Monday, July 21, 2008

Problemas? O que são Problemas?

Aquela mulher realmente não pedia nada fácil. Às vezes fico pensando se não teria sido melhor ter morrido naquele local cheio de zumbis, onde eu e a Margeau sobrevivemos no melhor estilo Scooby-doo... Claro, só faltaram mais alguns moleques enxeridos e o cão falante. Mas do que eu estava reclamando? De um Nerd que provavelmente teria um emprego que não estaria à altura de meu Intelecto, reclamando que estava ganhando pouco, para um agente interno do FBI, eu preferia ser o agente interno, mesmo vendo com mais freqüência o que os adormecidos não costumam ver...
- Anda moleque, enquanto estamos aqui brincando de quebra-cabeças, a Alice ta lá fora, sabe-se lá onde caçando uma maldita gárgula.
Jean não precisava ter me dado um tapa na nuca para acelerar meu trabalho, mas... Pera... O que ele disse?
- CARALHO, JEAN!!! Uma gárgula? Porque você não falou logo, isso teria facilitado o nosso maldito trabalho e a mulher não taria lá fora dando uma de suicida de novo!!!
Sinceramente, o moleque me irritava. Mesmo tendo entrado para o FBI, o linguajar dele não mudava, mas lá estava ele fazendo uma nova busca com relatos surreais... Putz... Isso era o que chamamos de Padrão MIB? Ele estava dando uma de MIB?
Sorri e como foi gostoso sorrir, cruzando todas aquelas informações que só não foram encontradas mais rápidas por não existir realmente uma Matrix ainda na vida real, mas lá estavam relatos manuscritos, encontrados, praticamente roubados, histórias que falavam sobre mortes brutais, um monstro em forma feminina, verdadeiras lendas urbanas de sites um tanto quanto duvidosos, mas que possuíam um estranho vínculo com nada mais, nada menos que...
- Inquisição! – murmurei, recuando alguns passos da tela que Vinnie me mostrava tão vitorioso.
Era impressão minha ou Jean parecia pálido?
- Jean?
Meu corpo foi gelando, o mundo parecia girar enquanto o chão era retirado debaixo dos meus próprios pés.
- “olho por olho”
Não! Não era hora de Geburah vir me lembrar que a Inquisição era agente dele no combate contra aqueles que atentavam, não era hora dele me lembrar que no fundo, agimos como Inquisidores. Eu odiava quando Alice usava o nick de campo.
- Jean?
O frio parecia muito mais intenso para mim. Ainda podia me lembrar de vários relatos, de histórias contadas por Seanchaí da Ilha Esmeralda.
- JEAN?
O homem parecia ter entrado em um transe, sabe-se lá o que tinha acontecido, eles tinham uma visão muito mais apurada do que a minha. Uma visão mágica muito mais treinada, mas pô! O cara tava suando, com o olhar vidrado e pálido.
- “dente por dente”.
- R-re-úna... Tudo... – Gaguejei sem forças. Eu não sabia mais se queria tanto ajudar Alice naquele momento. O Moleque seria de melhor ajuda.
- Fique aqui Jean, você não parece estar bem. Eu entrarei em contato com a Alice.

1 comment:

Samuel Medina (Nerito Samedi) said...

Uau! Inserir dois narradores deu mais dinamismo ao capítulo, tormando a trama mais rica. Parabéns, cara amiga. Às vezes me pergunto se você lança mão de "heterônimos" ao escrever. Dá para perceber como o estilo varia levemente quando o narrador muda, mostrando um pouco da personalidade dessa pessoa. É certo que a cor ajuda nessa operação, mas só pela qualidade escrita está excelente.
Também agradeço por ter dedicado esse capítulo a dois personagens queridos para mim. Pra falar a verdade, acho que tá na hora de você me presentear com um personagem antipático, já que gosto de todos! Quer dizer, menos dos nossos amigos arcanjos, os gerentes da funerária do céu.
Lembro-me como Geburah gosta de chamar Alice de inquisidora. Quando ele a chama por esse apelido, dá para deduzir um certo tom de escárnio. Será que estou certo?
Por hora, despeço-me aqui, aguardando um novo episódio!