Tuesday, February 19, 2008

Conversas - Parte III

- Preocupado?
- Um pouco.
- Ela ficará bem.
- Ela está sonhando desde o dia em que ela quase entrou no Bureau com carro e tudo.
- Sim. Eu pude notar isso também.
- Mas, por que ela não está mais agindo como um portal?
Um momento de reflexão se instalava nos agentes que viam Alice deitada naquela cama, rodeada de aparelhos. Desde que retornou, seu corpo se encontra mergulhado naquele "coma".
A seção 9 tinha contratado uma detetive para ir ao local. Alguém que conhecia Alice Lupin e que poderia ir mais a fundo. Ela mandava seus relatórios, falando sobre as atividades do Lobisomem e da Vampira. Comentando que ambos haviam se separado por conta de brigas que tiveram com o nome de Alice envolvido no meio. Disse que havia entrado em contato com o tal Lobo e que ele não representava perigo à humanidade.
Em certo ponto, ambos respiravam aliviados. Sabiam que apesar de ser quem era, aquela mulher era alguém confiável. Ela trabalhava para Geburah, também tinhas suas buscas, também tinha suas desavenças com o arcanjo, mas era mais calma e não tinha o problema que Alice tinha às costas. Alice a descobriu por um acaso. Fora imposta a trabalhar com ela uma vez em sua vida. Dizia que ela era um doce perigoso e capaz de dar dor de barriga, mas também dizia que era uma das poucas pessoas que ela confiaria a vida.
Confiar à vida... Quantas vezes Jean escutou aquilo desde que viu Alice sendo arremessada contra um vidro temperado, praticamente blindado, e aquele vidro se espatifando. Quantas vezes ele havia achado que Alice teria sua vida ceifada por suas próprias mãos se Geburah assim o desejasse? Ela sonhava naquela cama e ele sabia o quão perigoso era ela sonhando. Lembrava-se dos momentos em que ele teve seu corpo ferido nas batalhas que enfrentou, enquanto ela dormia.
- Alice caça os próprios demônios que liberta.
Jean escutou a voz de Madeleine que se colocara ao lado deles. Anderson olhava aquela moça ruiva, de pele clara e olhos verdes. Poderia ser uma perfeita Irlandesa, como comentara uma vez, mas a mesma perfeição poderia ser uma serpente a sibilar tentações.
- Isso, já sabemos, Noveau. – Ponderou Anderson.
Madeleine sorri com os cantos dos lábios e observa a agente que estava em estado de "coma".
- As coisas se acalmaram por aquelas bandas. Alecsander Lupin resolveu se afastar de tudo e de todos, tendo consciência que sua irmã gêmea está viva e longe do alcance de Julia Voslova. A vampira foi um pouco mais difícil de encontrar. – suspirou por um momento. – Há boatos de que ela ceifou a própria vida depois de ter perdido tudo.
- E eu que pensei que Vampiros não tivessem mais sentimentos. – Comentou Jean.
- Mas eles possuem. Alguns deles amam de forma mais intensa que os próprios mortais amam, Jean. Algo que vai além do amor em suas variadas formas.
Jean suspirou e ainda parecia meio perplexo, com Alice sonhando.
- Não fique preocupado com os sonhos que ela terá nesses dias. – Madeleine comentou e então começou a se afastar.
- O que sabe sobre eles? – Anderson a olhou desconfiado.
Madeleine apenas sorriu, olhando por cima do ombro, enquanto Thorn passou ao lado dela para ir visitar Alice. Por um momento olhou aos olhos de Madeleine e fora a primeira vez que o Conjurer mostrou sinais claros de quem sentia calafrios e que ainda era humano.

Monday, February 11, 2008

Conversas - Parte II

- Eles a trancafiarão.
- Não tenho medo.
- Eles a condenarão.
- Não tenho medo.
- Sua vida chegará a um fim e Togarini não terá dó de sua alma.
- Fiz o que fiz, por opção minha e não morrerei antes de ter minha vingança.
- É a vingança que a move?
- Você sabe que os mortos não eram inocentes.
- Eu sei, mas eles sabem?
Por um momento respiro erguendo meus olhos. Estava sendo observada por eles. Andavam como predadores esperando o momento de serem alimentados.
O mais velho parecia ter um olhar de lince, de quem consegue ver além das aparências, mas eu não me incomodava com ele. As roupas bem alinhadas davam-lhe um ar respeitoso. Os olhos, castanho-mel, esmiuçavam-se e ele respirou fundo voltando-se para o mais jovem.
O mais jovem parecia exaltado, andando de um lado para o outro, olhando-me e às vezes e sentindo calafrios.
- Pessoas como você, merecem o mesmo fim que dava às suas vítimas.
- Eles não farão isso.
- Olho por olho...
- Dente por dente, já conheço a ladainha.
- Eles a matarão.
- Não farão isso.
- Por quê?
- Porque eles precisam de mim.
- Eles não gostam de justiceiros.
- Não é o que fazem em teu nome? – sorri com certo escárnio.
- Eles seguem as leis.
- Não deixam de ser assassinos.
- Profissionais que salvam vidas inocentes.
- Eu salvo vidas inocentes.
Meu corpo foi arremessado contra a parede com extrema violência e pude sentir meu corpo inteiro reclamar. Minhas costas doíam, minha visão ficava turva, meu corpo inteiro tremia enquanto eu me erguia mais uma vez.
- Se eles a julgarem, sua vida termina aqui. Uma assassina pérfida que jamais terá o devido reconhecimento dos seus serviços para a comunidade.
- Qual seu real interesse nisso?
- Eu posso dizer quem matou seus pais.
Aquelas palavras reverberaram em minha alma. Há tempos eu matava aqueles párias. Vampiros, Lobisomens, Zumbis, Demônios, tudo que a humanidade ignora por achar ser apenas mera fantasia, mas nenhum deles foi quem eu busquei. O responsável pela morte dos meus pais, pelo desaparecimento de meu irmão e dos meus dias delongados em um hospício.
- Qual seu real interesse nisso? – repeti agora um pouco mais furiosa e mais uma vez meu corpo foi arremessado com tremenda fúria, desta vez contra o vidro de proteção daquela sala. Meu corpo sentiu o momento exato em que aquele vidro se partia em milhões de pedaços e a pele sendo lacerada em várias partes.
Eu caía aos pés daqueles dois homens que olhavam na direção da sala e eu mal conseguia respirar.
- Geburah! – eles gritaram.
Ri de forma baixa, agora eu sabia o nome daquele arcanjo. Togarini se aproximava de mim, tocando-me com as pontas de suas asas.
- Torne-se minha avatar, eu te darei poderes que Togarini não te deu e quando estiver pronta, eu darei em tuas mãos o assassino de sua família.
Eu ainda ria de forma baixa. Pude ver Togarini olhando em meus olhos e apenas suspirando. Ele acariciava meu rosto. Geburah estava me garantindo algo que ele jamais me ofertou.
- Não posso abandonar Togarini. – murmurei, em tom baixo e Togarini apenas sorriu.
- Você poderá morrer sendo avatar de dois Arcanjos.
- Ou isso ou morrerei da forma que você me disse.
- Como saberei que você suportará?
- Apenas quando vocês dois compartilharem seu poder dentro de meu corpo, é que você saberá.
O jovem me pegou aos braços e me ajudou a levantar. Seus olhos se assombraram quando acabei de me erguer.
Às minhas costas dois selos se mesclavam e ele olhou para o mais velho.
- Ela agüentará?
- Se agüentou até agora, quem sabe quando eles entrarem no corpo dela?