Saturday, June 16, 2007

A Magia tem um Preço - Parte II

Thorn sabia que algo havia acontecido, mpois sabia o que acontecia quando eu sonhava, mas o necromante tentava se manter calado perante a situação, conseguindo afastar um pouco o seu corpo de minha pessoa e pegando um lenço para limpar aquele pequeno fio de sangue que escapou de meus lábios.
- Eu preciso ir...
Thorn suspira, sabia que não pderia me prender por muito mais tempo por lá sob sua constante vigilância e então só pode me ver erguer da cadeira, vestir meu casaco e prender a espada à cintura. Por mais que ele quisesse interferir, o necromante sabia que eu estava apenas seguindo ordens ou seguindo o meu destino. Ele abria a porta, para que eu fosse embora e pude escutar aquele suspiro que escapava dele. Cheguei a pensar em parar meus passos, mas a única coisa que eu fiz, foi diminuir meus passos, fechar meus punhos e abaixar a cabeça, enquanto descia as escadas. Nem mesmo olhei para trás, assim como sei que Thorn não ergueria o olhar dele, para ver meu carro se afstando e deixando uma nuvem de barro para trás.
Quando se vive demais ao lado de Togarini, deixamos para trás coisas boas por saber que será melhor assim.
O necromante entrou em sua casa e por muito tempo ficou tentado em usar o telefone para avisar Jean sobre a minha partida, mas a tentação não foi forte o suficiente para ele.
Meu carro cruzava aqueles pântanos de Nova Orleans, eu não conseguia deixar de pensar no sonho que eu tive. Nenhum demônio vagava sobre a terra e isso ficou claro, pois encontrei Thorn inteiro e não havia nenhum sinal de batalha na casa dele.
- Foi um aviso... - Murmurei, tentando manter meu carro naquelas pistas, antes que eu resolvesse tomar um café junto aos crocodilos.
Não sei quanto tempo fiquei rondando nos pântanos, pensando sobre o sonho e como dizer a Alec o que eu teria que dizer, mas o sol já se encontrava naquele tom laranja, quase avermelhado, buscando o descanso abaixo da linha do horizonte. Parei meu carro finalmente à frente daquele bar e puxei um cigarro do meu bolso para fumá-lo, enquanto eu tentava por a minha mente em ordem.
- Alice?
Pude escutar aquela pergunta que vinha de forma baixa, como se surpreso por estar me vendo por ali, assim como pude sentir o meu cigarro sendo tomado de minhas mãos. Eu não sabia se xingava o Alec, apenas para desvencilhar as minhas idéias sobre nossa futura conversa, ou se puxava outro cigarro na teimosia.
- Está tudo bem?
Por que ele tinha que perguntar uma coisa que ele já sabia a resposta? Eu sabia que ele estava sentindo a minha confusão, pois eu o sentia confuso. As coisas não estavam bem...
- Onde está a Júlia?
Alec suspira por um momento, notando que eu não o olharia nos olhos e que algo estava me incomodando.
- Está em nossa casa com o bebê. Não se preocupe. Nada poderá acontecer de ruim... Ninguém conseguirá se aproximar deles dois.
Alec pode sentir o cheiro de um cigarro queimando e então rosna um pouco. Ele sabia que eu tinha que falar algo, mas também sabia que era algo que iria o incomodar mais do que ele estava incomodado.
- Terei que matar o bebê... - Minhas palavras surgiram tão naturais e falei com tanta tranqüilidade aparente que aquilo foi o estopim para fazer meu irmão me pegar pela gola de meu capote, me erguer e me bater contra o meu carro. Eu pude notar aqueles olhos mudando de cor, pude notar as veias começarem a saltar, enuanto bombeavam o sangue de forma apressada e Alec pode apenas sentir a fumaça sendo solta em seu rosto, a qual eu havia deixado presa em meus pulmões mesmo sofrendo aquele choque contra a lataria blindada do Jaguar.
- O que é isso Alice, hã? Será que sua vida com aqueles macacos pelados tirou tudo que você poderia sentir por outras pessoas? Será que você não sabe mais o que é sentir algo? Que prazer é esse que você tem em matar as pessoas? Será que eu terei que a matar, para atender as suas preces? Como pode haver tamanha crueldade em seu coração? Por que você não deixou a criança morrer naquele momento? Precisava trazer a criança a vida, me fazer sentir feliz porque meu filho não nasceu amaldiçoado, apenas para dizer que vai matar o meu filho.. O seu sobrinho, Alice?
Deixei ele explodir, o que mais eu poderia fazer? Acreditar que ele aceitaria de bom grado e fala-se: Tudo bem... é só seguir a trilha de tijolos dourados!
- Espero que você me escute e espero que você me escute muito bem. A criança não é uma criança normal. Jamais será, pois ela deveria estar morta e eu a trouxe de volta a vida com a ajuda de bons amigos. Mas bancar Deus nunca é uma boa, pois se fosse.. Lúcifer não teria sido expulso do paraíso e nem mesmo outros tantos que concordaram com ele. Alguém precisa morrer, Alec. Interferimos no ciclo natural das coisas. Um dos que Interferiram precisa morrer junto com a criança.
- Mas, ele é uma criança normal, Alice... - Rosnava confuso para mim.
- Até ele ser corrompido, e se ele for corrompido a Guerra que houve no paraíso será filme de criança com o que poderá acontecer aqui. E eu não posso permitir que você morra. Não posso permitir que as unicas pessoas com quem me importo morram. Se for necessário... Eu morro junto com a criança.
Alec me soltou ao escutar aquelas palavras. Em nenhum momento ele me viu alterar a voz, em nenhum momento ele sentiu o calafrio aumentar em sua alma, ele sentia um aperto em seu coração e sabia que eu estava falando sério sobre meu sacrifício.
- Não... Eu... mesmo farei isso...
Alec não compreendia meus motivos, jamais compreenderia minhas razões e antes mesmo que eu pudesse dizer a ele o porque de tudo aquilo, Júlia nos interrompia.
- Olá Alice! Oi amor! Estou interrompendo algo?
Alec tentava disfarçar um pouco e eu apenas continuava o meu cigarro, mas havia algo estranho no quadro e eu não pude deixar de perguntar a vampira.
- Aonde está o bebê?

Friday, June 08, 2007

A Magia tem um Preço

Aquela noite ficaria marcada na mente de muitos, Thorn não deixou eu sair de sua casa enquanto eu não estivesse completamente recuperada. O que deixou Jean um pouco desconfortável, mas cedendo ao pedido do necromante depois de tudo que ele pode presenciar. Naquela noite ficou decidido que eu ainda seria a agente que me manteria na área em que Alec e Júlia trabalhavam, até mesmo por pedido de Thorn que ficou sabendo mais tarde de Togarini o que eu havia prometido ao Arcanjo.
- Você irá cumprir a sua promessa acaso ocorra algo de errado? - Perguntou-me o necromante depois de alguns dias em que eu já me encontrava recuperada.
- Sim. Eu irei, mesmo sabendo que é meu sobrinho.
Thorn suspirou, por saber que muito de minha humanidade havia se perdido pela quantidade de vezes que eu visitei o Vale das Sombras. Ele mesmo achava que era incapaz de sentir algo por alguém ou derramar suas lágrimas por alguém até aquela noite em que pensou trocar de lugar comigo.
- Você carrega um fardo muito pesado, Alice. - Murmurou o necromante e ele apenas pode me ver observando o fundo de uma caneca um tanto quanto pensativa. Se ele soubesse que os Arcanjos poderiam ser mais cruéis do que ele estava acostumado, saberia porque eu carrego tanta raiva dentro de mim e essa vontade louca de morrer, mas Togarini sabia o que fazia e sabia muito bem quando acionar um de seus avatares para resgatar-me em minhas crises suicidas.
- Eu sei, Thorn. Mas o que você enxerga é apenas a ponta do Iceberg.
Thorn erguia-se da mesa, vendo que eu observava a janela aberta que msotrava um pouco daquele cenário pantanoso ao qual ele se recolhera. Era engraçado como ele buscava a solidão, desde que se envolveu com Togarini e eu estava aprisionada em uma seção do F.B.I. buscando levar a minha vida como poderia levar. Alguém sedenta por vingança e justiça. Fechei meus olhos por um breve momento, sentindo a brisa quente dos pântanos de Nova Orleans. Escutando os cricrilares e o mover das águas pelos crocodilos que buscavam suas presas. Thorn se aproximava novamente com um bule novo de café e me via ali recostada na mesa.
- Você anda mais cansada do que aparenta. - Murmurou Thorn, sentando-se perto de mim e notando que meus olhos se moviam de um lado para o outro. - Huum... Isso não é um bom sinal...
Enquanto Thorn se erguia para tomar providências, eu me encontrava mergulhada nos mundos oníricos. Mundos estes que eu odiava mergulhar por saber o que ocorria toda vez que eu sonhava. O Mundo que eu conhecia não era mais o mesmo. Humanos eram caçados, a morte estava espalhada por tudo quanto é lado. As asas de Togarini não conseguiam ficar mais negras, agora estavam vermelhas e úmidas, deixando aquele líquido vermelho e viscoso pingar de suas penas enquanto ele parecia completamente extasiado. Pessoas gritavam por piedade em plena luz do sol e os vampiros andavam com suas presas à mostra, rasgando e dilacerando aqueles que clamavam por Deus. Tudo parecia ter saído da ordem natural das coisas. Lobisomens se encontravam pendurados com suas peles esticadas, como lobos caçados por caçadores, demônios riam se aproximando cada vez mais.
- Não. Isso não é possível...
Eu falava em meio aquele sonho tentando buscar a causa de tamanha destruição quando senti uma lança sendo cravada em meu coração no momento exato que eu encontrava Júlia rasgando o pescoço de Alec. Meu grito não pode sair para chamar Alec. A dor era grandiosa demais. Eu via a lança trespassada pelo meu corpo e podia escutar a voz de Geburah.
-
Aquilo que devia estar morto, deveria se manter morto. Isso tudo acontecerá, Alice. Você traiu a sua função. A criança será corrompida e tudo que você fez foi em vão.
- Não o escute, Alice. Geburah não compreende que seu verdadeiro papel é sacrificar almas em meu nome...
Culpada. A sentença de ambos os arcanjos por minha ousadia em bancar Deus, era culpada. Eu traria a desgraça ao mundo, por ter trazido a vida a um natimorto. Um natimorto que unia duas raças que eram consideradas perigosas para a humanidade. Geburha torcia sua lança em meu corpo. O arcanjo sabia como fazer uma pessoa sofrer, mesmo que seu golpe fosse mortal para muitos.
- Aqueles que interferiram, devem pagar. Alguém precisa morrer.
Mais uma torcer da lança dentro de meu corpo e eu abria meus olhos com tamanha dor. Thorn segurava-me pelos ombros e pode ver quando um fio de sangue desceu de meus lábios.
- Shhh!!! Foi apenas um pesadelo... - Murmurava Thorn para mim, me abraçando e pensando o que poderia ter acontecido. Meu coração estava batendo acelerado e eu fechavam as minhas mãos nas roupas de Thorn. Algo iria acontecer e eu era a causa do que estava por vir.

Saturday, June 02, 2007

Pequenos Milagres - Parte III

Thorn sentia seu corpo pedindo um tempo. Sentia seu corpo fraquejar no momento que Anderson fazia a transfusão de sangue. Apertava os dedos em meus cabelos e continuava a murmurar de forma muito baixa palavras que Jean gostaria de saber o que ele estava a dizer, mas o que ambos os agentes do F.B.I. não sabiam, era o que Thorn estava realmente vendo. O necromante via meu corpo ensangüentado. Fraquejando perante demônios e mais demônios que me arrastavam cada vez mais para o Inferno. Via Geburah de braços cruzados perante toda aquela batalha, e todas as palavras que ele dizia em meu ouvido, estavam servindo para me manter firme perante aquela batalha. Eu escutava seus pedidos de desculpas, enquanto ele me dizia que meu irmão não aceitaria meu sacrifício. Dizia que se eu fraquejasse a vampira possuiria sua vingança e de que nada teria valido meu esforço para salvar um aparente inocente. Dizia que eu tinha prometido a Togarini que entregaria nas mãos do Arcanjo a criança acaso ela se corrompesse. Thorn era uma das pessoas que mais me mantinha viva naquele momento, mesmo fomentando a ira em minha alma, ou a sede de vingança em cima da esposa de meu irmão, e os demônios urravam para que eu não escutasse aquelas palavras, fomentando em minha alma a sensação de derrota e de que nada havia valido meus esforços. Que eu era a culpada por ter tido um irmão Lycan que matou meus pais. Que eu era a culpada pelas mortes que eles proporcionavam aos inocentes perante meus olhos e que eu traria a morte às únicas pessoas que eu me importava por ter trazido à vida aquilo que deveria estar morto.
Mas Thorn não desistia, continuava a falar o que era necessário para injetar novos ânimos em minha alma.
- Thorn? - Mais uma vez Jean falava com Thorn ao ver que Anderson parecia começar a fraquejar durante a transfusão e o Necromante, apenas erguia a mão para que Anderson se afastasse. Meu chefe encerrou o que poderia fazer e ambos se assombram ao ver os olhos de Thorn que de cinzas não possuíam mais nada de tão sombrios que se encontravam perante a palidez de seu corpo. Ele iria fazer a transfusão mesmo sem condições e pedia perdão para mim, pelo que ele iria fazer, mas ele não iria permitir que eu morresse naquele momento e foi no momento em que ele preparou tudo para iniciar sua transfusão de sangue, que ele pode sentir o segurar de seu pulso de modo forte.
Seus olhos pareciam clarear quando observou quem segurava seu pulso.
Thorn me abraçou, erguendo meu corpo, mesmo ainda sentindo-o gelado.
- Eu ainda não serei sua zumbi favorita...
Murmurei de modo fraco, deixando que ele me mantivesse nos braços dele. - E nunca mais se atreva em pensar que tomará meu lugar.
Jean fica confuso com aquelas minhas palavras, isso era visível para Anderson que também não compreendeu bem o que tinha acontecido. Mas o que quer que seja que o necromante tinha feito, ambos estavam agradecidos por ele ter conseguido me resgatar de alguma forma.
- Seja bem vinda ao mundo dos vivos! - Murmurou Jean, vendo Thorn erguendo a cabeça e suspirando, mas o que fez ele se retirar daquele lugar, carregando Anderson e me deixando a sós com Thorn, foi ver lágrimas nos olhos do necromante.