se abriam. Negros. Negros como o mais profundo abismo.
- Não! NÃO! NÃÃÃOOO!!! NÃO PODE SER!!! - Gritou o vampiro vendo aquelas chispas de energia negra a escapar dos meus olhos. O sorriso sádico tomando conta de meus lábios e a noite virar dia em uma explosão de energia.
Júlia pode escutar o grito de seu pai. Pode sentir uma dor grande tomar conta de seu corpo a fazendo cair de joelhos ao solo. Ela não ria mais. As risadas foram trocadas por gritos de dor, enquanto as lágrimas de sangue eram vertidas em seu rosto.
- Não! Não! Não!
Alec e Sombras olhavam em direção à vampira que sofria com uma perda aparentemente grande demais para ela. O corpo do vampiro ainda ardia em chamas que consumiam devagar o corpo enquanto toda a mansão era destruída na dispersão do poder dos dois arcanjos. Togarini nunca se sentira tão saciado em arrancar a alma daquele ser maldito de forma tão vagarosa, enquanto Geburah mantinha o vampiro vivo diante das chamas que o consumiam.
A casa desabava ao meu redor até o momento em que os arcanjos terminavam o seu serviço e eu terminava o meu.
Meu corpo desabava em meio aos escombros. Geburah e Togarini me observavam. Mantinham-se silenciosos. Alec tremia o corpo. Não conseguia sentir a minha presença. Os gritos de almas torturadas pareciam cada vez mais audíveis para mim e aos poucos meus olhos podiam ver aquelas chamas crepitando. Pude ver os demônios direcionando os seus olhos para a minha pessoa e eu apertei mais forte o punho de minha espada. Era hora de entrar na verdadeira batalha e os demônios pareciam fechar cada vez mais o cerco ao meu redor.
- Alice!
A primeira vez que eu escuto meu nome, ele veio como um sussurro.
- Alice!
A segunda vez o meu nome parecia ser citado como se às minhas costas.
- Alice!
Na terceira vez...
Nunca pensei que ficaria tão contente em ver os sorrisos de Jean e Thorn diante dos meus olhos.
- Seja bem vinda à terra dos vivos!