Wednesday, November 05, 2008

Passeios Noturnos II

Ela não estava andando desacompanhada. Não era difícil saber onde ela se encontrava, mas a fortaleza que ela vivia era de difícil acesso, até mesmo para minha forma humana.
Não eram simples cruzados e inquisidores, pois estes em minha época, não apelavam para os conhecimentos que eram domínios daqueles a quem caçaram tão ferozmente.
Mas depender apenas do Criador deles, parecia não estar surtindo efeitos e foi quando pude presenciar no decorrer de minha longa vida, que alguns deles começaram a se corromper. A usarem os conhecimentos que antes eram visto como profanos por eles. E aqueles dois que agora andavam lado a lado sabiam o que faziam.
- Não mais merece ser lembrados como eram. Merecem ser associados aos atos horrendos que cometeram contra seus irmãos e principalmente nosso Pai. Amaldiçoados sejam hereges, pois de nós, merecem apenas desprezo.
Tive que me controlar com aquele sussurro que ela soltou. Era um recado direto para mim. Ela sabia que eu estava por perto e estava tentando alertar o seu companheiro. Há quanto tempo ela percebeu o meu planar ou o meu avançar pelas paredes?
Há quanto tempo ela sabia que eu estava os vigiando?
- O que sussurraste?
Só poderia estar distraído. Talvez tão alerta quanto ela, não tenha ouvido aquele sussurro tão claro e lá estava ela a falar sobre as possibilidades de como surgimos. Ele sorria e ela parecia ter muito respeito por ele. Seria o mestre dela? Não... Se assim o fosse eles não estariam falando a respeito disso. Sim... Eles sabiam que eu estava ali e diziam-me que também conheciam magia, mas faziam tudo parecer uma conversa tão banal.
Conversas como essas há tempos atrás eram sussurradas, apreensivas e isso não acontecia naquele momento. Ela mostrava muito bem o quanto já conhecia a forma que eu fui criada, o quanto estava descontraída e perigosamente alerta.
– Nossa predadora está esperando o momento certo... Por enquanto...
– Ela está apenas avaliando o terreno e sua presa.
Uno... Eles agiam como se fosse um. Alertas, protegendo um ao outro. Completando as frases e isso apenas me faz recuar.
Não. Ainda não era o momento certo de atacar. Ainda posso me lembrar bem daquela arma de ferro frio que me feriu gravemente.
Talvez, eu devesse abordar aquela inquiridora de outra forma.
Afinal. Minha sobrevivência não foi calcada apenas em minha bestialidade. Mas agora, por hora, estava na hora de fazer outras vítimas. Antes que eu perca o controle sobre a minha razão.

1 comment:

Nerito said...

Foi interessante ver por dentro da mente da gárgula. Ver que ela observa nossos dois amigos e que tem consciência de seus poderes. Isso torna tudo mais interessante. Torna o inimigo mais profundo e consciente, superior. Gostei quando ela disse que não havia sido somente a sua bestialidade a mantê-la viva.
Aguardo então novas atualizações, cara amiga, sempre presente neste recanto escuro e cheio de surpresas!